O Combo Infinito teve a oportunidade de jogar uma demonstração da versão alpha de Wo Long 2: Wings of Ember. A sequência do título de 2023, que traz uma narrativa totalmente independente, tem lançamento marcado para o dia 4 de março de 2027 nas plataformas PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC, e também estará disponível no serviço de assinatura Game Pass.
Diferente de seu antecessor, que serviu de antessala da Era dos Três Reinos, Wo Long 2 se passa já dentro deste popular e critico momento da história chinesa. Neste contexto, um guerreiro com o poder da fênix atravessa campos de batalha intermináveis dominados por demônios grotescos.
Já se passaram 3 anos desde o lançamento do primeiro jogo e, desde então, a Team Ninja vem se mostrando um estúdio prolífico que sabe gerenciar bem suas IPs. Em 2024, a desenvolvedora lançou Rise of the Ronin, que a levou a trabalhar com cenários abertos — o que se provou benéfico com Nioh 3, lançado em março deste ano.
Wo Long 2 é mais um fruto das experimentações e do aproveitamento do estúdio entre suas franquias e, mais uma vez, podemos estar diante de um produto de qualidade que vai se destacar pelo seu combate. Mas, desta vez, há um extra.
Depois de Nioh 3, é a vez de Wo Long 2 experimentar os cenários abertos


Um dos aspectos diferenciais de Nioh 3 é a presença de cenários vastos, algo bastante inspirado em Elden Ring. Em Wo Long 2 há essa intenção, e a demo traz isso. Através de um cenário aberto, há uma infinidade de locais para se explorar além do objetivo principal, que é onde a demonstração se encerra. Não é um mundo aberto, mas os cenários possuem uma escala maior e estão muito bem preenchidos com atividades que recepcionam bem o interesse do jogador pela exploração.
Explorar estes locais se resume a fincar bandeiras, eliminar tropas e derrotar capitães que proporcionam a evolução do personagem, além de aumentar sua moral e diminuir a dos inimigos, assim como no primeiro game. Esses encontros diversos pelos mapas beneficiam o incrível combate que a franquia Wo Long possui.
Mas o que mais me impressionou foi a forma como a Team Ninja conseguiu despertar minha curiosidade em explorar cada lugar do mapa. Durante minha jogatina, decidi fazer todas as atividades disponíveis para, enfim, ir ao encontro do boss da demo.
Esse desejo de querer explorar e se deparar com coletáveis, chefes e afins é extremamente recompensador. Em cada região do mapa há um número de atividades para se completar. Ao realizar todas, seu nível de moral aumenta.
Portanto, a ideia de dar a Wo Long 2 uma experiência mais ampla em seus cenários deu muito certo com a estrutura de moral através das bandeiras que devem ser fincadas pelo mapa.
Muito mais do que cravar bandeiras
Falando em bandeiras, elas agora têm uma funcionalidade a mais além de serem responsáveis por aumentar sua moral no campo de batalha. Desta vez, existem certos locais onde você finca as bandeiras que oferecem a opção de mobilizar guerreiros. Cada local exige uma virtude elemental específica. Logo, colocar um guerreiro que você derrotou e recrutou que tenha a mesma virtude exigida pelo local lhe renderá vantagens. Além desta afinidade de virtudes, há também afinidade entre os atributos dos guerreiros que você posiciona nesses locais, os quais se conectam entre si. Portanto, mobilizar guerreiros de mesma afinidade elemental e de atributos te dará acréscimos às vantagens já desbloqueadas.
Então, explorar se tornará algo necessário em Wo Long 2, e a Team Ninja soube criar bem essa dinâmica em um mapa muito bem distribuído que fisgou minha curiosidade do início ao fim da demo.
Meu receio está apenas em como o estúdio irá preencher os demais mapas do jogo com inimigos e atividades, ou se eles se repetirão com o que vi na demo, que é do início do jogo. Minha grande crítica ao primeiro Wo Long foi a repetição de chefes e de inimigos, mesmo em cenários distintos. Entre as atividades do mapa, há ostras que te levam para uma arena onde você enfrenta chefes do primeiro game. Isso pode ser uma excelente alternativa para aproveitar os chefes do primeiro jogo sem inseri-los na experiência principal.
Um combate mais profundo
Wo Long 1 trouxe a possibilidade de reagir a golpes indefensáveis dentro de um soulslike. Essa ideia foi aproveitada em Nioh através da mudança de estilo de combate (samurai e ninja).
Já em Wo Long 2, a mecânica retorna, mas com mais nuances. A mecânica de aparar golpes indefensáveis ganhou uma variante onde você pode contra-atacar esses golpes que recebe. Com os botões RB+B (no Xbox) ou R1+O (no PlayStation 5), agora você tem a chance de quebrar o ataque inimigo, forçando a quebra de postura além de diminuir sua barra de vida. Há também outra variante na qual você terá que quebrar ataques indefensáveis de inimigos voadores; para isso, usa-se RB+A ou R1+X. Há ainda a possibilidade de defender os ataques com a mecânica padrão de parry usando o botão LB ou L1.


