A Nintendo decidiu explorar caminhos inéditos para uma de suas marcas mais populares com o lançamento de Splatoon Raiders. Em vez do tradicional foco exclusivo nos confrontos online competitivos por equipes, esta nova empreitada aposta no formato Looter Shooter em cooperação.
Recebemos o game com bastante antecedência diretamente da Nintendo para review no novo Nintendo Switch 2. A proposta renova o loop de gameplay, entregando uma experiência ágil para quem busca exploração e tiroteios frenéticos na portabilidade. Mas será o suficiente para um spin-off?
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Sinopse e a premissa dos caçadores de tesouros


Para quem não tem tanta intimidade com a franquia, o universo da série sempre utilizou a tinta colorida como elemento mecânico central. O jogador precisa cobrir o chão para se movimentar mais rápido, recarregar munição e se curar. Em Splatoon Raiders, esse conceito foi adaptado para a busca de tesouros em zonas perigosas. A narrativa coloca você ao lado de um grupo de personagens que explora territórios hostis a partir de uma base de operações.
Nesse sentido, o enredo não busca entregar uma trama complexa ou super profunda. Contudo, a premissa serve como pretexto direto para colocar o esquadrão em campo atrás de baús e relíquias valiosas. Por outro lado, o grupo possui um carisma interessante e interage bastante durante os intervalos no hideout (a base do time), construindo uma dinâmica amigável que sustenta o ritmo dos ciclos de missões.
Gráficos, som e desempenho estável no Switch 2


A parte técnica se comporta de maneira impecável no hardware do Nintendo Switch 2. Testamos o título tanto na dock conectada à televisão quanto no modo portátil, sem registrar qualquer tipo de engasgo. O jogo roda cravado em 60 quadros por segundo, garantindo, assim, a velocidade que um tiroteio intenso exige. A direção de arte compensa cenários relativamente contidos com o brilho característico das tintas e um visual estilizado que lembra uma animação moderna.
No departamento sonoro, o jogo se destaca por uma trilha sonora legal e efeitos de áudio que enriquecem o caos dos combates. No entanto, a Nintendo manteve a sua escolha de não utilizar dublagem tradicional, substituindo vozes por pequenos resmungos e ruídos característicos. É um charme histórico das IPs da casa, mas que em um título com tantas explicações e conversas poderia ter sido repensado.
A presença de história e cenas marcantes


Apesar da ausência de um foco narrativo denso, o jogo surpreende pontualmente com sequências de corte muito bem produzidas. Essas cutscenes parecem animações em CG polidas que utilizam o próprio motor gráfico. Elas trazem um contexto bacana e recompensam o progresso do jogador após momentos mais intensos da campanha.
Dessa forma, por exemplo, existe uma cena em especial após algumas horas de jogatina que envolve uma das personagens cantando e traz um peso estético marcante. Esse tipo de cuidado compensa a simplicidade da premissa de Looter Shooter. O enredo não é o motivo principal para comprar o jogo, mas as cinemáticas garantem um tempero especial nas viradas de capítulo.
Gameplay refinado e a flexibilidade dos controles


O núcleo do gameplay é onde Splatoon Raiders brilha com força total. O sistema exige que você espalhe a cor da sua tinta pelo cenário para neutralizar a gosma amarela jogada pelos inimigos. Ao nadar na sua própria tinta, o personagem recarrega os tanques de munição, recupera a vida e ganha velocidade. O controle padrão utiliza o giroscópio para mirar subindo e descendo o controle. Isso não funcionou para mim e eu estranhei muito mirar dessa forma.
Entretanto, quem prefere uma jogabilidade nos moldes tradicionais de jogos de tiro em terceira pessoa pode alterar as configurações no menu. A alternância para a mira no analógico direito deixa os combates incrivelmente precisos e divertidos. Além disso, interagir com elementos dos cenários usando a tinta para desligar armadilhas e abrir caminhos traz uma camada tática muito bem-vinda.
Splatoon Raiders traz uma quantidade muito boa de armas diferentes que podem variar o seu gameplay. Contudo, dominar todo o tipo de arma pode ser desafiador. Então, eu foquei em poucos tipos e de um jeito que combinasse com o meu gameplay. Vale a pena demais testar as armas e o jogo traz locais específicos para isso.
Estrutura e variedade das missões


