A Microsoft/Xbox Brasil nos enviou o ROG Xbox Ally na versão branca, o modelo de entrada, para testes aqui no Combo Infinito. A ideia era simples: descobrir até onde esse portátil consegue ir no dia a dia, pensando em quem cogita comprar o aparelho para jogar no PC e no ecossistema Xbox.
Este review não tem nota. Afinal, um dos pontos negativos do aparelho é o preço e não mensura qualidade e nota pelo preço. Então, a proposta aqui é dividir a experiência completa de uso: prós, contras, surpresas e frustrações e assim cada um, de acordo com sua condição, tira conclusões a respeito do Rog Xbox Ally.
Unboxing, construção e ergonomia
A caixa segue o padrão dos portáteis da ASUS: apresentação bonita, tudo bem organizado e sem mistério. Porém, é bastante simplista. Dentro, você encontra:
- O ROG Xbox Ally (versão branca)
- Fonte USB-C já no padrão brasileiro
- Cabo de energia robusto
- Suporte simples para deixar o aparelho em pé
Esse suporte é bem simples, com cara de isopor reforçado. Funciona, mas não é nada que passe sensação de produto premium. É algo para “quebrar galho”, não para ser usado como base definitiva.
No aparelho em si, o grande destaque é o grip traseiro. A pegada é melhor que no ROG Ally original, justamente porque essa área de apoio para as mãos lembra bastante o controle do Xbox. Fica mais confortável de segurar por longos períodos.
Os botões, analógicos e d-pad são bem parecidos com os do modelo anterior. Os gatilhos e bumpers parecem até um pouco mais baixos ao toque, mas no geral a construção é sólida, com boa sensação de qualidade. A tela é a mesma do Ally “normal”, com 7 polegadas e taxa de atualização em 120hz, o que ajuda demais na fluidez quando os FPS variam.
Especificações e sistema: onde mora a limitação


Essa versão branca é o modelo mais fraco da linha Xbox Ally. Ela traz:
- SSD de 500 GBs
- CPU Ryzen Z2 A
- 16GB de RAM
- GPU com 6 GB de memória reservada com máximo de 8GB – Quanto mais memória separada para vídeo você tiver, menos para o Windows vai existir, pois elas são compartiladas.
- TDP máximo de 20 W
Para comparação, o ROG Ally Z1 Extreme que eu uso bate 30 W, e o modelo Xbox Ally X deve ir ainda além. Então aqui existe uma diferença real de potência. Ainda assim, o aparelho é um PC completo rodando Windows, com toda a flexibilidade (e chatice) que isso traz.
Logo que liga, ele abre o Windows normalmente e entra no Armoury Crate, o software da ASUS que centraliza tudo:
- Perfis de desempenho (6 W, 10 W, 15 W, 20 W)
- Configuração da GPU integrada
- Ajustes de iluminação nos analógicos
- Biblioteca de jogos, se você quiser usar essa interface e muito mais
Tudo isso já configurado para inicializar direto na experiência Xbox Full Screen, que é a camada da Microsoft pensada justamente para esse tipo de aparelho. Só que aí começam os problemas.
Experiência Xbox Full Screen: boa ideia, execução ainda fraca


Em teoria, o Xbox Full Screen deveria transformar o ROG Xbox Ally em um “Xbox portátil”. O layout lembra o do console, a navegação é parecida, os jogos aparecem em destaque e tudo parece pensado para controle.
Na prática, ainda está longe do ideal:
- O menu às vezes engasga ao abrir durante os jogos
- A interface demora para responder em certos momentos
- A parte de shaders e carregamento inicial dos games leva muito tempo, ao menos na versão branca do aparelho.
Isso acontece especialmente nesse modelo branco, que tem menos potência. Fica a sensação de que o software ainda não está totalmente pronto para o que se propõe. É usável, mas não passa a sensação de produto redondo.
Além disso, o aparelho chegou com 3 meses de Game Pass Premium. Parece ótimo, mas na prática isso quer dizer que o foco é mais console e nuvem do que PC. Como o ROG Xbox Ally é um PC portátil, faria mais sentido uma assinatura focada em Game Pass PC para explorar o máximo do hardware. Além de que o Premium é limitado.
Testes com jogos de PC (Steam/PlayStation)