De modo geral, todas essas nuances trouxeram mais alternativas na hora do combate e enriquecem a ação tradicional da franquia, que traz um aspecto rápido. Wo Long 2 traz mais verticalidade, seja no combate, seja na travessia de seus cenários. Agora é possível andar pela parede ou por rochas para atravessar locais interditados.
Mas esta profundidade alcançou também as armas dentro do jogo. Diferente do primeiro game, Wo Long 2 possui um sistema de habilidades de arma mais customizável, no qual você pode desbloqueá-las e equipá-las a seu bel-prazer.
Por fim, algo muito benéfico chegou em Wo Long 2: a Team Ninja resolveu tornar as dificílimas batalhas contra chefes menos cansativas, diminuindo o longo caminho da fogueira até a porta do chefe. Assim como em Elden Ring, Wo Long 2 possui um checkpoint próximo à área do boss, chamado no jogo de “pedra guia”, algo semelhante às Estátuas de Marika.
Espremendo até a última gota
Uma das minhas grandes críticas à Koei Tecmo é sua insistência em manter uma versão desatualizada de seu motor gráfico. Embora isso adiante bastante o desenvolvimento e seja um dos motivos pelos quais o estúdio lança tantos jogos em um curto período de tempo, isso torna a experiência visual de seus jogos ultrapassada.
Wo Long 2 vai usufruir desta amarra visual e é possível notar isso nas expressões faciais dos personagens ou nas texturas dos cenários. Eu sei que é injusto pontuar isso por se tratar de uma versão alpha, mas não espere grandes evoluções até a versão final. Por outro lado, a Team Ninja sabe usar bem o estado de sua engine no aspecto artístico, e Wo Long 2 esbanja estilo de sobra.
Os detalhes visuais inseridos nos chefes principais e secundários, além dos efeitos de ativação das Feras Divinas, são um espetáculo. São detalhes sutis, mas que se transformam na identidade dos jogos da Koei e em seu grande trunfo. Não há nada mais satisfatório e bonito de se ver do que um ataque indefensável sendo defendido e contra-atacado.


Também há novidades em Wo Long 2: o jogo terá um sistema de ciclo de dia e noite, bem como mudanças climáticas em tempo real. Essa iniciativa consegue dar mais destaque ao aspecto visual do game com a presença de chuva ou de um pôr do sol.
Veredito
Meu primeiro contato com Wo Long 2: Wings of Ember foi muito positivo. As camadas que seu combate ganhou e a adição dos cenários abertos trazem um frescor à franquia. Meu único receio está em como a Team Ninja vai manter essa primeira impressão tão alta no jogo final.
Espero que todo esse meu fascínio prévio não seja pura ilusão de ótica.











