Após os remakes de Yakuza 1 e 2, ficou claro que a SEGA, juntamente com a RGG Studio, estavam decididas em apresentar a um novo público sua franquia de sucesso. Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é a constatação dessa estratégia, pois já estamos no terceiro remake (mas este tem um sabor a mais).
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é o remake do terceiro jogo da franquia que traz como bônus uma jornada inédita, onde controlamos um novo protagonista, que por coincidência é o antagonista do terceiro Yakuza. Além dessa novidade, temos todo o tratamento moderno e adicional que vimos nos remakes anteriores da franquia.
Com lançamento para o dia 11 de fevereiro de 2026 nas plataformas PS5 e PS4, Xbox Series, PC e Switch 2, será que o novo remake é um bom investimento, com tudo o que ele tem a oferecer em conteúdo, e uma oportunidade de conhecer a franquia?
Seja bem-vindo a mais uma análise do Combo Infinito e descubra se Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é tudo isso mesmo.
Revisitando Okinawa e conhecendo um novo protagonista
Este novo remake traz duas histórias, sendo uma delas a jornada de Kiryu em uma nova aventura fora de Kamurocho. Desta vez, o Dragão de Dojima administra um orfanato em Okinawa, e um acontecimento o coloca em mais uma jornada repleta de porradaria. Assim como nos remakes anteriores, a RGG Studio ampliou e estendeu a narrativa do terceiro game, com cenas refeitas e inéditas que trazem um tom mais moderno em relação ao roteiro e à cinematografia vistos em 2009.


Além disso, um detalhe interessante e cuidadoso por parte do estúdio é a decisão de explicar para o jogador, que ainda não jogou os dois títulos originais ou seus respectivos remakes, os eventos que antecederam a história atual. Para quem já jogou os jogos anteriores, isso funciona como uma recapitulação refrescante.
O remake também trouxe novas missões para Kiryu, prolongando seu tempo em Kamurocho antes de ele ir para Okinawa, como, por exemplo, missões de caça aos Vingadores.
Conheça Yoshitaka Mine


Em Dark Ties, o jogador assume o controle de Yoshitaka Mine, dono de uma startup em Kamurocho, que, após perder tudo, decide entrar para a Yakuza. Os motivos que levam Mine a criar uma obsessão pela organização são um dos grandes elementos dessa narrativa inédita dentro da franquia.
Os eventos se desenrolam em 2007, dois anos antes dos acontecimentos de Yakuza 3. Descobrir tudo o que levou esse personagem a se tornar quem ele é no terceiro jogo da franquia é interessante. Além disso, essa história, diferente da jornada de Kiryu, explora reflexões profundas, mostrando que o sucesso financeiro não é capaz de trazer significado ou motivação para a vida.
Todos os preparativos para sua entrada na Yakuza e os dogmas da máfia são explorados, algo que não vimos na série principal, já que conhecemos Kiryu já como membro da organização. Controlar alguém que deseja entrar nesse submundo me fez entender melhor como ele funciona e quais valores o moldam, como a honra, que muitas vezes será quebrada. Esse é um aspecto pouco explorado nos jogos principais. Minha única ressalva é como Mine, um ex-dono de startup, possui uma habilidade de luta tão boa quanto a de Kiryu.
Para a alegria de nós brasileiros, o terceiro capítulo da vida de Kazuma Kiryu e de Yoshitaka Mine, protagonista de Dark Ties, conta com legendas em português do Brasil. Não é mais mistério para ninguém o reconhecimento da SEGA em relação aos jogadores brasileiros. Mesmo assim, é algo louvável e sempre digno de destaque, já que outras empresas japonesas preferem nos ignorar.
Conteúdo para dar e vender
Kiwami 3 segue a cartilha bem-sucedida dos dois remakes anteriores, com a adição de novos minigames e mecânicas vistas nos jogos mais recentes da franquia. O celular recebeu mais profundidade, podendo ser usado para personalização e também em um minijogo de rede social, onde você pode se conectar com NPCs. Um novo modo de busca foi adicionado, permitindo destacar locais e itens interativos no cenário. A mecânica de pesca do jogo original foi expandida, dando a possibilidade de nadar e pescar. Agora, Kiryu pode explorar o ambiente enquanto realiza essas atividades.
Novas missões expandem a experiência e dão mais profundidade ao contexto de Kiryu como dono de um orfanato. Diversos minijogos, como costura, culinária e ajuda com a lição de casa, aumentam seu rank como o Pai do orfanato. Uma nova missão coloca Kiryu como presidente de uma gangue de motoqueiras que luta para proteger Okinawa de forças externas. Você gerencia a gangue, recruta aliados, personaliza a motocicleta, desbloqueia armas e encara missões estratégicas em alta velocidade, oferecendo uma nova perspectiva ao combate.


