O termo remake há muito vem deixando de ser seguido fielmente em sua concepção crua. Desde a versão do primeiro The Last of Us, que usou os gráficos de sua sequência para ser relançado, o termo remake perdeu seu valor e sentido. Depois disso, inúmeros títulos retornaram aos games com versões que só mudavam seus gráficos e nada mais. Entre tantos, e sendo o mais recente Assassin’s Creed Black Flag – Resynced, o primeiro Halo, lançado para o Xbox original em 2001, retorna aos games em uma nova versão com gráficos refeitos na Unreal Engine 5, missões inéditas, modo em terceira pessoa e sem o modo multiplayer.
Com lançamento oficial para o dia 28 de julho de 2026 nas plataformas Xbox, PC e PS5 — embora desde o dia 23 de julho o jogo já esteja disponível para quem comprou a versão mais cara —, será que Halo: Campaign Evolved é de fato um remake que justifica seu relançamento, vide a existência de uma versão de aniversário já presente na coletânea Halo: The Master Chief Collection desde 2014, com bem mais conteúdos do que esta versão atual?
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O Combo Infinito teve a oportunidade de jogar o título antecipadamente e eu direi se Halo: Campaign Evolved é tudo isso mesmo.
A mesma jornada, mas com um extra


Para quem nunca jogou Halo, a jornada começa após um pouso forçado em um misterioso mundo-anel conhecido como Halo. Master Chief e sua companheira IA, Cortana, precisam enfrentar as forças da Aliança (Covenant) para descobrir um segredo sombrio que ameaça a aniquilação de toda a vida na galáxia. Nada aqui mudou, a não ser o excelente trabalho visual presente nas cinemáticas com o uso da UE5, que traz um presságio do que podemos esperar de um novo Halo na engine da Epic.
O nível de detalhamento e realismo é incrível e consegue tornar toda a jornada de Master Chief e Cortana mais imersiva.
Para esta nova versão, três novas missões foram adicionadas à campanha do primeiro Halo. Intituladas de Operação: Meteorito, os eventos são ambientados um ano antes dos acontecimentos de Halo: Combat Evolved. Nestas missões inéditas dentro da franquia, Master Chief e o Sargento Avery Johnson se infiltram em uma nave agrícola Covenant que se mantém em órbita sobre uma colônia humana. Ao longo de três missões cheias de ação, a dupla vai enfrentar inimigos e libertar os fuzileiros da UNSC de uma série de experimentos bizarros.
Toda essa adição narrativa traz uma visão inédita dentro da franquia e uma postura diferente de Master Chief da que aprendemos em suas icônicas missões. Um bom exemplo desta abordagem está em uma certa cinemática onde uma das fuzileiras da UNSC diz que desta vez ela não vai deixar a glória da conclusão da missão para um Spartan. Algo inédito, pois sempre vimos Master Chief resolvendo tudo.
Em resumo, se você já jogou Halo: Combat Evolved, tudo está como antes, mas sob uma ótica mais realista e moderna em cinematografia. Por outro lado, você receberá três missões inéditas que enriquecem a narrativa do primeiro jogo.
Jogando da mesma forma que joguei em 2001


Aqui vêm minhas ressalvas acerca da proposta do título ser um remake, enquanto ele se mantém preso às mecânicas clássicas. A Halo Studios confirmou que melhorou alguns aspectos como a mira, as opções de usar mais armas e afins. Embora exista este esforço, é pouco para se autodeclarar um remake pelo simples fato de refazer cinemáticas, level design, dublagem e a trilha sonora. Em nenhum momento me senti jogando um FPS feito para controle (algo que Halo trouxe para a indústria) com mecânicas atuais que muitos títulos adotam, como, por exemplo, a mecânica de deslizar — algo que não por acaso está presente nos jogos mais recentes da franquia. E foi isso o que faltou em Halo: Campaign Evolved.
Faltou atitude em trazer mecânicas de Halo Infinite, por exemplo, que poderiam fazer bem ao “remake”. Mas não: a Halo Studios preferiu agir de forma segura e não mudar de forma significativa as mecânicas do game. Tudo é como antes: as inúmeras hordas, o estilo de mira, o design de missões e toda a progressão. Esta nova versão se sustenta apenas no aspecto visual, que é incrível e traz um frescor; porém, não é o suficiente para se chamar de remake ou justificar uma nova aquisição, sendo que já há uma versão remasterizada (presente em Halo: The Master Chief Collection) que traz muito mais conteúdo do que esta atual versão.
Como é jogar em terceira pessoa?


