Dying Light: The Beast é o retorno brutal de Crane à franquia – Review

- PUBLICIDADE -
BGS 2025

Compartilhe

Dying Light: The Beast, na verdade, seria uma DLC de Dying Light 2: Stay Human, lançado em 2022. Após um vazamento dentro da Techland, que revelou detalhes sobre o enredo da DLC, o estúdio polonês decidiu mudar o curso dos planos e criar um novo jogo com o retorno de Kyle Crane, protagonista do primeiro título, ao universo da franquia.

- PUBLICIDADE -

Com lançamento em 18 de setembro de 2025 para PS5, Xbox Series e PC, Dying Light: The Beast traz ecos do passado em sintonia com o atual momento da franquia, em um novo lugar, com um novo Crane e em um mundo ainda devastado pelo vírus que assolou Harran. Mas será que o novo jogo honra o legado de Crane e se justifica como uma nova entrada?

Confira mais uma análise do Combo Infinito e descubra se Dying Light: The Beast é tudo isso mesmo!

Eu sou a vingança!

The Beast se passa 13 anos após os acontecimentos do primeiro jogo e de sua DLC. Felizmente, todos os eventos que antecedem a nova jornada de Crane são revelados ao jogador (seja ele conhecedor da franquia ou não) em um vídeo de recapitulação presente no menu inicial do jogo.

- PUBLICIDADE -

A história se inicia com Crane em mais uma sessão de testes, na qual ele é feito de cobaia em um laboratório. Após longas e exaustivas sessões, Crane consegue escapar deste lugar que fica em Castor Woods, um vale inspirado nos Alpes Suíços e no Parque Nacional das Montanhas da Mesa, na Polônia, com diversos biomas, incluindo uma cidade.

Assim, com sede de vingança contra quem o torturou por mais de uma década, o Barão, Crane terá uma longa jornada: se tornar uma besta implacável e poderosa, além de reunir aliados para pôr um fim nos planos e na vida do vilão.

A narrativa por trás de The Beast coloca Crane novamente como a salvação daqueles cuja esperança havia acabado. Dá até para se criar um paralelo da jornada de Crane em Harran com a de Castor Woods. Ele chega como um estranho em um novo lugar, é o faz-tudo e se torna um símbolo de esperança para as comunidades ali presentes. Contudo, desta vez, Crane não é mais um sobrevivente, mas sim um caçador. Afinal, ele agora consegue se transformar em uma fera indomável, fruto dos experimentos que sofreu.

- PUBLICIDADE -

Dying Light: The Beast terá múltiplos finais? Techland responde

Com missões principais que se dividem entre derrotar Quimeras (pessoas que passaram pelos mesmos experimentos que Crane, mas sofreram mutações), coletar amostras, conhecer novos sobreviventes e construir laços, Dying Light: The Beast mantém a tradição da franquia com seus personagens nada marcantes e cheios de frases de efeito, além de diálogos que chegam a incomodar. O jogo até tenta criar algum tipo de química entre Crane e outros personagens, mas sem êxito.

O que se pode aproveitar desse enredo é a excelente dublagem em português do Brasil. Fábio Azevedo reprisa seu papel como Kyle Crane. O dublador também é conhecido por emprestar sua voz a Deacon em Days Gone (2019). Todo o trabalho de dublagem é bem feito, embora com a presença de algumas vozes fora de tom, mas o conjunto da obra agrada. Também joguei com dublagem em inglês, que é excelente.

Menor, porém condensado

Castor Woods é um mundo aberto menor que Villedor, de Dying Light 2, e 30% maior que Harran, do primeiro game. Oferecer um mundo aberto contido sem exageros em escala foi um grande acerto da Techland, que soube preencher o mapa com atividades e locais de exploração satisfatórios.

As torres e as zonas de descanso estão de volta somadas a outras atividades, que agregam muito à experiência secundária do game. Castor Woods possui diversos biomas, como florestas, pântanos, a cidade e vilas.