Para entender o limite real do hardware, começamos pelos jogos de PC via Steam, especialmente alguns portados do PlayStation.
Marvel’s Spider-Man 2
- Resolução: 720p
- Qualidade gráfica: médio
- FSR 3 ativado no modo desempenho
- Frame Generation ativado
Sem frame generation, o jogo roda na casa dos 30–33 fps, com quedas pontuais. Com o Frame Generation da AMD ativado, o FPS saltou para a faixa dos 50–60 fps.
A jogabilidade ficou bem agradável, com resposta boa no controle. O ponto negativo é um pouco de ghosting em movimento, algo esperado nesses modos de reconstrução. Ainda assim, considerando o hardware e a proposta do aparelho, foi um resultado bem melhor do que eu esperava.
The Last of Us Part II Remastered
- Resolução: 1080p
- Qualidade gráfica: tudo no low
- FSR 3.1 ativado
- Sem frame generation
Rodando em 1080p com tudo no baixo, o jogo se manteve estável em 30 fps. Visualmente, o que mais sofre são sombras e detalhes finos, mas, pela tela pequena, o conjunto segura bem.
Para alguém que nunca jogou The Last of Us e quer viver essa experiência num portátil, funciona. Não é o ideal para quem é exigente em fidelidade gráfica, mas é muito mais jogável do que eu supunha para esse modelo.
God of War (2018)
- Resolução: 1080p
- Preset gráfico: Original (equivalente ao médio/PS4)
- FSR 2.0 ativado
Em áreas abertas e de exploração, o jogo se manteve próximo dos 30 fps, com pequenas quedas para 28–29. Nos combates, especialmente na primeira grande batalha, o FPS chegou a cair para a faixa dos 20 e poucos.
Ainda assim, a experiência é jogável, especialmente graças aos 120hz da tela, que mascara um pouco essas oscilações. Com alguns ajustes a mais (reduzir para 900p ou 720p e baixar uma ou outra opção gráfica), dá para buscar algo entre 30 e 40 fps.
Não é a maneira “definitiva” de jogar God of War, mas é perfeitamente aceitável se você tiver consciência das concessões.
Testes com jogos Xbox (instalados)


Depois partimos pra experiência mais óbvia: jogos do ecossistema Xbox pelo app oficial.
Forza Horizon 5
Na loja do Xbox, Forza Horizon 5 aparece com o selo de “ótimo desempenho” e “otimizado para dispositivo portátil”. E isso se confirma na prática.
- Configuração automática: 1080p, preset alto, FPS travado em 30
Nessa configuração, o jogo roda muito bem. Visualmente é bonito, estável e agradável. É como se fosse uma experiência de Xbox One com um pouco mais de capricho visual.
Baixando a resolução para 900p, o FPS sobe para perto dos 60. Em 720p, o jogo quase fixa os 60 fps com boa consistência. Novamente, o VRR da tela ajuda bastante na sensação de fluidez.
Para alguém que compra o ROG Xbox Ally pensando em Forza, a resposta é: sim, aqui ele entrega muito bem.
Ninja Gaiden 4
- Resolução: 720p
- Configuração mista entre médio e baixo
- FPS médio: cerca de 40
Ninja Gaiden 4 não é um monstro gráfico, mas é um jogo recente, cheio de efeitos, partículas e ação rápida. No Ally, ele rodou a ~40 fps, com sensação de fluidez boa graças ao VRR.
Visualmente, o resultado é honesto, sem grandes destaques, mas sem comprometer. Para esse tipo de jogo, a combinação de 40 fps + VRR funciona melhor do que parece no papel.
Avowed
Aqui veio a grande decepção.
Na loja, Avowed aparece com o aviso de “compatível na maioria das vezes”. Mas, ao tentar rodar no ROG Xbox Ally branco, o jogo simplesmente não abre.
- Tentativas repetidas de inicialização
- Erro fatal relacionado à Unreal Engine
- Impossível jogar
Para um aparelho vendido com a marca Xbox, e para um jogo first-party da Microsoft, isso é bem grave. Não é só uma questão de desempenho baixo: é um jogo que não abre.
Esse tipo de situação mostra como a experiência Xbox no Windows ainda é inconsistente, mesmo quando tudo deveria conversar perfeitamente.
XCloud: onde o aparelho mais brilha


