Ter um excelente gameplay é o suficiente para fazer a experiência de um jogo ser bem-sucedida, embora sua narrativa e outras alegorias não sejam. ChromaGun 2 é esse tipo de exemplo, em que toda a sua alma está no gameplay e no seu flexível level design, que lembra muito a experiência da franquia Portal, da Valve.
Tivemos a oportunidade de jogar ChromaGun 2 na Gamescom do ano passado e saímos com uma ótima impressão, mas agora chegou a hora de revelarmos se a sequência vai conseguir manter nossa alta expectativa pelo game.
Com lançamento para o dia 12 de fevereiro de 2026 para as plataformas PC (Steam e Epic Games Store), PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, será que ChromaGun 2 vai conseguir a atenção dos jogadores fascinados por jogos baseados em puzzles, e principalmente dos órfãos de Portal?
Confira mais uma análise do Combo Infinito e descubra se ChromaGun 2: Dye Hard é tudo isso mesmo!
Um conceito para justificar a experiência


ChromaGun 2 não possui uma história bem desenvolvida, com um grande elenco de personagens e um desfecho marcante. Aqui o jogador estará diante de um conceito que justifica a experiência de gameplay que o jogo quer proporcionar. Contudo, há um elemento de destaque, nosso guia. O protagonista do jogo acorda em uma espécie de laboratório, cuja função é realizar testes com a arma ChromaGun.
Uma falha no universo ramificado colapsa as linhas do tempo, e o jogador empunha uma ChromaGun aprimorada para estabilizar as realidades quebradas, enquanto a gerência da ChromaTec insiste que tudo está completamente sob controle. Após uma breve apresentação, fica clara a inspiração deste guia, que nos seguirá por diversos cenários fazendo piadas ruins e explicando mais sobre o papel do protagonista, em clara referência à GLaDOS da franquia Portal.
Entre capítulos, o jogador deve viajar por diversas realidades alternativas semelhantes à sua, mas com uma estética diferente, e coletar um item bastante importante. E é exatamente isso que ChromaGun 2 propõe como narrativa para o jogador. Afinal, seu grande foco está na resolução de puzzles e momentos de plataforma que exigirão bastante do seu raciocínio.
Por fim, o grande destaque está no carisma desses guias, que se diferenciam para cada realidade que você visita.
É aqui que a magia acontece


Se você jogou Portal e ama a forma como a Valve criou aquele game design, ChromaGun 2, dadas as devidas proporções, vai te agradar. Para quem desconhece essa franquia, o primeiro jogo foi lançado em 2015 e usa as cores como artifício de mecânicas. Embora o primeiro game tenha recebido uma recepção mediana pela crítica, esta sequência corrigiu erros de seu antecessor, ampliou as mecânicas, as ideias e o nível de desafio para os jogadores. Isso, na prática, é uma aula de game design criativo, flexível e totalmente mutável. Cada cor tem uma combinação, e essa combinação irá agir de uma forma diferente dentro do cenário. Um detalhe, é essencial entender as combinações das cores primárias. Volte ao primário, onde você aprendeu que a cor verde misturada com a cor amarela dá vida à cor azul. Toda essa ideia de memorização de combinação das cores é a espinha dorsal da experiência deste jogo.
Basicamente você deve usar as cores presentes em sua ChromaGun, vermelho, azul e amarelo. Inicialmente você só usa a amarela para colorir uma bola flutuante e também colorir quadros espalhados pelo cenário com a mesma cor para abrir portas. É basicamente isso o núcleo de gameplay de ChromaGun 2. Contudo, conforme você avança, o nível de dificuldade aumenta e as combinações de cores começam a ganhar mais espaço dentro dos cenários.
Todo o uso de cores tem influência nos cenários e não apenas na resolução de puzzles com as bolas flutuantes que você deve colorir. É possível acessar locais secretos usando as cores em pontos específicos, como dutos de ventilação e caixas específicas. Essa dinâmica adicional te levará a áreas secretas que recompensarão o jogador com colecionáveis ou servirão como forma de atalho para avançar na resolução de puzzles do cenário.
Mas afinal, ChromaGun 2: Dye Hard é tudo isso mesmo?
Como um produto que melhora seu antecessor, ChromaGun 2: Dye Hard é o título a ser recomendado para os amantes de games de puzzles. Com claras influências da franquia Portal, ele consegue ser autêntico e criativo usando as cores como o elemento central de toda sua experiência.
Esqueça narrativa e trilha sonora, o foco aqui é o gameplay desafiador, que exigirá um senso de memorização de combinações de cores e te punirá se errar qualquer combinação. Embora sua fraca presença narrativa traga momentos engraçados, como eu disse anteriormente, não é o grande foco do jogo. Se você é um órfão da franquia Portal, mas curte jogos de puzzles, ChromaGun 2 é uma ótima pedida.
Minha única ressalva é a falta de um save recorrente entre uma sala e outra. Às vezes você não consegue avançar no puzzle por erros na hora de usar as cores, e não consegue recarregar um ponto próximo. O jogo só recarrega o capítulo inteiro. Outro ponto que me incomodou é a falta de variedade nos aspectos dos cenários, tudo é branco e segue a mesma linha de raciocínio das realidades anteriores. O jogo poderia mudar a perspectiva dos cenários, a forma como se comportam, bem como sua caracterização, e oferecer mais nuances.
Veredito: ChromaGun 2: Dye Hard entrega uma experiência focada em puzzles inteligentes e level design criativo, claramente inspirado em Portal. A narrativa é simples, mas o gameplay brilha com mecânicas de cores desafiadoras. Falta variedade visual e checkpoints melhores, mas é altamente recomendado para fãs do gênero. – João Antônio