Em todas essas áreas você terá um desafio, seja escapando dos zumbis, seja eliminando soldados do Barão e salvando NPCs pelo caminho, seja roubando equipamentos de um comboio ou invadindo estabelecimentos para coletar recursos. Há muito o que se fazer no mapa.

Dying Light: The Beast tem detalhes de seu mapa revelados

Embora não seja algo comum da franquia, a função de “viagem rápida” é aqui contextual e orgânica. Nos dois primeiros jogos, essa função só era desbloqueada após muitas horas de jogo e através de uma missão específica.

Em The Beast, a Techland optou por não inserir essa função, mas decidiu dar ao jogador a possibilidade de se locomover através de veículos espalhados pelo cenário, que necessitam de combustível para funcionarem — combustível esse escasso dentro do jogo, assim como todos os demais recursos. Embora essa ideia de “flash travel” em tempo real seja uma forma criativa de não incluir a função propriamente dita no jogo, não é em todo lugar que esses veículos estarão à disposição.

No fim do dia, Dying Light: The Beast ainda é sobre se locomover de um ponto a outro correndo e pulando telhados, mas confesso que dirigir até os locais das missões foi um respiro de ar fresco dentro do design de missões com suas localizações distantes e seu vai e volta sem fim.

Parkour!

Para quem curte o parkour presente na franquia, a cidade de Castor Woods vai satisfazer bastante. Suas casas coladas umas às outras são o atalho perfeito para levar você até as missões do jogo. Sinto que a verticalidade em The Beast está ainda mais evidente, com locais acessíveis até o ponto mais alto, onde Crane incorpora o espírito de Altair e Ezio Auditore — mas sem o salto da fé, infelizmente. Teria sido um excelente easter egg.

Em resumo, o mundo aberto de Dying Light: The Beast é a prova de que o sinônimo de um bom mundo aberto não está em sua escala, mas em como ele é preenchido. Há entretenimento que não cansa e ainda tem serventia, como as zonas de descanso e as torres que, durante o dia, são checkpoints se você morrer e, à noite, sua salvação ao fugir dos voláteis. Além disso, há as torres de alta voltagem que também servem de locomoção, permitindo viajar através de fios de uma torre a outra.

Explorar o mundo de Dying Light: The Beast, além de uma necessidade, é uma qualidade de vida dentro do jogo.

Um novo Crane

Uma das grandes novidades de The Beast é o “Modo Fera” de Crane. Essa condição, que se assemelha bastante à “Fúria Espartana” de Kratos em God of War (em termos teóricos e práticos), trouxe uma nova forma de se jogar Dying Light. Crane ainda lutará pela sobrevivência, mas agora possui uma arma adicional em seu arsenal. O “modo fera” é ativado automaticamente (e depois de forma manual) conforme Crane sofre dano e desfere ataques.

Em execução, esse modo é um show de brutalidade e carnificina, com desmembramentos e explosões de crânios em câmera lenta. Não tenho dúvidas de que essa versão de Crane, raivosa e possessa, trouxe um frescor não apenas ao gameplay tradicional da franquia, mas também ao personagem. Além de destroçar zumbis e inimigos, Crane enfrentará diversas Quimeras que o ajudarão a aumentar seu poder.

Esses confrontos são batalhas contra chefes bem desafiadores e, muitas vezes, desengonçadas, mas estão ali por um contexto narrativo. Há, porém, uma grande desvantagem em termos estruturais: enfrentar criaturas enormes e poderosas torna o uso do parkour estressante. Mas tudo muda no momento em que você se transforma.

Exclusivo! Conversamos com a Techland e descobrimos detalhes empolgantes sobre Dying Light: The Beast

A árvore de habilidades é tímida, trazendo as naturais de Crane (como perícia em armas, veículos e afins) e as do seu “modo fera”. As habilidades do “modo fera” são adquiridas ao eliminar as Quimeras, enquanto as habilidades padrão surgem conforme o jogador sobe de nível.