Se tem um lugar onde o ROG Xbox Ally (Xbox) realmente entrega algo especial, é no XCloud.
Testamos Starfield via streaming, usando Wi-Fi de 5 GHz e o Game Pass Premium.
- A imagem tem aquele “ar de vídeo” típico de streaming, com leve granulação
- A responsividade, porém, foi muito boa, praticamente sem delay perceptível
- Travadas e artefatos apareceram em poucos momentos, mas no geral a experiência foi sólida
A parte mais impressionante é quando você combina XCloud com o perfil de energia mais baixo:
- TDP em 6 W
- Aparelho fora da tomada
Como o processamento pesado acontece na nuvem, o Ally só precisa cuidar de:
- Tela
- Controles
- Conexão Wi-Fi
Resultado: consumo muito mais baixo, menos aquecimento e potencial de bateria bem maior. Para quem quer usar o aparelho como “Xbox portátil de nuvem”, a combinação faz bastante sentido. Embora sempre tenha o problema do preço.
Espaço interno, carregamento e limitações práticas


Um ponto importante é o espaço de armazenamento. Com apenas 512 GB, você enche o SSD muito rápido:
- Três jogos grandes instalados já ocupam praticamente tudo
- Qualquer coisa na casa de 100–150 GB vira um problema
É possível expandir com cartão e dá para trocar o SSD, mas isso já joga você para o território do “usuário entusiasta”, não do jogador comum.
Além disso, em boa parte dos jogos do Xbox app, o processo de compilação de shaders e carregamento inicial foi bem demorado. Mesmo depois de já ter aberto o game antes, em alguns casos a espera era longa.
Para quem é esse aparelho?
Sendo direto: esse modelo branco do ROG Xbox Ally com a marca Xbox é um aparelho de nicho, para entusiastas.
Pontos positivos:
- Portátil com boa construção e pegada confortável
- Tela rápida com VRR ajuda bastante em FPS variáveis
- Roda jogos pesados em 720p com qualidade surpreendentemente ok
- Forza Horizon 5 e outros títulos bem otimizados entregam ótima experiência
- XCloud funciona muito bem e casa perfeitamente com a proposta
Pontos negativos:
- TDP limitado a 20 W, bem abaixo do Z1 Extreme
- Experiência Xbox Full Screen no Windows ainda cheia de tropeços
- Alguns jogos do Xbox simplesmente não abrem (como Avowed nos testes). Se ele é um Xbox, deveria abrir todos.
- Preço oficial no Brasil muito alto para o que oferece – R$ 5.998,00
- SSD de 512 GB é pouco para o tamanho atual dos jogos
Pelo valor de lançamento no Brasil, eu não recomendaria esse modelo como aparelho principal de quem quer entrar no mundo dos games. Ele faz mais sentido como:
- Um segundo dispositivo para quem já tem PC, Swtich, Xbox ou PlayStation
- Alguém que não tem tempo pra jogar, mas tá doido pra continuar sua vida gamer de uma nova forma
- Um brinquedo de entusiasta que gosta de testar, configurar e mexer em tudo
Assim, se a ideia é ter um portátil para jogar com mais tranquilidade e melhor custo-benefício, ainda vejo opções mais interessantes no mercado, como:
- ROG Ally Z1 Extreme, o anterior
- Outros portáteis mais fortes e mais baratos
- Soluções como Steam Deck, dependendo do preço e da sua biblioteca
Conclusão: potencial enorme, mas ainda não é “o” portátil do Xbox
O ROG Xbox Ally (versão branca) me surpreendeu positivamente em vários pontos. Eu esperava um aparelho bem mais fraco, e ele entregou mais: rodou Spider-Man 2, The Last of Us Part II e God of War com dignidade, além de Forza Horizon 5 e Ninja Gaiden 4 com resultados bem satisfatórios.
Ao mesmo tempo, o conjunto ainda parece um “work in progress”. A experiência Xbox no Windows não é estável o suficiente, alguns jogos importantes não rodam, o espaço é limitado e o preço no Brasil não ajuda em nada.
Fico feliz de ter o aparelho no combo para testes futuros e para mostrar como os jogos vão se comportando ao longo do tempo. Mas, sendo honesto, hoje eu só indicaria esse modelo para quem sabe exatamente o que está comprando, já tem outras plataformas e quer um portátil com DNA de PC e Xbox para experimentar tudo isso em formato de mão.
Por fim, para o público geral, ainda falta estrada, seja no software, seja no preço. E espero de verdade que ambos os aparelhos e os demais do mercado acabem ganhando desempenho como eles são, com upgrades futuros do Windows e da experiência full screen do Xbox. E claro, com preços melhores.










