Jogamos 3 horas e saímos impressionados
A experiência com Saros começou de forma bem direta. Fomos convidados pela PlayStation Brasil para testar o jogo por cerca de três horas, em um evento realizado em São Paulo a portas fechadas, jogando no PlayStation 5 base. E isso já diz muito sobre a proposta do game. Nada de exagero técnico para impressionar à primeira vista, a ideia aqui foi mostrar como o jogo realmente vai rodar para a maioria das pessoas. E isso é louvável.
E a primeira impressão é muito positiva. Saros roda muito bem, com desempenho sólido em 60 fps no modo desempenho e sem quedas perceptíveis durante toda a sessão. Mais do que isso, o jogo já deixa claro que existe uma evolução em relação ao que a Housemarque fez anteriormente, especialmente para quem conhece bem Returnal.


Saros e sua conexão direta com Returnal, ao menos no gameplay
Desde os primeiros minutos, fica impossível não fazer a comparação. Saros é, na prática, um sucessor espiritual de Returnal, carregando praticamente toda a base de gameplay do título anterior.
A estrutura dos cenários, por exemplo, segue um padrão muito semelhante. Não estamos diante de um mundo aberto, mas sim de áreas interligadas por corredores, com espaços maiores aqui e ali. É um design que favorece o combate constante e o ritmo acelerado, sem perder o controle da experiência. Ao mesmo tempo, já dá para notar um salto visual interessante, principalmente nos modelos de personagens, ainda que não chegue ao nível de produções como The Last of Us.
O mais interessante é perceber que a Housemarque não parece estar tentando reinventar tudo. Pelo contrário, o estúdio claramente está refinando o que já funciona. E isso, nesse primeiro contato, joga muito a favor de Saros.


Narrativa de Saros aposta mais na construção
Se em Returnal a história era mais fragmentada, aqui já existe uma tentativa mais clara de dar peso narrativo à experiência.
Em Saros, acompanhamos Arjun Devraj, um executor ligado a uma organização chamada Soltari, explorando o planeta Carcosa. Esse planeta guarda elementos poderosos que podem ser importantes para a Terra, que aparentemente enfrenta algum tipo de problema.
O início é propositalmente confuso, com o personagem acordando como se tivesse passado por um ciclo de morte. Aos poucos, surgem indícios de que algo está errado naquele mundo, especialmente com outros humanos presentes no planeta, que parecem estar sendo afetados mentalmente por algum tipo de corrupção.
Além disso, existe uma relação importante com uma personagem misteriosa, que aparece em forma de memórias ou projeções. Ainda não dá para entender completamente o papel dela, mas fica claro que existe uma ligação emocional ali.
Mesmo com apenas três horas de jogo, já é possível notar uma evolução na direção narrativa. As cenas são mais bem construídas e existe um esforço maior para criar contexto, ainda que esse não seja o foco principal do jogo.


Eclipse muda completamente a dinâmica do gameplay em Saros
Um dos elementos mais interessantes de Saros é a forma como o jogo trabalha com o conceito do eclipse.
Em determinado momento, o sol do planeta entra em eclipse e isso altera completamente o jogo. O visual muda, o clima fica mais pesado e, principalmente, os inimigos se tornam mais perigosos.
Esse sistema não é apenas estético. Ele impacta diretamente o gameplay, tornando o combate mais agressivo e aumentando significativamente a dificuldade. Inclusive, é mais comum morrer nesses momentos do que no início do ciclo.
Existe até uma mecânica curiosa para entrar nesse estado, envolvendo mãos espalhadas pelo cenário que levam o jogador diretamente para essa versão mais desafiadora do mundo. É um tipo de transição que reforça a sensação de risco constante e de que algo nesse lugar brinca com a realidade e com quem está ali.


Combate de Saros é mais profundo e mais agressivo
Se tem uma área onde Saros realmente brilha nesse primeiro contato, é o gameplay.
Tudo que funcionava em Returnal está aqui, mas refinado. O combate é rápido, exige movimentação constante e recompensa quem entende o ritmo da batalha. É possível atirar enquanto se movimenta sem precisar mirar o tempo todo, o que mantém o fluxo do jogo extremamente dinâmico.
Mas o grande destaque está no uso do escudo. Ele não serve apenas para defesa, mas se torna uma peça central do combate. Ao bloquear ataques específicos, é possível carregar um golpe poderoso com o braço que funciona quase como uma bazuca. Este poder pode mudar conforme a gente avança no game.
Além disso, existe uma leitura importante dos ataques inimigos. Alguns podem ser defendidos, outros precisam ser desviados. Isso cria uma camada estratégica interessante, principalmente em situações com múltiplos inimigos na tela.
O resultado é um combate que mistura caos e controle ao mesmo tempo. Visualmente impressionante, difícil de dominar e extremamente satisfatório quando tudo funciona.


Progressão em Saros equilibra dificuldade e evolução
Outro ponto importante está na progressão. Saros segue uma linha mais próxima de um roguelite, com evolução permanente.
Ao longo das runs, coletamos recursos que podem ser usados para melhorar atributos como escudo, dano e resistência dentro de uma árvore de habilidades chamada matriz da armadura. Essas melhorias permanecem mesmo após a morte, o que ajuda a reduzir a frustração típica do gênero.
Além disso, o jogo traz mudanças interessantes em relação às armas. Quando encontramos uma arma, ela passa a fazer parte do nosso arsenal, mesmo após morrer. Isso diminui a dependência de sorte em runs futuras e dá mais controle ao jogador.
Ainda assim, a dificuldade continua alta. Chefes exigem leitura de padrão, reflexo e preparação. É possível chegar até eles rapidamente, mas sem evolução suficiente, a chance de vitória é bem menor.
Esse equilíbrio entre progressão e desafio parece bem ajustado, pelo menos nesse primeiro contato.


Exploração recompensa e incentiva novas tentativas
Mesmo com cenários procedurais, Saros mantém certos elementos fixos que incentivam a exploração.
Existem caminhos secundários, áreas bloqueadas que exigem habilidades específicas e diversos itens espalhados pelo mapa. Explorar não é apenas opcional, é praticamente essencial para evoluir de forma eficiente.
Além disso, a sensação de progresso é constante. Mesmo quando a run termina, existe a percepção de que algo foi conquistado, seja uma habilidade nova ou um melhor entendimento do jogo.


Primeiras impressões de Saros mostram um jogo promissor
Depois de três horas com Saros, a sensação é clara. A Housemarque não está apenas repetindo fórmula, ela está evoluindo o que já funcionava.
O gameplay está mais refinado, o combate mais interessante e a progressão mais amigável. Ao mesmo tempo, o jogo mantém sua identidade desafiadora, o que pode dividir opiniões dependendo do perfil do jogador.
Ainda existem muitas dúvidas, principalmente sobre a profundidade da narrativa, variedade de cenários e duração total da experiência. Mas o que já foi possível jogar deixa uma impressão muito positiva.
Saros pode até parecer, à primeira vista, apenas uma continuação do que vimos antes. Mas para quem mergulha na experiência, fica evidente que há muito mais acontecendo por baixo da superfície.
Agora resta esperar pela versão final para entender até onde essa evolução vai. E claro, teremos review do jogo final aqui no Combo Infinito.












