Fire Emblem Fortune’s Weave Review: Nintendo entrega um combate tático impecável no Switch 2, mas peca pelo ritmo lento

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Será que a franquia Fire Emblem conseguiria manter o seu padrão de excelência tática ao estrear no hardware do Nintendo Switch 2? Marcando o 18º capítulo da lendária saga iniciada em 1990, Fire Emblem Fortune’s Weave chega ao mercado sob imensa expectativa. O título sucede o aclamado Fire Emblem Engage de 2023, trazendo a desenvolvedora Intelligent Systems de volta ao mesmo universo visto em Three Houses. Recebemos o código do jogo antecipadamente pela Nintendo para review e analisamos cada detalhe para entender se este novo RPG de estratégia atinge o nível que os fãs esperam. E também se quem não é fã pode participar da festa.

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Sinopse

A narrativa coloca o jogador no papel de uma entidade divina que atua ao lado de Fortuna, a Deusa da Causalidade. O mundo está à beira da ruína por conta da ascensão de Balor, uma entidade demoníaca que ameaça devastar o Dagdan Empire. Por causa dessa ameaça iminente, o seu objetivo é utilizar o poder de viagem no tempo para alterar o destino de quatro heróis centrais.

Para evitar um massacre iminente, você deve interferir diretamente no curso dos acontecimentos e guiar esses guerreiros até a capital Dagsion. O grande objetivo do grupo é participar dos Heroic Games, um torneio lendário cujo prêmio é a concessão de qualquer desejo. A premissa estabelece um clima constante de urgência espiritual e política.

Os quatro protagonistas e as campanhas paralelas

A estrutura do enredo se divide entre as perspectivas de quatro protagonistas distintos: Cai, Dietrich, Theodora e Leda. Cada personagem possui motivações próprias e arcos dramáticos independentes que se entrelaçam de forma orgânica ao longo da aventura.

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  • Cai: Um jovem que descobre um colar místico capaz de despertar poderes ocultos.
  • Dietrich: Um mestre estrategista equipado com uma lâmina ancestral única.
  • Theodora: Uma monarca que perde um braço em combate e une uma lança sagrada a uma prótese ancestral.
  • Leda: Uma barda movida por vingança que utiliza uma espécie de viola mágica para encantar e fortalecer aliados.

A narrativa se organiza a partir de um santuário central comandado por Fortuna. A partir dessa base divina, a história se ramifica diretamente para as quatro rotas individuais de Cai, Dietrich, Theodora e Leda. A alternância entre essas campanhas ocorre de forma fluida através de mensageiros místicos no mapa. Por causa dessa estrutura multifacetada, o jogador experimenta visões diferentes do mesmo conflito. Esse sistema enriquece o universo do jogo e garante um dinamismo narrativo muito bem-vindo.

Gráficos, resolução e desempenho no Switch 2

Na parte técnica, o título apresenta uma direção artística estilizada que lembra animações japonesas de alta qualidade. As cenas cinematográficas em CG entregam um espetáculo estético marcante. Porém, o motor gráfico do jogo em tempo real deixa a desejar em termos de acabamento visual para a nova geração da Nintendo.

Além disso, o jogo roda travado a 30 quadros por segundo, tanto no modo portátil quanto na dock conectada à televisão. A taxa de quadros se mantém estável durante toda a campanha, sem registrar quedas em batalhas populosas. Contudo, a ausência de um modo a 60 quadros por segundo e a presença de serrilhados discretos em telas grandes mostram que a produtora optou pelo conservadorismo técnico. Definitivamente a Nintendo está com o freio de mão puxado nesse aspecto.

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Trilha sonora envolvente e a falta de localização em Português

A sonoplastia de Fire Emblem Fortune’s Weave se destaca pelas composições orquestradas marcantes e pela excelente atuação do elenco de dublagem original. O trabalho de voice acting em inglês e japonês entrega peso emocional às cenas mais dramáticas da campanha.

Em contrapartida, a ausência de localização em português do Brasil é uma falha grave por parte da Nintendo. O enredo aborda temas complexos de diplomacia, disputas políticas e termos cultos em inglês. Por causa da falta de tradução, a experiência pode se tornar extremamente cansativa para o público brasileiro que não domina o idioma.

O ritmo da história e o excesso de diálogos

Apesar das qualidades da trama, o ritmo da campanha sofre com interrupções frequentes e diálogos excessivamente longos. Entre cada batalha marcante, o jogo força longas sequências de conversas secundárias que desaceleram a progressão.

