Eden’s Frontier mistura nostalgia e ambição em um novo universo que une jogos e quadrinhos
A BGS 2025 continua sendo o palco onde grandes ideias ganham vida, e entre os projetos que chamaram atenção nesta edição está Eden’s Frontier, um jogo independente brasileiro que combina a intensidade dos JRPGs com o coração e a criatividade de quem cresceu jogando nos anos 90 e 2000.
Desenvolvido pelo estúdio Frontiers Group Entertainment, o título foi idealizado e dirigido por Jean Felipe, que apresentou durante o evento a primeira demo jogável e uma proposta que vai além dos games: um universo expandido que também se estende por uma HQ totalmente gratuita.
“Esse é o primeiro jogo que eu desenvolvo e também o primeiro que dirijo”, contou Jean durante a entrevista exclusiva ao Combo Infinito.
“A ideia surgiu no meio de 2023, quando eu queria criar algo que tivesse o espírito dos JRPGs, mas com identidade própria. Antes de formalizar o projeto, fui até o Japão para entender o mercado e estudar o que realmente influencia o público de lá. Quando voltei, decidi fundar o estúdio aqui no Brasil.”
Um sonho que virou projeto


O desenvolvimento de Eden’s Frontier começou oficialmente em agosto de 2023. Pouco mais de um ano depois, o projeto chega à Brasil Game Show como uma das estreias mais promissoras da cena indie nacional. A demo disponível no evento apresenta cerca de 20 minutos de gameplay, protagonizados por um personagem da raça Bluveil, em uma jornada por uma caverna úmida cheia de criaturas e segredos.
“Tem sido um ano intenso de trabalho. Mas ver o público jogando, comentando e adicionando o jogo à wishlist é algo que me deixa muito feliz. O retorno tem sido incrível.”
O objetivo da demo é mostrar o tom, o ritmo e o estilo de combate do jogo, que mistura ação em tempo real com estratégia e elementos de RPG clássico. Segundo o diretor, o jogo completo contará com três personagens jogáveis confirmados até o momento, além de um quarto nome que já dá as caras na HQ: Hiro, o protagonista do quadrinho.
“O Hiro não é jogável no jogo, mas é um personagem essencial para a lore. Ele começa pequeno, mas vai ganhando importância ao longo dos capítulos da HQ, e isso vai se refletir no próprio jogo”
HQ que serve como ponto de partida


Um dos grandes diferenciais do projeto é justamente sua proposta multimídia. Ao lado do jogo, a HQ digital de Eden’s Frontier expande a mitologia e apresenta os primeiros passos do universo. Disponível gratuitamente no site oficial, ela conta com 43 páginas coloridas e narra a história de Hiro, um adolescente que, após um sonho misterioso, descobre que sua casa e sua realidade mudaram completamente.
“A HQ é o coração narrativo do projeto. Ela serve como um prólogo para o jogo, mas também é uma obra independente. Queríamos que os jogadores conhecessem o mundo antes de explorá-lo.”
Além de Hiro, a história também introduz personagens que aparecerão futuramente no game. Isso inclui Maria, uma jovem mestiça de ascendência japonesa e brasileira que vive no bairro da Liberdade, em São Paulo – um dos cenários confirmados para o jogo.
“A Maria será jogável e tem um estilo de luta baseado em artes marciais. Já o Blue, que aparece na demo, é mais ágil e terá habilidades únicas relacionadas à velocidade e movimento”
Sete chefes, sete pecados


Eden’s Frontier trará ao todo sete chefes principais, cada um representando um dos pecados capitais. O diretor revela que as batalhas serão marcantes e temáticas, mesclando elementos de ação e introspecção. Assim, cada chefe trará um desafio próprio, não apenas em termos de gameplay, mas também de narrativa e ambientação.
“O número tem uma importância especial para a história. Não é sobre religião diretamente, mas sobre reflexão. Queremos que o jogador pense sobre cada um dos confrontos e o que eles representam.”
Inspirações de uma geração que cresceu com clássicos


Ao longo da conversa, Jean destacou as referências que moldaram Eden’s Frontier. Foi impossível não notar o carinho com que ele fala sobre os jogos que o formaram como jogador.
“Eu cresci jogando no PlayStation 1, e é impressionante como as pessoas aqui na feira reconhecem essas influências. Muita gente vem no estande e fala de Final Fantasy, Ragnarok Online e até Klonoa. Eu realmente não esperava que lembrassem de Klonoa, mas fico feliz. Esse jogo marcou minha infância.”
Ele explica que a proposta de Eden’s Frontier é justamente essa: capturar o espírito dos clássicos sem se prender ao passado:
“Quis fazer o jogo que eu, criança, gostaria de ter jogado. Um título com alma, desafio e significado.”
Um indie com alma japonesa e coração brasileiro
Além da estética que mistura JRPG e hack ’n slash, o jogo aposta em um sistema de exploração livre. Haverá, também, ciclo de dia e noite, e eventos dinâmicos que mudam de acordo com o tempo e o local. Os jogadores também poderão recrutar personagens para uma cidade central, além de utilizar um sistema de cartas jogáveis que influenciam o combate e as interações com o mundo.
“Nosso foco é entregar algo genuíno, feito com paixão e autenticidade. Queremos mostrar que o Brasil pode criar experiências que emocionam tanto quanto as produções japonesas”
Eden’s Frontier estreará inicialmente para PC e já pode ser adicionado à lista de desejos na Steam. O estúdio também planeja levar o jogo para “todos os consoles possíveis” após o lançamento.
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