Um retorno aguardado — e com cautela
Ninja Gaiden 4 é, sem dúvidas, um dos títulos mais aguardados pelos fãs da franquia, especialmente por fãs de hack and slash exigentes. Tivemos a oportunidade de jogá-lo na Gamescom 2025 por aproximadamente 25 minutos durante o evento, e a experiência foi marcada por um combate pesado, uma estética estilizada e uma clara assinatura da Platinum Games — em parceria com a Koei Tecmo.
O estande da Xbox estava bem estruturado e organizado, mas o espaço dedicado a Ninja Gaiden 4 chamou atenção por estar vazio em certos momentos da manhã reservados à imprensa. Isso nos deu acesso tranquilo ao jogo, mesmo com restrições rígidas: não pudemos gravar, nem mesmo em over-the-shoulder.
Desde os primeiros minutos, a impressão é clara: este Ninja Gaiden carrega o DNA da Platinum, com referências visuais e sonoras que lembram Bayonetta e Astral Chain. Ainda assim, o jogo não perde sua identidade. O protagonista tem peso nos movimentos, algo tradicional da série, e exige estratégia no combate. Esquivar, controlar o timing e conhecer o padrão dos inimigos são elementos cruciais.
Combate, estratégia e desafio de verdade


A dificuldade é alta, como manda a tradição. O boss que enfrentamos tinha duas fases, com golpes potentes e variações entre as etapas. Golpes normais brilham em amarelo, enquanto ataques mais poderosos — ativados com o modo Corvo — brilham em vermelho e infligem alto dano, quebrando a postura do inimigo. Essa habilidade demoníaca, ativada com L2, adiciona uma profundidade tática, embora ainda não saibamos sua origem narrativa.
O combate, apesar de rápido, não incentiva o “smashing buttons”. Pelo contrário, exige leitura de cenário, paciência e atenção aos padrões do inimigo. A câmera se comporta muito bem, mesmo em arenas fechadas, e os movimentos contém uma excelente fluidez e variedade de animações. Inclusive, há oportunidades de interação com o cenário, como usar grades laterais para ataques aéreos.
Plataforma, wallrun e o peso dos clássicos


Além do combate, o jogo oferece boas mecânicas de exploração: há wallrun, ganchos para alcançar plataformas elevadas e possibilidade de usar esses recursos para esquiva. Essa liberdade na movimentação torna o ritmo dinâmico e amplia as opções táticas durante as batalhas.
Porém, em termos gráficos, o jogo ainda parece limitado. O visual lembra a era do PlayStation 3 e 4, com texturas e ambientes mais simples. A estética, no entanto, é estilizada e carismática. Considerando a tradição da Koei Tecmo, é esperado que o foco esteja mais na jogabilidade do que no apelo visual. Ainda assim, esse pode ser o Ninja Gaiden mais bonito feito pela empresa até agora.
Desafio honesto e entrada acessível


Mesmo com chefes difíceis e combates exigentes, o jogo não parece exigir conhecimento prévio da franquia. A inclusão de um novo protagonista — e a presença de textos em português — sugerem uma proposta mais acessível para novos jogadores. Para quem quiser se preparar, a Koei e a Microsoft relançaram recentemente Ninja Gaiden 2 Remasterizado no Game Pass.
No geral, Ninja Gaiden 4 parece pronto para honrar o legado da série. Ainda há pontos que merecem atenção, como polimento gráfico e fluidez de NPCs, mas o potencial está ali — e a Platinum parece determinada a reconquistar seu brilho com esse projeto.
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