Um retorno emocionante que resgata a essência da franquia
Com lançamento em 26 de março de 2026, alguns anos depois de Double Exposure, Life is Strange Reunion chega com uma missão complicada: consertar o que veio antes e, ao mesmo tempo, entregar uma sequência digna do primeiro jogo, que é até hoje um dos mais marcantes da franquia.
Recebemos o jogo antecipadamente pela Square Enix para PS5 e, depois de terminar a campanha, dá para dizer com tranquilidade: havia muito motivo para desconfiança… mas também há bons motivos para se surpreender.
Sinopse e proposta da história


Life is Strange Reunion se passa alguns meses após os eventos de Double Exposure. Max retorna de uma viagem e logo se vê diante de um acontecimento importante que a força a usar seus poderes novamente.
Dessa vez, o jogo resgata algo essencial: a capacidade de voltar no tempo, inclusive utilizando fotos para ir ainda mais longe no passado. O objetivo passa a ser evitar um incêndio em Caledon, evento que desencadeia diversas consequências.
A partir daí, o jogo mergulha em temas clássicos da franquia, especialmente o efeito borboleta e o impacto das escolhas ao longo do tempo.
História e narrativa


A maior surpresa de Life is Strange Reunion está justamente na forma como ele lida com o legado de Double Exposure.
O jogo anterior deixou uma sensação de história mal resolvida, especialmente na reta final. Reunion assume esse problema de frente e tenta reorganizar tudo, conectando não só os eventos recentes, mas também elementos do primeiro Life is Strange.
E o mais impressionante: funciona.
A volta de Chloe, que poderia facilmente soar como fan service vazio, é justificada dentro da narrativa. Existe um esforço claro para dar sentido à presença dela e conectar tudo ao que foi apresentado anteriormente.
A história avança rápido, se posiciona cedo e ganha força conforme evolui. Existem momentos mais contemplativos que quebram um pouco o ritmo, especialmente quando a urgência da narrativa pede mais ação, mas no geral a construção é sólida.
No fim, o jogo entrega algo que parecia improvável: emoção genuína. Mesmo sem exageros, é fácil se envolver com os personagens e com o que está acontecendo.
Gameplay e mecânicas


O gameplay segue a base tradicional da franquia. Exploração, interações com objetos, diálogos e escolhas continuam sendo o coração da experiência. A diferença está na volta da mecânica de viagem no tempo, que adiciona mais profundidade às decisões.
Agora, o jogo entende que o jogador pode voltar e explora isso melhor. Existem mais oportunidades para testar escolhas diferentes e ver consequências imediatas, o que deixa tudo mais dinâmico dentro da proposta narrativa. Max volta a ser o centro da experiência, e isso faz diferença.
Já a Chloe tem momentos jogáveis, com foco em diálogos e “lábia”, mas acaba sendo subutilizada nesse aspecto. Existem boas ideias ali, mas que poderiam ter sido mais exploradas.
Exploração e ritmo do jogo


A exploração continua sendo um elemento importante, com colecionáveis, interações e momentos mais lentos. Em alguns pontos, isso funciona bem e ajuda na imersão. Em outros, pode dar uma leve sensação de lentidão, principalmente quando o jogador quer avançar na história.
Com Max, a gente precisa ficar ligado em locais que criem boas fotos. Já com Chloe ela cria desenhos de algumas situações. Também é possível encontrar alguns podcasts de Loretta. Tudo isso gera colecionáveis divertidos de encontrar que enriquecem a narrativa, com o custo de deixar a ação muito mais lenta. Ainda assim, o ritmo geral é consistente e dificilmente chega a incomodar de verdade.
Gráficos, som e desempenho


Visualmente, o jogo segue o padrão de Double Exposure. É um estilo artístico competente, mais focado em identidade do que em realismo técnico. Existem alguns pequenos problemas, como sombras inconsistentes e animações estranhas em certos momentos, mas nada que comprometa a experiência.
O destaque fica para o áudio. O voice acting é excelente, como já é tradição na franquia. As atuações de Max, Chloe e dos demais personagens são muito convincentes e ajudam a sustentar o peso emocional da narrativa.
A trilha sonora continua forte, embora menos marcante do que em jogos anteriores. Ainda assim, cumpre bem o papel de reforçar momentos importantes. No desempenho, a experiência foi estável no PS5 base, rodando em modo qualidade a 30 FPS, com apenas um bug pontual durante toda a campanha.
Problemas técnicos e de direção


Alguns pontos técnicos acabam quebrando a imersão. Transições de cena são, às vezes, bruscas demais. Momentos emocionais podem perder impacto por cortes secos ou falta de cuidado na edição das cenas.
Além disso, as interações com personagens poderiam ser mais naturais. Em muitos casos, eles simplesmente mudam de posição instantaneamente ao iniciar um diálogo, o que tira um pouco da fluidez.
São detalhes pequenos, mas que fazem diferença em um jogo tão focado em narrativa.
Reutilização de cenários


Um ponto que pode incomodar é a reutilização de cenários de Double Exposure. Grande parte do jogo se passa nos mesmos ambientes, o que pode dar uma sensação de repetição. Por outro lado, isso também reforça a ideia de continuidade e pode ser visto como uma decisão de produção para reduzir custos.
Depois de um tempo, esse fator pesa menos, especialmente se o jogador estiver envolvido com a história. Mas é bastante nítido que, mesmo com todo o sucesso que um dia já fez, Life is Strange corre riscos e esse jogo precisa ir bem em vendas. Narrativamente tudo indica que poderemos ver novos locais. Mas ao mesmo tempo eles deixam pontas soltas que podem levar tudo novamente para a mesma faculdade. Tudo em prol de um custo menor.
Life is Strange: Reunion é tudo isso mesmo?
Life is Strange Reunion tinha tudo para dar errado. Vindo de um jogo com problemas narrativos claros, a expectativa era baixa. Ainda assim, a Deck Nine e a Square Enix conseguem entregar uma continuação que respeita os personagens, reorganiza a história e resgata a essência da franquia.
Existem falhas técnicas, alguns problemas de ritmo e decisões que poderiam ser melhor trabalhadas, mas nada disso tira o mérito do que foi alcançado aqui. É um jogo emocional, envolvente e, acima de tudo, necessário para dar um novo fôlego à série.
E se por algum motivo esse for o final para sempre, a lição que aprendi é que “devemos fazer o que for necessário com o tempo que temos”. Meu tempo com Life is Strange foi, mais uma vez, bastante emocionante.
Nota final: 8
Nós recebemos Life is Strange Reunion gratuitamente para review e agradecemos à Square Enix pela confiança.
Veredito: Reunion reconecta com sucesso a série às suas raízes, entregando uma história emocionante que corrige problemas narrativos do passado e, ao mesmo tempo, traz de volta escolhas significativas e manipulação do tempo. – M@xpay