A estrutura das incursões é dividida em etapas ágeis que lembram pequenas Raids que acabam ao encontrar o loot maior, que geralmente é um grande baú. Os personagens são disparados para as zonas de combate através de engenhocas extravagantes que lembram guindastes com garras. As missões convencionais pedem a derrota de hordas ou a coleta de recursos amarelos eliminando criaturas e quebrando cristais pelo mapa. Tudo é muito frenético.
Por outro lado, o grande destaque da exploração fica para as dungeons secundárias descobertas ao encontrar bússolas no mapa. Essas missões extras funcionam como desafios focados em mecânicas variadas de plataforma e uso inteligente de habilidades.
Existem também os cenários de altíssima dificuldade com tempo limitado, onde o jogador é testado ao limite em troca de loots raros e generosos pacotes de experiência. Morrer nessas missões não será um problema, haja visto que toda vez que você entra e sai, perdendo ou não, carregará experiência. Basta, então, ser persistente.
Sistema de evolução, equipamentos e o recurso de Bond


A progressão do jogo é ampla e permite a criação de diversas configurações de combate. No hideout, você pode customizar o visual do seu mecânico e aprimorar armas no setor de funilaria. O personagem carrega três tanques que concedem habilidades únicas, gadgets especiais e ataques supremos (ultis) invocados por aliados como tubarões gigantes e raias que atiram.
Atrelado a isso, o game traz a mecânica de Bond (elos de amizade). Ao utilizar com frequência os poderes supremos de um parceiro específico, você fortalece os laços com ele. Esse aprofundamento desbloqueia coisas interessantes e vantagens mecânicas no gameplay. É um sistema inteligente que incentiva o jogador a focar e dominar a parceria com o seu ajudante favorito.
Recursos de Multiplayer e auxílio em coop


Embora a campanha inteira possa ser aproveitada de forma solo com total diversão, a estrutura foi desenhada para a cooperação. Caso você encontre dificuldades em uma missão de nível alto, é possível ativar um sinal de socorro no menu. Esse alerta aciona um matchmaking que busca outros jogadores dispostos a entrar na sua partida para ajudar.
Essa adição é extremamente amigável para o público do console, criando uma ponte acessível para quem não tem hábito com o gênero. O ecossistema online de Splatoon é historicamente robusto e o sistema de ajuda atende perfeitamente tanto quem deseja jogar sozinho quanto quem busca uma partida rápida em grupo.
Repetição e a falta de localização em Português


Apesar das qualidades indiscutíveis do gameplay, a experiência não passa totalmente ilesa. O ritmo das missões sofre com a repetição de tipos de inimigos e cenários em certos momentos da campanha. Quem busca apenas avançar nas missões principais sem variar os equipamentos pode sentir o peso dessa estrutura repetitiva antes de alcançar os chefes.
Contudo, o ponto mais crítico e incômodo do lançamento é a completa ausência de legendas em português do Brasil. Por ser um título com muitos tutoriais, conversas na base e descrições de habilidades, a falta de tradução é uma barreira desnecessária que afasta parte do público nacional. É uma falha grave de localização para um jogo do catálogo principal do Switch 2 em 2026.
Veredito
Splatoon Raiders é uma grata surpresa que pega os conceitos mecânicos consagrados da franquia e os aplica em um Looter Shooter viciante.
As missões curtas, a excelente taxa de quadros e as amplas opções de evolução fazem o loop de gameplay funcionar de forma brilhante no modo portátil do Nintendo Switch 2. Mesmo pecando pela repetição de estruturas e pela falta de localização em português, o título prova a capacidade da Nintendo em reutilizar suas propriedades com enorme criatividade.
É tudo isso mesmo?: Splatoon Raiders leva a franquia para o gênero looter shooter cooperativo sem perder sua identidade. O gameplay continua extremamente divertido graças ao uso estratégico das tintas, agora combinado com exploração, progressão de equipamentos e missões focadas em cooperação. O desempenho impecável no Switch 2, a ótima direção de arte e o sólido sistema de evolução tornam o loop viciante, mesmo com certa repetição de cenários e objetivos ao longo da campanha. A ausência de português do Brasil é uma decepção, mas não impede que Splatoon Raiders seja uma experiência criativa e uma evolução interessante para a série. – M@xpay
Recebemos Splatoon Raiders gratuitamente para review e agradecemos à Nintendo pela confiança.