Essa exposição contínua de textos engessa o progresso e afasta quem busca foco imediato no gameplay tático. Embora entusiastas de romances visuais possam apreciar a profundidade dos arquivos de texto, a extensão das conversas prejudica o ritmo geral da aventura.

O ciclo dos 30 Dias e os Heroic Games

A navegação pelos mapas adota uma estrutura de calendário inspirada em RPGs modernos. O jogador possui exatamente 30 dias para preparar o seu grupo antes do início de cada etapa dos Heroic Games. Cada ação realizada nos feudos consome frações valiosas de tempo do calendário.

Por causa desse limite implacável, administrar as horas torna-se uma mecânica vital. Cabe ao jogador escolher entre treinar unidades, explorar masmorras em busca de tesouros ou investir no fortalecimento de laços diplomáticos com aliados da cidade.

Exploração urbana e a dinâmica das Dungeons

A exploração das cidades ocorre em ambientes tridimensionais simples, onde o protagonista conversa com comerciantes e coleta itens de suporte. O design dessas áreas urbanas é limitado e serve apenas como transição mecânica entre as missões principais.

Por outro lado, as masmorras introduzem uma perspectiva de exploração em terceira pessoa com combates por turnos simplificados. Nessas áreas, o jogador pode utilizar funções de automação de batalha ou pular os confrontos para acumular pontos de experiência e recursos de forma ágil.

O combate tático no grid e as mecânicas de terreno

O verdadeiro brilho do jogo reside no combate tático baseado em quadriculados (grid). Cada mapa exige posicionamento estratégico minucioso, considerando o alcance de armas, magias e coberturas do cenário.

O uso do terreno influencia diretamente a taxa de esquiva e a defesa das unidades. Posicionar tropas em florestas ou estruturas elevadas garante vantagens táticas cruciais para sobreviver contra tropas mais numerosas.

Classes, Blaze Arts e o gerenciamento de risco

O sistema de classes permite personalizar o esquadrão com guerreiros pesados, arqueiros, magos e unidades montadas e mais. Cada classe cumpre um papel tático claro no campo de batalha, exigindo uma composição equilibrada do grupo.

Além disso, a mecânica de combate envolve uma progressão contínua de riscos. O uso das Blaze Arts consome a vida do herói para desferir ataques especiais. Esse processo preenche o medidor da Blaze Gauge até atingir o estado de Power Boost com metade da barra carregada. Ao completar o medidor por inteiro, a unidade entra em Burst Mode, desativando os bônus temporários e reduzindo a vida máxima do usuário pela metade até o fim do combate. Esse sistema é bastante interessante como uma camada extra de estratégia de risco e recompensa.

Fortuna’s Blessing, Modo Classic e o fator de recrutamento

Para quem busca desafio máximo, o clássico modo Classic está presente, mantendo a perda permanente de unidades derrotadas em combate (permadeath). A presença dessa mecânica força o jogador a calcular cada movimento com cautela absoluta. Joguei nessa dificuldade e recomendo fortemente.

Para balancear a alta dificuldade, o recurso Fortuna’s Blessing permite rebobinar turnos e corrigir decisões equivocadas. Além disso, interagir com personagens neutros durante as etapas de exploração permite recrutar novos guerreiros para fortalecer as fileiras do seu exército.

Veredito

Fire Emblem Fortune’s Weave é uma adição robusta e indispensável para os entusiastas do gênero de estratégia tática. O jogo brilha com um sistema de combate refinado, excelentes mecânicas de terreno e quatro campanhas marcantes. Entretanto, o título erra no ritmo ao exagerar no excesso de conversas longas, na ausência de dublagem ou legendas em português do Brasil e na limitação técnica de rodar a 30 quadros por segundo no Switch 2. É uma jornada gratificante, mas que exige paciência do jogador para entregar o seu melhor.

É tudo isso mesmo?: Fire Emblem Fortune’s Weave oferece excelente combate tático, profunda progressão de personagem, mecânica de terreno inteligente e quatro campanhas atraentes que exploram diferentes perspectivas de sua ambiciosa história. A estrutura de 30 dias adiciona uma camada interessante de estratégia além do campo de batalha, enquanto o Modo Clássico e a Bênção da Fortuna oferecem flexibilidade para diferentes jogadores. No entanto, o diálogo excessivo frequentemente retarda o ritmo, e o limite de 30 FPS no Switch 2 faz com que sua apresentação técnica pareça surpreendentemente conservadora. M@xpay

8
von 10
2026-09-16T09:00:21-03:00

Recebemos Fire Emblem Fortune’s Weave gratuitamente para review e agradecemos à Nintendo pela confiança.

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