Em resumo, a ausência desse modo teria feito do retorno de Crane algo desnecessário. Mas trazer esse novo Crane é a justificativa concisa para o retorno do personagem.

Uma aula de gráfico e desempenho

A quebra de realidade das áreas urbanas de Harran para a paisagem mais vegetativa de Castor Woods é um choque visual. Sem a paisagem ensolarada de Harran e Villedor, Castor Woods possui um tom vibrante dominado pelo verde de suas florestas. Não há como não se encantar com suas belezas naturais. Isso nos leva à parte técnica e gráfica, que estão impressionantes. Os modelos faciais de Crane e de todo o elenco estão críveis, reativos à iluminação ambiente e bastante detalhados.

Quanto ao desempenho técnico, Dying Light: The Beast dá aula de otimização. Meu review foi feito em uma versão de PS5 do game no console base e não presenciei nenhuma queda de FPS. Joguei no Modo Desempenho (há também o Modo Qualidade, que roda a 30fps). O desempenho é impressionante, mantendo a fluidez sem prejudicar o aspecto gráfico. Essa consistência técnica deve-se ao fato de haver um mapa mais tímido em relação a Dying Light 2, o que certamente não exigiu tanto do hardware.

A queda

Até aqui, você já deve estar pensando que Dying Light: The Beast foi um grande acerto da Techland. E, de fato, é. Porém, quando tenta sair de sua premissa de survival horror, tudo desanda. O uso de armas de fogo na franquia sempre foi opcional devido à escassez de munição.

Em The Beast, a Techland adicionou mais armas de fogo, como lança-chamas e lança-granadas, por exemplo. Não há problema em ter esses aparatos. O grande problema é querer transformar o jogo em um tiroteio desenfreado, sendo que munição é algo escasso para você, mas não para seus inimigos. Meus momentos de maior frustração aconteceram em sessões nas quais o jogo deixou de ser um survival horror para virar Call of Duty.

Fases com hordas de inimigos totalmente armados e você com um arco sem flecha ou armas sem munição são um insulto. O que fica claro é que o roteirista e o designer de missões nunca conversaram com o game designer. A narrativa constrói momentos de muito tiroteio, mas o design do jogo é de um survival horror, cuja premissa é justamente a escassez de recursos, inclusive munição.

Isso, na minha opinião, foi o ponto mais baixo de The Beast. O trailer de revelação mostrava Crane agindo de forma furtiva contra inimigos armados. E era isso que se esperava: Crane eliminando seus inimigos com uma abordagem furtiva e brutal. Mas não foi o caso. Nem mecânica furtiva o jogo tem — e deveria ter tido.

Além disso, vivenciei inúmeros bugs envolvendo progresso de missões, sendo necessário sair do jogo para voltar ao normal. Nada que um patch não resolva.

Mas afinal, Dying Light: The Beast é tudo isso mesmo?

Dying Light: The Beast mantém sua fórmula de gameplay padrão, com coleta de recursos, criação de armas e itens, combate corpo a corpo e parkour. Sua essência está lá. Contudo, trazer Crane de volta foi um frescor para a franquia em termos gráficos, gameplay (até decidir virar um jogo de tiro), presença do modo fera e um mundo aberto contido, mas bem preenchido. A grande falha desse novo jogo está em querer enfeitar o brilho de seu survival horror com tiroteios desnecessários.

Veredito: Dying Light: The Beast marca o retorno de Crane ao universo da franquia. The Beast adiciona uma nova forma de se jogar Dying Light em um novo lugar com ideias positivas, mas peca em querer rabiscar um jogo de tiro desnecessário. João Antônio

7.5
von 10
2025-09-19T09:22:56-03:00

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

LIVES

TODOS OS DIAS

O melhor conteúdo do mundos dos Games para você! São LIVES diárias com os melhores jogos de luta, Últimos Lançamentos, Notícias, Temporadas da “Guerra das Torres (Mortal Kombat)” e da “Guerra das Ruas (Street Fighter)” com os melhores players do momento e muito mais! É só colar e mandar aquele “Salve”