Lançado em 2003, Fatal Frame 2: Crimson Butterfly foi um dos grandes jogos de terror de sua época, ao lado de Silent Hill 3. Depois de um remake para Wii, em 2012, a Koei Tecmo decidiu dar ao cultuado game da franquia um novo remake, desta vez sob os cuidados da Team Ninja.
Com lançamento marcado para 12 de março de 2026 nas plataformas PS5, Xbox Series, PC e Switch 2, Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake chega com um novo visual, novas mecânicas e diversas melhorias de qualidade de vida em comparação ao game de PS2 e ao remake para Wii.
Será que este novo remake, com todas as suas modificações e melhorias, pode marcar o início do retorno da franquia aos games, assim como aconteceu com Silent Hill? O Combo Infinito teve a oportunidade de jogar antecipadamente, e eu lhe direi se Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake é tudo isso.
De volta a 2003 com uma perspectiva moderna


Decidi começar este review com as novidades e mudanças que este remake trouxe em relação ao game de PS2. Diferente do original, a perspectiva da câmera agora é over the shoulder, substituindo a câmera estática.
Embora essa escolha de perspectiva já estivesse presente no remake para Wii, neste novo remake ela entrega ainda mais imersão, oferecendo uma sensação mais claustrofóbica dentro dos cenários.
Essa mudança, além de ser algo natural para um game em 2026, também pode servir como um vislumbre de como um novo título da franquia poderia se comportar.
Além da perspectiva modernizada, agora a protagonista que controlamos pode segurar a mão de sua irmã Mayu quando ambas estão no cenário. Esta mecânica é inédita e agora ganhou forma.
Mesmo representando a ligação entre as irmãs, em termos de gameplay ela também traz um desafio adicional, como evitar que Mayu seja atingida pelos fantasmas. Contudo, em alguns momentos, como durante a exploração dentro de casas, a mecânica não funciona tão bem quanto explorar sozinha.
Ter Mayu por perto também se torna uma tarefa desafiadora. Em certas situações de perigo, quando ela cai, você precisará se aproximar e ajudá-la. Isso irá regenerar sua saúde e sua força de vontade.
Partindo para o visual, o novo remake é simplesmente espetacular. Mesmo com todo o charme do jogo de PS2, este novo retorno entrega uma ambientação muito mais intimidadora.
Seus ambientes fechados proporcionam uma sensação ainda mais sufocante e aterrorizante, enquanto as áreas abertas apresentam cenários igualmente assustadores, repletos de fantasmas.
Toda a direção de arte ganhou mais profundidade e tridimensionalidade, fazendo com que cada local pareça ainda mais ameaçador.
Toda essa nova forma de apresentar os cenários só potencializa a sensação constante de terror
Para maximizar esse sentimento desconfortável, os visuais dos fantasmas são absolutamente apavorantes. Embora as feições e os visuais do game de PS2 tivessem seu charme e fossem eficientes em nos assustar, agora há muito mais detalhes.
Cada fantasma possui uma aparência diferente e realista, tornando seus encontros ainda mais perturbadores.
Não posso deixar de mencionar também o visual de Mio e Mayu. Há uma grande evolução tanto nos modelos quanto na movimentação. Tudo parece mais natural e realista.
As expressões e reações das irmãs em momentos aterrorizantes ajudam a transmitir todo o peso dessa experiência.
Minha análise aconteceu na versão de PC do jogo e não presenciei nenhum bug ou queda de FPS. Tudo rodou fluidamente a 60 FPS em resolução 2K (1440p), embora nas cenas de corte o jogo fique travado em 30 FPS.
Minha única ressalva é que não é possível alterar configurações como DLSS diretamente dentro do jogo. Para isso, é necessário voltar ao menu principal. Algo bem antiquado para um título que chega ao PC atualmente.
Ainda assim, toda essa reconstrução moderna de um clássico faz deste remake uma experiência marcante — e possivelmente uma das mais assustadoras da atualidade.
Eu realmente espero que Fatal Frame retorne aos holofotes com um novo jogo, assim como aconteceu com Silent Hill.
Fotografando nos dias atuais


