Um arcade que entende o essencial, mas se perde tentando ir além
Com lançamento em 26 de março para PlayStation 5, Xbox Series e PC, Screamer chega como um revival de uma franquia de 1995, mas não no sentido tradicional de resgatar uma fórmula antiga. Aqui, a proposta é outra. O jogo pega o conceito arcade raiz e reconstrói tudo ao redor, trazendo combate, barras de habilidade e até uma tentativa de narrativa mais elaborada.
E depois de bastante tempo com o game, a sensação que fica é muito clara. Existe um jogo extremamente divertido escondido aqui, com ideias realmente interessantes, mas que em alguns momentos parece querer provar coisas que ele simplesmente não precisa provar.
Nosso review é na versão PS5, que tecnicamente está muito boa e sem problemas de desempenho. Vamos aos detalhes!
Screamer aposta no arcade puro e acerta na direção


Logo nos primeiros minutos, fica evidente que Screamer não quer competir com Forza ou Need for Speed no formato atual. Não existe mundo aberto, não existe aquela tentativa de realismo exagerado. O foco aqui é totalmente voltado para a corrida em si, para o controle do carro e para a dinâmica dentro das pistas.
E isso funciona muito bem justamente porque é uma proposta cada vez mais rara. Em um mercado cheio de jogos que querem ser tudo ao mesmo tempo, Screamer escolhe ser direto. Ele entende que o jogador entrou ali para correr, disputar posição e se divertir. E essa clareza de identidade é um dos maiores acertos do jogo.
História tenta dar contexto, mas atrapalha o ritmo


Screamer constrói sua base narrativa em torno de um torneio que reúne diferentes equipes e personagens, cada um com motivações próprias. Existe uma tentativa clara de dar peso ao que está acontecendo, com elementos como vingança, rivalidade e até consequências mais pesadas dentro das corridas.
O problema é que essa construção não se sustenta na execução. A maior parte da narrativa acontece por meio de diálogos longos, mal escritos e pouco interessantes. Em vez de enriquecer a experiência, esses momentos quebram completamente o ritmo. É aquele tipo de situação em que o jogador começa a pular tudo, não por falta de interesse na história, mas porque ela não consegue justificar o tempo que exige.
A coisa muda um pouco nas cenas em animação que realmente parecem um anime. Tudo é melhor guiado e dirigido e praticamente através dessas cenas você consegue entender as histórias. Então para mim a escolha foi fácil: pular os diálogos sem graça e assistir as cenas de animação. Ainda assim a história é fraca.
Direção artística e som mostram um jogo bem cuidado


Visualmente, Screamer impressiona pelo bom gosto. Não é um jogo que tenta ser hiper realista, mas sabe exatamente como usar cores, efeitos e iluminação para criar impacto. As pistas, os carros e principalmente as habilidades têm personalidade, e isso faz diferença na leitura da ação durante as corridas.
Além disso, o jogo consegue equilibrar bem essa mistura entre o exagero arcade e uma base mais sólida visualmente. Nada parece bagunçado ou exagerado demais. Tudo combina. E isso se reflete também na parte sonora, que entrega efeitos consistentes e uma trilha que acompanha bem o ritmo acelerado das corridas.
Gameplay é onde Screamer realmente se destaca


Quando o jogo coloca o jogador na pista e deixa tudo fluir, é onde ele mostra seu verdadeiro valor. O sistema de barras, inspirado em jogos de luta, adiciona uma camada interessante de estratégia. O gameplay de Screamer gira em torno de um sistema de duas barras que muda completamente a forma como você encara cada corrida. A primeira é a barra de nitro (verde), que vai sendo preenchida conforme você dirige bem, faz curvas eficientes, acerta trocas de marcha no tempo certo e mantém consistência na pilotagem. Não é só apertar um botão para ganhar velocidade. Existe um timing ideal para ativar o nitro, e acertar esse momento faz diferença real no desempenho, criando uma camada de habilidade que vai além do básico de acelerar e virar.
Já a segunda barra (lilás) funciona como um sistema ofensivo e defensivo ao mesmo tempo, permitindo usar escudo ou partir para o ataque com os takedowns. E é aqui que o jogo começa a se diferenciar de verdade. Não basta correr bem, você precisa ler o comportamento dos adversários, decidir quando se proteger e quando ser agressivo. Essas duas barras se complementam o tempo todo, criando uma dinâmica onde cada corrida vira quase um duelo constante, misturando posicionamento, timing e tomada de decisão em alta velocidade.
Sistema de drift redefine completamente a experiência


O grande diferencial de Screamer está no seu sistema de drift. E aqui o jogo realmente se destaca em relação a outros títulos do gênero. Ao utilizar os dois analógicos, ele exige um nível de coordenação que não é comum em jogos arcade.
O analógico esquerdo continua responsável pela direção básica do carro, mas é o direito que controla o drift, definindo o ângulo e a intensidade da derrapagem em tempo real. Isso significa que fazer uma curva não é mais um movimento automático, e sim uma combinação constante entre posicionamento, velocidade e ajuste fino do drift.
No início, a sensação é quase estranha, como se o controle não respondesse da forma esperada, mas conforme você entende a lógica, o sistema se transforma em um dos pontos mais satisfatórios do jogo, permitindo um nível de controle muito maior sobre cada curva e abrindo espaço para jogadas mais agressivas e técnicas ao mesmo tempo.
No entanto, muita gente vê isso como algo muito fora do comum e compara com games de celular, como Asphalt. Mas na prática é algo realmente divertido.
Modos de jogo entregam variedade, mas com inconsistência


O jogo oferece uma boa quantidade de modos, tanto offline quanto online. O modo torneio funciona como a principal forma de progressão, liberando carros, pilotos e pistas conforme o jogador avança.
No entanto, é justamente nesse modo que o problema da narrativa pesa mais. A progressão fica presa a momentos que não são tão interessantes quanto deveriam. Já os modos mais diretos, focados apenas na corrida, funcionam melhor e mostram o potencial real do gameplay.
O modo online é onde os jogadores devem passar a maior parte do tempo, especialmente quem se dedicar bem às mecânicas de gameplay. Com uma espécie de sensação de Mario Kart, tudo gira em torno da corrida e dos poderes e no online, quando ele funciona bem, é diversão garantida. No entanto, é possível jogar com tela dividida localmente também, o que muitos jogos ignoram hoje em dia e este acerta.
Mas Afinal, Screamer é tudo isso mesmo?
No fim das contas, Screamer acerta porque entende algo muito simples. Um jogo de corrida precisa ser divertido quando você está jogando. E quando ele deixa de lado as distrações e foca nisso, ele entrega uma experiência extremamente sólida. Mesmo com problemas claros na narrativa e algumas inconsistências, o jogo se sustenta pela força do seu gameplay. Existe algo aqui que faz o jogador querer voltar, tentar de novo, melhorar. E isso não acontece por acaso.
Screamer é um jogo com ideias muito boas e execução desigual. Ele acerta com força no gameplay, trazendo mecânicas criativas e uma experiência arcade que realmente se destaca no cenário atual. Por outro lado, erra ao insistir em uma narrativa que não acompanha o mesmo nível de qualidade. Ainda assim, o saldo é positivo. Quando está na pista, Screamer é exatamente o tipo de jogo que o gênero precisa.
É tudo isso mesmo?: Screamer aposta em um arcade de corrida direto ao ponto, com mecânicas criativas como sistema de barras e drift com dois analógicos. O gameplay é o grande destaque, mas a narrativa fraca e mal executada quebra o ritmo. Ainda assim, é uma experiência divertida e diferenciada no gênero. – M@xpay











