Gears of War: E-Day Review – Um retorno às raízes que reconcilia o Xbox com sua comunidade

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2026 marca o aniversário de 20 anos de uma das franquias mais importantes do Xbox. Mesmo que Halo tenha um significado importantíssimo na entrada da Microsoft no mercado dos consoles de mesa, foi Gears of War que trouxe uma identidade para o Xbox na sétima geração de consoles.

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Depois de uma trilogia triunfal, mudança de estúdio e dois títulos que deixaram a figura de Marcus Fenix em segundo plano, a The Coalition decidiu retornar às origens da franquia, trazendo de volta Marcus Fenix e Dom para o dia zero de toda a jornada da franquia Gears of War.

Gears of War: E-Day estreia em 6 de outubro de 2026 nas plataformas Xbox e PC, diretamente para os assinantes do Game Pass. O Combo Infinito teve a oportunidade de jogar o novo capítulo da franquia e eu direi se ele é tudo isso mesmo ou não.

A história que não sabíamos

Gears of War já recebeu uma prequel com Gears of War: Judgment, que se situava cerca de 14 a 15 anos antes da trilogia original, logo após o Dia da Emergência. Em E-Day, os jogadores estarão no olho do furacão, presenciando tudo o que aconteceu neste dia que mudou para sempre a cidade de Kalona e o planeta Sera.

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Em Gears of War: E-Day, a jornada começa com Marcus e seu grande amigo Dom Santiago em uma cerimônia de comemoração de mais uma vitória da Coalizão, que vive em guerra constante com sua rival URI.

Mas todo esse clima de comemoração logo se transforma em pânico e caos quando terremotos começam a assolar a cidade de Kalona. O que pareciam tremores atípicos e já registrados revela-se uma ameaça subterrânea que mudará a vida dos cidadãos e dos Gears para sempre.

Os eventos tratados neste novo capítulo preenchem lacunas e são atenciosos ao trazer as origens de muitas coisas que apenas surgiram nos games já lançados da franquia e que não tinham uma explicação. Por exemplo: como Marcus conseguiu a cicatriz em seu rosto, como surgiu a famosa metralhadora com serra elétrica (símbolo da franquia) ou por que Marcus protege tanto o Dom.

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Todos esses elementos justificam a existência deste capítulo zero para a série. Além disso, a The Coalition foi muito feliz em abordar uma narrativa mais dramática. As diferentes perspectivas sobre este evento catastrófico mostram um lado instável destes guerreiros de armadura. Gears of War: E-Day traz um lado sensível e inseguro destes Gears que estão enfrentando um inimigo desconhecido enquanto presenciam a carnificina feita pelos Locusts. Marcus ainda não é o líder que conhecemos na trilogia original: seus traumas e segredos o afetam durante toda a jornada.

Gears vivendo um survival horror

Todo esse clima tenso e avassalador traz uma atmosfera de terror. O início de Gears of War: E-Day tem muita influência de Resident Evil 2. Toda a estrutura narrativa de uma ameaça desconhecida com o caos na cidade e o estrago humanitário causado pelos Locusts ecoa a mesma sensação do caos biológico de Raccoon City. E-Day não é sobre ação como os títulos anteriores, mas sobre resistência, resiliência e perdas.

Gears of War: E-Day traz uma das histórias mais dramáticas da franquia e a melhor da era The Coalition. Toda a sua construção e a preocupação em dar contexto a elementos já existentes — e, sobretudo, trazer uma perspectiva mais humana para os indomáveis e inabaláveis Gears — são o ápice deste capítulo, que é o ponto de partida para toda a franquia.

Uma estrutura que deu muito certo

Toda a jornada de E-Day acontece na cidade de Kalona. Desta forma, as missões estarão acontecendo pelos quatro cantos da cidade e em determinados momentos do dia. Apostando em uma estrutura mais aberta, Gears of War: E-Day melhora este elemento que Gears 5 apenas arranhou a superfície com algumas ressalvas. Os cenários abertos e vazios de Gears 5 deram lugar a uma Kalona repleta de atividades e locais para se explorar.

Ao longo de 5 Atos, você passará por locais abertos e mais lineares, mas é nos ambientes de maior escala que Gears of War: E-Day faz um trabalho excelente, o qual facilmente pode se tornar a tônica para os próximos jogos da franquia.

Conforme as missões se desenvolvem por estes locais abertos, atividades secundárias surgem de forma natural, com uma conexão narrativa muito bem utilizada. A The Coalition soube dar contexto para estas missões, mesmo que elas se resumam a realizar escoltas de sobreviventes, eliminar hordas ou proteger certas áreas, sem que se tornem tarefas tediosas. Todas essas missões trazem uma camada a mais para o objetivo principal: eliminar os Locusts e salvar os inúmeros sobreviventes de Kalona.

Além destas missões, as regiões abertas escondem coletáveis e caixas rígidas que desbloqueiam peças para você customizar suas armas e armaduras — mecânica que ganhou uma camada mais profunda. Seus equipamentos agora podem receber até 3 modificadores, além de uma vantagem especial quando você realiza um carregamento perfeito. Esses utilitários trazem vantagens extras e adicionam um elemento novo ao combate do jogo.