Dark Ties, por sua vez, também consegue entreter bem o jogador enquanto a história avança. Pelas ruas de Kamurocho, Mine ajuda a transformar a péssima imagem de seu aliado Kanda-san, conduzindo uma grande campanha de relações públicas. Nessas missões, você resolve problemas na cidade, ajuda pessoas ou enfrenta valentões. Concluir essas tarefas aumenta seu rank e garante recompensas. Outras missões trazem combates intensos e até explorações em masmorras subterrâneas repletas de tesouros.
Em resumo, Kiwami 3 traz muitas adições de gameplay por meio de minijogos e mecânicas herdadas de jogos anteriores. Já Dark Ties se destaca pela criatividade ao propor missões variadas para entreter o jogador em Kamurocho.
Dois protagonistas, dois estilos de luta


Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties oferece novas mecânicas de combate tanto para Kiryu quanto para Mine. Além de refinar e modernizar os movimentos de Kiryu, você pode evoluir suas habilidades por meio de uma árvore refeita. Ele também ganhou um novo estilo de luta, chamado RyuKyu. Nesse estilo, o personagem utiliza parry e combinações com oito tipos diferentes de armas, incluindo nunchakus. Essa adição torna o combate mais versátil e menos dependente apenas de apertar botões.
Em Dark Ties, embora eu ainda ache suspeito Mine saber lutar tão bem, considerando que antes era apenas um executivo, ele possui um sistema de combate próprio e bem diferente do de Kiryu. Seu estilo gira em torno do shoot-boxing, com animações que remetem ao boxe e ataques extras que mudam completamente a dinâmica tradicional do beat ‘em up da franquia. Essa diferença fortalece a proposta de oferecer duas experiências distintas dentro do mesmo produto.


Jogue em dois locais diferentes


Este novo remake fará o jogador experimentar duas realidades de cenários distintos. Com Kiryu, mesmo você iniciando em Kamurocho, a grande parte de Yakuza 3 você estará em Okinawa. E é em Okinawa, onde este remake escorrega, pois possui um detalhe desagradável. Muitas imagens surgiram na internet, vazadas e posteriormente capturadas da versão demo do jogo, e mostram um grande problema na iluminação nas ruas de Okinawa, com um trecho específico que só piorava a situação. Infelizmente, esse problema esteve presente na versão de review que recebi para análise.
O grande problema aqui foi a intenção do estúdio em simular uma cidade praiana com um aspecto tropical, mas tudo parece tão escuro, com cores tão fortes, sem qualquer detalhe que simule reflexos ou texturas, ou uma iluminação realista como presenciei em Like a Dragon Infinite Wealth, oitavo título da franquia. O mais bizarro desse problema visual em Okinawa é que, durante as cinemáticas de corte e até as in-game, a iluminação funciona, e a cidade praiana tem um aspecto mais iluminado e uma aparência mais detalhada. O problema de iluminação e detalhe está presente apenas no visual in-game. E infelizmente é onde o jogador estará interagindo a maior parte do tempo.
Mas ainda há esmero
Os remakes anteriores da franquia trouxeram uma grande diferença visual dos games originais, mas o remake de Yakuza 3, infelizmente, ficou abaixo do visual do ambiente praiano que a cidade de Okinawa tem na versão de PS3. Mas é tudo se tratando de iluminação. Os detalhes visuais, as expressões melhoradas e os visuais de alguns personagens mudados e melhorados estão neste remake. A RGG Studio, em resposta à indignação dos fãs e jogadores com o visual da demo, garantiu que tudo será resolvido no lançamento com um patch. Infelizmente, é algo que esteve presente na build de review e quebra a imersão do jogador com a cidade e toda sua particularidade. E para um remake que visa trazer visuais melhores e superiores à obra original, Kiwami 3 deslizou neste aspecto.
Por fim, meu review aconteceu na versão de PC do jogo e não presenciei nenhum bug ou problema de desempenho.
Mas afinal, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é tudo isso mesmo?
A RGG Studio encontrou a fórmula para trazer um frescor para sua franquia e angariar novos jogadores. Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é um exemplo a se seguir na dedicação e na forma de se fazer um remake, a ponto de entregar aos jogadores e aos fãs uma nova aventura feita do zero. Eu sei que a franquia tem muitos personagens que podem ter suas histórias contadas através de um jogo e que é possível cobrar por isso, como foi o caso de Goro Majima com o mais recente jogo da franquia. Mas este remake é muito mais que uma reimaginação, é um gesto gentil da RGG Studio para seus fãs.
Embora existam problemas visuais no remake de Yakuza 3, na cidade de Okinawa, o conjunto da obra consegue entregar muito mais pontos positivos do que um simples problema de iluminação e textura, que pode ser resolvido facilmente com um patch. A quantidade de conteúdo, adições e um novo jogo dentro deste remake fazem deste produto um exemplo a se seguir no que está relacionado à forma de se fazer remakes. A adição de Mine como um novo protagonista em um novo jogo é uma grande novidade deste remake, que agrega à franquia, mas também é algo que vai surpreender os fãs e os novos jogadores. E isso, por si só, é significativo demais.
Por fim, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties está por R$ 296,50 em todas as plataformas em que chegará ao mercado, e você terá dois jogos repletos de conteúdo. Se você é fã, não há como não indicar. Se você ainda não conhece a franquia, essa é uma ótima oportunidade de conhecê-la.
Veredito: Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é um exemplo de como se fazer um remake que agrada os fãs, bem como uma excelente porta de entrada para novos jogadores, que como bônus ganharão um gesto gentil da RGG Studio com um novo jogo com um novo protagonista, novas mecânicas e um novo combate. Embora com um deslize visual especifico, que pode ser resolvido, este remake é um exemplo a se seguir. – João Antônio