Uma das grandes mecânicas e base da experiência de Fatal Frame é o uso da câmera para derrotar os fantasmas.
Este remake trouxe melhorias e adições para tornar essa mecânica de combate mais natural e intuitiva, substituindo a dinâmica lenta e travada do jogo original.
Para quem desconhece a franquia, Mio e Mayu se encontram em um lugar atormentado por fantasmas. Para eliminar essas entidades, Mio utiliza uma câmera fotográfica chamada Câmera Obscura.
Durante a exploração dos cenários, você coleta diferentes tipos de filmes que potencializam os ataques da câmera. Por padrão, existe um tipo de filme com munição infinita, enquanto os demais possuem quantidade limitada.
Para derrotar os fantasmas, é preciso mirar neles e fotografá-los. Para maximizar o dano, o jogador deve ativar pontos em vermelho que surgem enquanto mira.
A grande mudança no remake está na possibilidade de se movimentar e esquivar enquanto mira. No jogo original, a mecânica de fotografia era completamente estática.
Além disso, conforme você enfraquece os fantasmas com suas fotos, é possível ativar ataques especiais que permitem disparos rápidos consecutivos, causando ainda mais dano.
Assim como no jogo original, também é possível aprimorar a câmera, aumentando a velocidade de recarga do filme, melhorando o foco e ampliando a lente, algo que é novidade neste remake.
Os filtros também retornam e oferecem diferentes vantagens em combate
O Filtro de Exposição permite tirar fotos mais rapidamente e desacelerar os inimigos, enquanto o Filtro Perceptual possui maior alcance.
Já o Filtro Radiante permite causar mais dano ao custo de Força de Vontade, adicionando um elemento de risco à estratégia.
O filtro escolhido depende da situação da batalha e da natureza da ameaça, adicionando uma camada estratégica importante ao combate.
Todas essas novidades ampliam bastante o sistema de combate. Agora não se trata apenas de tirar fotos — existe estratégia, posicionamento e gerenciamento de recursos.
A Câmera Obscura também possui outras funções. Durante a exploração, é possível fotografar as “Bonecas Gêmeas” espalhadas pela vila.
Ao fazer isso, novos itens são desbloqueados na Troca de Pontos.
Além disso, os fantasminhas camaradas também retornam neste remake, desbloqueando missões secundárias.
Uma narrativa pesada, mas inacessível para os jogadores brasileiros


Fatal Frame 2: Crimson Butterfly conta a história das irmãs gêmeas Mio e Mayu Amakura, que acabam se perdendo em uma vila que desapareceu do mapa.
Enquanto tentam escapar, elas acabam descobrindo os mistérios sobrenaturais que cercam o local.
Em uma vila presa em uma noite sem fim, as irmãs passam a ser perseguidas por espíritos vingativos enquanto tentam escapar de um ritual misterioso.
Todo o conceito por trás de Fatal Frame 2 é pesado e impactante.
Temas como suicídio e sacrifício aparecem por meio de flashbacks e documentos espalhados pela vila, que contam a história das vítimas desses rituais macabros.
Todo esse contexto ganha ainda mais força graças à direção artística do jogo.
Enquanto a narrativa principal se desenrola com mistérios e descobertas, as missões secundárias oferecem histórias paralelas igualmente interessantes.
O remake também introduz novas áreas e histórias adicionais, além de conteúdos desbloqueados através das Broken Spirit Stones, que revelam mais detalhes sobre outros personagens.
Outro destaque é a presença de um novo final, algo interessante para quem já conhece as múltiplas conclusões do jogo original.
Este remake para a atual geração revitaliza essa narrativa intrigante e desconfortável.
Contudo, a ausência de suporte ao português do Brasil provavelmente afastará muitos jogadores.
O que é uma pena, e algo difícil de justificar, considerando que se trata de um relançamento pensado justamente para alcançar um público maior.
Espero sinceramente que a Koei Tecmo reconsidere essa decisão e adicione o idioma em uma atualização futura.
A franquia Nioh possui suporte completo ao português do Brasil, portanto não há motivo para essa resistência em outros títulos.
Mas afinal, Fatal Frame 2: Crimson Butterfly é tudo isso mesmo?
Este novo remake é, sem dúvida, a versão definitiva do clássico de 2003.
Mesmo existindo o remake para Wii, aquela versão foi claramente pensada para o console da Nintendo.
Agora, este novo retorno chega a todas as plataformas da geração atual com um visual impressionante e mecânicas que modernizam o combate.
Embora a narrativa permaneça intacta, o remake compensa com a adição de um novo final e novas histórias, expandindo ainda mais o universo do jogo.
Se existia alguma dúvida de que o terror japonês ainda tem força nos videogames, Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake chega para provar exatamente isso.
Silent Hill f não está mais sozinho representando o terror japonês nos dias atuais.
O remake de Fatal Frame 2 chega para recolocar a franquia nos holofotes, uma série que por anos foi referência dentro do terror nos videogames.
Com muita empolgação e esperança, espero ver um retorno definitivo da franquia com um novo jogo.
2026 já ganhou um grande representante para o gênero de terror.
Veredito: Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake é a versão definitiva do clássico de 2003 ao revitalizá-lo com uma câmera over the shoulder, um combate aprimorado oferendo mais versatilidade e visual totalmente reconstruído que só engrandece sua atmosfera aterrorizante. – João Antônio