O que há de novo é uma personalização do modo campanha através de caveiras (que já existiam no jogo original), as quais inclusive desbloqueiam o modo em terceira pessoa do game, sendo esta a grande mudança de gameplay em relação ao original. O modo em terceira pessoa traz uma forma inédita de se jogar Halo, algo que antes só era possível quando você assumia o controle do Warthog. Seja em exploração ou nos confortos, a câmera em terceira pessoa traz uma perspectiva mais abrangente dos cenários. E este experimento pode se tornar um padrão para os novos títulos da franquia e nos próximos relançamentos.
Halo na UE5 é promissor, mas é problemático


Toda a construção visual desta nova versão é incrível e traz um novo patamar gráfico do que estávamos acostumados a ver nos jogos anteriores. A Unreal Engine 5 traz um vislumbre promissor com todo o seu poderio de ferramentas, que trazem um realismo a mais em comparação às demais engines do mercado. Contudo, junto com todos esses manjares, há também os malefícios. Halo: Campaign Evolved possui problemas de desempenho, seja em locais fechados — como nas sessões de gameplay dentro das naves —, seja nas áreas externas. Nem mesmo o Frame Generation é capaz de manter uma taxa de quadros fixa.
E parte dessa problemática está na ausência de escalonamento entre as predefinições gráficas que o jogo possui na versão de PC, na qual foi feito este review. Você não vai obter melhor desempenho saindo do ultra para o médio, por exemplo. Espera-se que no patch day one e em atualizações posteriores ao lançamento estes problemas sejam sanados.
Deixando os problemas de lado, a direção de arte do primeiro Halo ganha ainda mais imponência. Tanto as missões inéditas da campanha quanto os quatro cantos do Anel de Halo (lugar onde se passa o jogo) ganham ainda mais profundidade. Não em realismo — pois a franquia nunca esteve voltada para o realismo ao criar seu mundo e atmosferas —, mas em beleza artística. As admiráveis paisagens são ainda mais encantadoras, e você estará sempre olhando para os entornos do Anel de Halo e vendo o que este lugar tem a oferecer de tão belo na natureza e na tecnologia.
Mas afinal, Halo: Campaign Evolved é tudo isso mesmo?
Esta nova versão se sustenta fortemente em seus gráficos e em uma sutil ousadia ao trazer algo inédito para a primeira e épica jornada de Master Chief e Cortana no mundo dos games. Fora isso, Halo: Campaign Evolved é o mesmo jogo de 2001, que não se preocupou em trazer mecânicas modernas para seu gameplay. Jogar Halo em 2026 não mudou nada de quando eu o joguei em 2001 no primeiro Xbox. A diferença, desta vez, é sua nova roupagem visual, que ditará a identidade da franquia nos próximos anos.
Como remake, Halo: Campaign Evolved é um excelente remaster de luxo que traz bem menos conteúdos do que sua versão de aniversário, que chegou em Halo: The Master Chief Collection.
É tudo isso mesmo?: Halo: Campaign Evolved brilha com o poder visual da Unreal Engine 5 e surpreende com missões inéditas relevantes. Contudo, esta nova versão mantém mecânicas de gameplay presas a 2001, não traz o modo multiplayer e sofrer com problemas de desempenho no PC. – João Antônio
Recebemos Halo: Campaign Envolved gratuitamente para review e agradecemos o Xbox pela confiança.










