Será que a Insomniac Games conseguiria repetir com o carcaju das HQs o mesmo sucesso estrondoso alcançado na franquia do Homem-Aranha? Cercado de enorme expectativa desde o seu anúncio, Marvel’s Wolverine chega ao PlayStation 5 prometendo uma experiência madura, violenta e focada na fúria incontrolável de Logan. Recebemos o código do jogo antecipadamente no console base da Sony.
Desse modo, analisamos cada detalhe para entender se a nova aventura do herói cumpre tudo o que prometeu antes do lançamento.
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A sinopse e os mistérios do passado de Logan
A narrativa do game acompanha Logan em uma jornada direta contra ameaças clássicas do universo dos X-Men. O enredo se inicia ao lado do Team X, colocando o protagonista em rota de colisão contra figuras conhecidas, como Dente de Sabre, Mística e Nathan Essex, o Sinistro. A trama ganha força quando o grupo passa a caçar William Trask, o influente criador das Sentinelas.


Após um evento traumático durante o confronto contra Trask, o objetivo de Logan muda drasticamente. O herói precisa encarar conspirações sombrias e aprender a lidar com alianças instáveis. Por causa dessa premissa, o roteiro apresenta uma dinâmica constante entre ação e revelações sobre a natureza do personagem.
A adaptação dos quadrinhos e as controvérsias do enredo
A construção da história traz escolhas criativas corajosas por parte da equipe de roteiristas. Nesse sentido, a narrativa inventa caminhos inéditos para construir o arco do protagonista e suas interações com o mundo mutante. A relação entre Logan e Jean Grey ganha bastante destaque durante a jornada. Por causa disso, os dois personagens compartilham momentos relevantes de cooperação em combate.
Entretanto, certas reviravoltas na trama podem dividir opiniões entre os fãs mais puristas dos quadrinhos. O enredo insere alterações marcantes na mitologia do herói que alteram expectativas históricas da franquia. Apesar dessas escolhas arriscadas, o ritmo da história se mantém envolvente, entregando plot twists satisfatórios para quem aceita a nova proposta.
Gráficos, iluminação e o desempenho no PlayStation 5
No departamento técnico, o título entrega um desempenho estável a 60 quadros por segundo no modo performance do PlayStation 5. A taxa de quadros se mantém firme mesmo durante as cenas de ação mais caóticas. Por causa disso, a agilidade necessária para controlar o herói não sofre com engasgos na tela.


Contudo, a qualidade visual geral fica ligeiramente abaixo das expectativas para um título de grande porte da Sony. A direção artística do universo do jogo é muito bonita. Porém, a simplicidade nas texturas dos cenários e na iluminação de personagens, especialmente os secundários, chama a atenção negativamente. Embora o modelo de Logan receba bastante cuidado, outros elementos do ambiente carecem do polimento exuberante visto em produções passadas do estúdio.
Sonoplastia envolvente e falhas na dublagem brasileira


A sonoplastia de Marvel’s Wolverine brilha ao retratar o comportamento selvagem do protagonista. Os efeitos sonoros das garras cortando estruturas metálicas e o som dos combates corporais são extremamente impactantes. Além disso, os rosnados, grunhidos e gritos de fúria de Logan traduzem perfeitamente a essência brutal de um animal ferido.
Em contrapartida, a localização em português do Brasil apresenta pequenos deslizes técnicos incômodos. O trabalho do elenco de dubladores principais é primoroso e entrega atuações de alto nível nas cenas cinematográficas. No entanto, o jogo sofre com poucas, mas falhas pontuais de integração. Em momentos isolados da campanha, a dublagem em português falha e o áudio é reproduzido em inglês sem aviso prévio.
O sistema de combate frenético e o fator de cura


A jogabilidade do título foca na velocidade e na agressividade constante. O sistema de combate exige do jogador reflexos rápidos para executar aparos no timing correto e desviar de ataques vermelhos indefensáveis. Conforme a fúria do herói aumenta, você pode acionar habilidades especiais devastadoras para fatiar grupos de oponentes.
Por outro lado, o fator de cura mutante atua de forma direta na sobrevivência durante os confrontos. Caso fique sem sofrer danos por alguns instantes ou utilize habilidades de regeneração acelerada, o corpo de Logan recupera a vida perdida rapidamente. A barra de fúria também pode ser consumida para reanimar o personagem em momentos críticos, garantindo que o jogador continue no combate.
Repetição de inimigos e o peso das hordas contínua


