Mafia The Old Country: belo, ambicioso e, no fim, frustrante – Review

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Mafia: The Old Country

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Produzido pela Hangar 13 e publicado pela 2K, Mafia: The Old Country chegou cercado de expectativas. Prometendo resgatar o charme clássico da franquia com uma nova roupagem, o título finalmente foi lançado em 8 de agosto para PC, PS5 e Xbox Series X|S. Tive a oportunidade de jogá-lo no PC com uma RTX 5080, e agradeço à 2K pelo envio da chave para esta análise.

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A origem da Máfia pela lente de Enzo

Mafia: The Old Country

Depois de três jogos da franquia Mafia, a história volta a 1902, na Sicília, para acompanhar a ascensão de Enzo desde a base da sociedade até os círculos do crime organizado. É um relato de gênese: a “máfia” ainda não existe como instituição e a campanha mostra os elementos que a consolidam, com as famílias Torrisi e Spadaro disputando território e influência. A jornada alterna momentos de quietude, quando o jogo me deixa observar rituais, costumes e pequenos códigos de honra – com explosões de violência calculada.

Além disso, o jogo trabalha bem a expectativa a cada missão. Enzo começa servindo, corre, erra e aprende, enquanto figuras maiores o testam o tempo todo. Mesmo evitando spoilers, dá para dizer que as escolhas de quem proteger e de quem trair movem a trama adiante. No entanto, quanto mais o enredo ganha corpo, mais claras ficam as limitações de direção nas missões finais, o que prepara o terreno para a minha maior frustração lá na frente.

Gráfico e desempenho

A Unreal Engine 5 permite uma direção de arte caprichada: texturas nítidas, modelagem convincente, bom lip sync e uma Sicília que dá vontade de explorar. A iluminação valoriza pedra, madeira, couro e tecido, e os interiores transmitem uma sensação tátil de época. Ruas estreitas, fachadas gastas e vilarejos costeiros compõem um cartão-postal que ajuda muito na imersão.

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Por outro lado, o desempenho oscila demais. O draw distance é forte, mas o pop-in aparece com frequência e as quedas de FPS aconteceram em diferentes presets. Ajustei resolução, desativei efeitos e ainda assim vi stutters em cenas movimentadas. Visualmente é lindo, tecnicamente é instável, e esse contraste fica ainda mais evidente quando a ação exige precisão.

Som e atuações: bom trabalho, mas sem dublagem em PT-BR

Mafia

A trilha alterna silêncio e temas discretos que sustentam o clima, evitando melodrama. Os efeitos soam secos e próximos (tiros estalam, motores resmungam), e isso reforça o peso físico do mundo. As vozes funcionam bem em inglês e há opções em italiano e em siciliano, o que valoriza a ambientação e o período histórico.

Entretanto, falta dublagem em português e as opções de acessibilidade quase não existem. Para um jogo narrativo, ter apenas legendas básicas limita quem precisa de mais recursos. Apesar disso, as atuações seguram a história: expressões faciais, pausas e olhares contam tanto quanto as falas e mantêm a atenção mesmo quando a jogabilidade não ajuda.

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Estrutura e “mundo aberto”

Apesar do mapa relativamente amplo, a campanha segue linear do ponto A ao B. Um update libera o Free Roam, mas, dentro das missões, o jogo frequentemente me barra quando tento sair da rota. Isso quebra o ritmo. Eu até queria ir por uma rua lateral para flanquear, mas a borda invisível devolvia a mensagem de “volte para a área da missão”.

Existe a loja do Pasquale para upgrades, aplicados em um rosário, e o sistema funciona bem quando acessível. Contudo, a própria campanha muitas vezes não me permite chegar lá entre uma missão e outra. Os colecionáveis se limitam a artes que pouco acrescentam.

Em resumo, o cenário parece vasto, porém a progressão real acontece em corredores bem controlados. O mundo aberto é apenas um apoio para o que a narrativa quer contar. Mas isso a gente já sabia e eu não cobro o game por isso. Mesmo assim eu acho que pode ser um desperdício.

Carro e cavalo: transporte competente

Dirigir é prazeroso. Os carros têm peso e exigem antecipação nas curvas, o que casa com a época. Há variedade, inclusive modelos de corrida, e dá para atirar de dentro do veículo com mira automática, um recurso útil, embora não muito sofisticado. As perseguições funcionam, especialmente nas estradas de terra.

