Com lançamento marcado para 5 de fevereiro em praticamente todas as plataformas, chega Dragon Quest VII Reimagined, uma reimaginação de um RPG querido há décadas. A gente explorou o jogo final no PC e também passamos um tempo com uma demo no PS5, mas este review é baseado na versão de PC, que foi onde avaliamos a experiência completa.
Sinopse e clima geral


Dragon Quest VII é aquele tipo de RPG que começa com um sentimento simples e universal: o desejo de conhecer o mundo, explorar o desconhecido e se meter onde não devia. Só que, bem no comecinho, os personagens trombam com um elemento que muda tudo e coloca o jogo numa trilha muito mais ambiciosa, mexendo com tempo e espaço, passado e presente, consequências e efeito borboleta.
Mesmo pra quem não jogou o original, como foi o meu caso, a história tem um carisma imediato. E o mais legal é que ela vai ganhando corpo sem precisar apelar para exageros, é um crescimento orgânico, com mistério, descobertas e aquela sensação de “ok, isso aqui vai ficar sério”.
Visual e desempenho no PC e PS5


Se tem uma coisa que esse remake acerta em cheio é no visual. O estilo é absurdamente carismático, com aquele DNA do design do Akira Toriyama, agora reimaginado num formato que parece um diorama moderno, tudo muito “cute”, mas ao mesmo tempo cheio de personalidade. Personagens, NPCs, monstros, animais, cidades, ilhas, é aquele tipo de jogo que dá vontade de parar e ficar olhando.
No PS5, a demo rodou muito bem. No PC, o jogo final também foi tranquilo, zero dor de cabeça, sem engasgos, sem drama. Não é um jogo pesado, mas ainda assim é bem caprichado na apresentação.
Áudio e vozes


O jogo tem dublagem em inglês, mas não é 100% do tempo. Ele alterna entre trechos importantes com voz, o que fizeram bem, diga-se de passagem, e outros momentos com texto. E isso até ajuda o ritmo, porque dá peso para cenas chave.
Só que essa alternância joga luz no maior problema do jogo, a falta de uma dublagem em português.
História e sensação de aventura


A ideia de viagem por ilhas e eventos que mexem com tempo e consequência funciona muito bem. Em alguns momentos eu senti até umas referências históricas, coisas que lembram romances clássicos, cidades em crise, culturas diferentes, e o jogo brinca com isso de um jeito interessante, como se a aventura estivesse atravessando “versões” do mundo, não só geografias.
É aquele RPG que, quando engrena, você quer entender o que está acontecendo, porque tem uma aura de mistério bem gostosa.
Combate por turnos: qualidade de vida ótima, mas pouco tempero


Aqui é onde a análise fica mais dividida.
Pontos muito positivos:
- Agora dá para ver os inimigos no mapa, então você evita combate se quiser.
- Dependendo do seu nível, dá para eliminar inimigos fracos antes da batalha e ainda ganhar recompensa, economizando tempo.
- Tem opções de velocidade para acelerar animações, o que muda completamente o conforto do jogo.
- O sistema de vocações/classes abre espaço para mais estratégia.
Tudo isso é o tipo de qualidade de vida que remake precisa ter, e aqui está bem implementado.
O problema é o trivial. O combate, fora chefes e situações mais exigentes, pode cair numa repetição forte. Chega um ponto em que você só vai apertando ataque e seguindo, e o jogo não adiciona uma camada moderna que dê um tempero a mais nesse cotidiano. Não precisava virar outra coisa, não precisava reinventar o gênero, mas um pouco mais de dinamismo no “dia a dia” do combate teria feito diferença.
Ainda assim, o sistema é funcional, é gostoso e tem estratégia quando precisa, só que poderia ser mais ousado.
O maior pecado: falta de legendas em português


E aqui não tem como aliviar.
Um RPG desse tamanho, com esse tanto de texto, com puzzle e missão que dependem de leitura, não pode sair sem legenda em português no nosso mercado. Não é luxo, é básico.
E piora porque o jogo ainda brinca com sotaques, expressões, termos específicos e até personagens que falam de forma diferente. Isso cria uma camada extra de dificuldade até pra quem entende inglês.
A experiência continua boa, só que fica com aquela sensação de barreira desnecessária. E num jogo onde entender a história e as pistas é parte do prazer, isso pesa demais.
Considerações finais


Dragon Quest VII Reimagined é um remake muito carismático, com visual lindo, desempenho sólido e uma história que prende, especialmente com a ideia de tempo, consequência e exploração. Ele acerta em qualidade de vida, melhora o conforto do combate por turnos e entrega uma aventura que tem tudo para conquistar tanto fãs antigos quanto gente chegando agora.
Só que o jogo tropeça feio onde não poderia, na acessibilidade do texto para o Brasil. Para um RPG com uma quantidade grande de textos, isso impacta demais.
Mesmo assim, pelo conjunto, ele continua sendo um jogo muito gostoso de jogar.
Dragon Quest VII Reimagined: Dragon Quest VII Reimagined entrega um remake carismático, com belo visual, bom desempenho, melhorias de qualidade de vida e uma história envolvente sobre tempo e consequências. Apesar disso, a falta de acessibilidade no texto em português pesa bastante para um RPG tão narrativo. Ainda assim, o conjunto torna a experiência prazerosa. – Alepitekus
Recebemos Dragon Quest VII Reimagined gratuitamente para review e agradecemos à Square Enix pela confiança.