Apesar do ritmo empolgante inicial, o combate esbarra na repetição excessiva de estruturas conforme a campanha avança. Em vez de apresentar encontros táticos mais elaborados, o jogo opta por lotar as arenas com ondas intermináveis de inimigos. Por causa disso, enfrentar hordas contínuas dos Reavers, dos ninjas do Tentáculo ou de robôs Sentinelas acaba tornando a jogabilidade cansativa na reta final.
Além disso, a falta de criatividade na variabilidade dos confrontos compromete o impacto da experiência. A Insomniac apostou na quantidade e na duração das lutas em detrimento de combates mais marcantes. A ausência de batalhas memoráveis contra chefes icônicos reforça a sensação de que o potencial do universo do herói não foi aproveitado em sua totalidade.
Estrutura linear e as limitações de exploração
A construção dos cenários adota uma estrutura extremamente rígida e linear. O jogo leva o protagonista para regiões variadas, como as ruas de Madripoor e as florestas e ruas do Japão. Entretanto, a exploração desses mapas é acompanhada por barreiras invisíveis incômodas.


Caso o jogador tente se afastar do caminho principal para buscar itens colecionáveis, o próprio jogo força o retorno imediato ao trajeto da missão. Essa limitação excessiva engessa o progresso e impede que os cenários pareçam mundos vivos. Desse modo, a sensação de liberdade é severamente reduzida ao longo de toda a campanha.
Colecionáveis, trajes extras e a mecânica das memórias


A progressão do personagem inclui o acúmulo de pontos de adaptação para melhorar atributos na árvore de habilidades. Além disso, espalhados pelos biomas, os jogadores podem encontrar garrafas de uísque e caixas de materiais que desbloqueiam uma vasta seleção de trajes alternativos. O fanservice nessa área é excelente, garantindo uniformes icônicos das HQs e de outras mídias.
Por outro lado, o sistema de memórias e desafios poderia ser melhor e mais variado. As cabanas de memória oferecem arenas estilo Horda com Rogue onde o jogador precisa acumular pontuações altas contra relógios para liberar trechos de história. Contudo, esses testes são excessivamente longos e oferecem recompensas pouco atrativas em relação ao tempo investido.
Bugs de progressão e estabilidade técnica


Durante a análise, a experiência foi prejudicada por bugs incômodos. Ocorreram situações em que personagens da história travaram diante de portas que deveriam abrir, impedindo o avanço da missão. Em outros momentos, inimigos afundaram no chão do cenário e ficaram inatingíveis, forçando o reinício de trechos longos do jogo.
Além disso, tentar alterar as configurações de idioma no menu principal provocou travamentos no gatilho de início das missões. Para que o jogo voltasse a funcionar corretamente, foi necessário reiniciar completamente o console. Esses problemas exigem atualizações urgentes de polimento por parte dos desenvolvedores.
Veredito
Marvel’s Wolverine acerta na construção de uma adaptação visceral e autêntica do mutante para os videogames. O combate é violento, o fator de cura funciona muito bem e o carisma de Logan está presente em cada cena. Entretanto, o jogo erra no lado puramente mecânico ao entregar cenários engessados, escassez de chefes marcantes, repetição excessiva de ondas de inimigos e bugs de progressão. O título entrega um bom entretenimento para os fãs da Marvel, mas fica abaixo do padrão de excelência esperado de uma grande produção da Insomniac.
É tudo isso mesmo?: Wolverine da Marvel oferece uma visão visceral e autêntica de Logan, com combate brutal e uma forte representação do personagem. No entanto, ondas repetitivas de inimigos, exploração excessivamente linear, falta de lutas memoráveis contra chefes e bugs de progressão impedem que a aventura da Insomniac atinja todo o seu potencial. – Alepitekus
Recebemos Marvel’s Wolverine gratuitamente para review e agradecemos à Sony pela confiança.