Além disso, os cavalos entram como alternativa prática quando o terreno aperta. Eles não roubam a cena, mas cumprem o papel de levar do ponto A ao B com simplicidade. Sem rádios e sem distrações modernas, a travessia depende do cenário e das missões. Funciona, diverte, porém não é o centro da experiência como em outros jogos da série.

Tiroteios: cobertura ok, animações fracas

Mafia: The Old Country's

O loop de cover (sair, disparar, voltar) é sólido e previsível. Desabilitei as ajudas de mira para sentir os headshots, e a resposta ficou melhor. A leitura de distância, recarga e posicionamento rende bons momentos, sobretudo quando o level design abre múltiplas linhas de tiro.

Mesmo assim, as limitações aparecem rápido. As animações do protagonista e dos inimigos são reduzidas, a reação ao dano é tímida e a variedade de capangas despenca após algumas horas. Cenários diferentes abrigam arenas que parecem iguais, com inimigos repetindo aparência e armas. O resultado é um combate competente, mas pouco memorável.

Stealth: datado e, às vezes, obrigatório

As seções furtivas lembram jogos de 10 a 15 anos atrás. Agacha, espera o inimigo virar, aperta o botão, coloca o corpo na caixa “convenientemente posicionada” e segue. O padrão se repete sem surpreender, e a IA raramente pressiona quem tenta improvisar rotas alternativas.

Quando o jogo obriga o stealth, a experiência vira tarefa. Em vez de criar tensão, a missão vira checklist. Quando pude, parti para o tiroteio, porque aqui furtividade mais atrapalha do que ajuda. Em suma, falta elasticidade: ou obedece ao script ou falha.

Faca: uma arma que vira muleta

A primeira luta de faca empolga, com escolhas de tipo e “vidas” do equipamento, além de câmeras que aproximam a ação. O enquadramento e a trilha elevam o momento e prometem um sistema marcante, quase ritualístico.

Logo depois, porém, a fórmula se repete sem variação. O parry tem janela generosa, a tensão evapora e batalhas que deveriam ser épicas viram rotina previsível. Se a intenção era transformar a faca em assinatura do combate, faltou rotacionar padrões, inimigos e riscos.

Narrativa e roteiro: construção promissora, final que derrapa

A campanha de Mafia: The Old Country alimenta a expectativa missão após missão. Gosto de como o jogo usa pequenos gestos, como um jantar, um silêncio na igreja e um trato selado no escuro, para construir a ideia de pertencimento e poder. A relação entre as famílias e o papel de Enzo rendem ótimos diálogos, e a ambientação segura boa parte do interesse.

No clímax, entretanto, roteiro e gameplay não conversam. A cena pede catarse e decisão, mas o desenho da missão engessa, derrubando impacto e urgência. É um final que diminui tudo o que veio antes. Saí com a sensação de que a história entregou o caminho, porém tropeçou justamente na chegada.

Conclusão

Mafia: The Old Country impressiona pela arte e pela ambientação, tem boas atuações e um tiroteio competente. Por outro lado, sofre com desempenho inconsistente, stealth ultrapassado, excesso de lutas de faca, pouca liberdade real e um final que não entrega o que o próprio jogo promete. Se a sua curiosidade pela origem da Máfia falar mais alto, dá para curtir e apreciar o cenário.

Se não for o caso, eu esperaria uma promoção. A base é boa e muita coisa funciona; contudo, as decisões de design seguram o que poderia ser um grande momento para a série. Ainda assim, vale pelo recorte histórico e pela tentativa de voltar às raízes.

Mafia: The Old Country: Mafia: The Old Country acerta ao recriar com riqueza a atmosfera da época e entrega boas atuações, além de tiroteios competentes. No entanto, problemas como desempenho irregular, mecânicas de stealth datadas e limitações na liberdade de ação impedem o jogo de alcançar todo o seu potencial. Ainda assim, quem se interessa pela origem da Máfia pode encontrar valor na experiência. Para os demais, talvez valha a pena aguardar uma promoção. M@xpay

6
von 10
2025-08-15T19:23:57-03:00

Recebemos Mafia The Old Country gratuitamente para review e agradecemos à 2K pela confiança.

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Respostas de 2

  1. Porra um 6/10 Por tudo que foi dito tirando as derrapadas merecia no mínimo 7.
    Para mim até o Momento é 8 Sólido.

  2. 6 no máximo, muitas travas, como muito bem dito na reportagem, uma atualização para liberar e poder explorar mais seria fantástico e aí sim mereceria um 8.

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