Esta quebra de continuidade dos frenéticos tiroteios traz um respiro durante toda a campanha de Gears of War: E-Day.

Poderia ter ousado mais

À medida que E-Day evolui para uma estrutura de cenários abertos, sinto que a The Coalition não foi tão ousada em trazer inovações para seu combate. Gears of War ainda se joga da mesma forma que em 2006 no que tange à sua ação de tiroteio e ao seu sistema de cobertura (cover), mesmo para uma franquia que segue viva entre gerações de consoles. Não vejo problema em manter a essência do combate intacta, afinal é o DNA da franquia que definiu uma geração onde não víamos títulos com estas mecânicas.

O que mais me incomodou em Gears of War: E-Day foi a falta de coragem em trazer mecânicas que adicionassem nuances ao tradicional sistema de combate. Tudo parece o mesmo de 20 anos atrás, com exceção de um sistema de cobertura mais natural e com novas animações, além de algumas armas e inimigos inéditos. Fora isso, E-Day será muito familiar para os fãs de longa data, e mesmo para eles a impressão que pode ficar é que faltou algo a mais.

Particularmente, o combate de E-Day poderia ter ganhado um sistema de parry com finalizações, ao melhor estilo Warhammer 40K: Space Marine 2, por exemplo — que, mesmo visto inicialmente por alguns como uma cópia de Gears, conseguiu se desviar desta sombra com seu excelente sistema de contra-ataque.

Enfim, embora algum fã discorde e ache que colocar uma mecânica inédita em uma prequel não faça tanto sentido — já que nos jogos anteriores não as tínhamos —, o único elemento que precisa estritamente de coerência e continuidade é a narrativa, e isso eles fizeram muito bem.

Gears of War sempre foi sinônimo de poderio tecnológico. E com E-Day, a The Coalition levou a franquia ao ápice.

Um dos jogos mais bonitos da geração

Estreando na Unreal Engine 5, Gears of War: E-Day se beneficia bastante dos aparatos tecnológicos da nova engine em aspectos de iluminação e construção de cenários, graças ao uso da tecnologia Nanite. Mas a iluminação é o grande destaque do visual de E-Day.

Durante as sessões noturnas é nítido o realismo, a profundidade e a precisão das sombras e reflexos nos cenários. Seja em ambientes abertos ou fechados, há um formidável trabalho de iluminação.

Enquanto a iluminação desempenha um trabalho espetacular no gameplay, as animações e as cinemáticas estão impecáveis. Todas as cenas de corte trazem uma excelente cinematografia que transmite a carga dramática entre os personagens. As expressões faciais e o suor na pele evocam o realismo e o peso desta jornada tão impactante.

Da mesma forma que as tecnologias da Unreal Engine 5 trouxeram uma nova era visual para a franquia, houve também um ônus. Quando o jogo embarca para a aventura em cenários abertos, sofre com um desempenho instável. Minha análise aconteceu na versão de PC do game em uma RTX 4070 Super, onde tive um alto consumo de RAM. O jogo sofre com stuttering (fruto da UE5) e muitas das tecnologias atuais, como o RTX Geometry (que é muito promissor) e o Nanite baseado em Ray Tracing, tiveram um impacto negativo na performance, embora sua aplicação entregue uma apresentação visual espetacular. De todo modo, espera-se que o patch do dia 1 resolva estas inconsistências técnicas.

Por fim, não posso deixar de mencionar o excelente trabalho sonoro em Gears of War: E-Day. Toda a sonoplastia entrega o teor desta jornada tensa — com sessões que parecem mais um survival horror —, além de toda a ação com sons de tiros e explosões. Além disso, destaco o excelente trabalho de dublagem em português do Brasil que o jogo possui.

Veredito

Gears of War: E-Day é um retorno que volta às raízes da franquia para contar uma história ainda não vista, com algumas adições e um visual impressionante, embora eu esperasse mais do seu tradicional combate. Ao longo de mais de 20 horas, não posso negar o belo trabalho da The Coalition, que constata que Gears of War é o que é por seu grande protagonista, cujo futuro na franquia ainda é incerto. Eu espero que ele permaneça, pois ele é a alma desta série.

Por fim, Gears of War: E-Day é um produto indispensável para todo fã da franquia e um excelente ponto de entrada. Sobretudo, marca a reconciliação do Xbox com sua comunidade, que já passou por poucas e boas, mas que agora sente um lampejo do que a marca busca ser em sua era de ouro fortemente carregada pela franquia.

É tudo isso mesmo?: Gears of War: E-Day marca um retorno triunfal às raízes da franquia ao entregar uma das narrativas mais dramáticas da série, acompanhada de uma atmosfera de survival horror e visual impressionante na Unreal Engine 5. Embora prefira manter o combate tradicional sem grandes inovações e apresente inconsistências técnicas no PC, o título consolida-se como um ponto de partida indispensável. – João Antônio

8.5
von 10
2026-10-01T10:00:25-03:00

Recebemos Gears of War: E-Day gratuitamente para review e agradecemos o Xbox pela confiança.

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