Anunciado durante a Future Games Show do ano passado, 1348: Ex Voto chamou atenção por sua ambientação e similaridades com títulos como Hellblade e Kingdom Come: Deliverance. Desenvolvido pelo estúdio italiano Sedleo, o título é mais um caso em que o estúdio opta por contar histórias e apresentar a cultura de sua nacionalidade através de um jogo, algo que vimos anteriormente com Black Myth: Wukong e Crisol: Theater of Idols. Mas também aposta em um combate estratégico e mortal.
O título chegou ao mercado em 12 de março para PC e PS5. Nós do Combo Infinito tivemos acesso ao título e agora podemos dizer se 1348: Ex Voto é tudo isso mesmo.
Uma jornada que tenta ser emocionante


Em 1348: Ex Voto, assumimos o controle de Aeta, uma jovem cavaleira errante em uma jornada brutal pela Itália, inspirada no século XIV, para encontrar e salvar sua melhor amiga, Bianca, interpretada pela premiada atriz Jennifer English, a Maelle de Clair Obscur: Expedition 33. O jogo começa com ambas as personagens interagindo em um campo de treinamento, onde Aeta está treinando suas habilidades como uma cavaleira. Após diversos diálogos cheios de sentimentos mútuos, um evento acontece que coloca nossa protagonista em uma jornada cheia de desafios e uma busca incansável por Bianca.
Todo esse contexto inicial traz uma carga emocional ao game que logo em seguida se perde pela falta de carisma de seu elenco. A dublagem está excelente, porém as animações, responsáveis por trazer credibilidade às atuações, são falhas e prejudicam todo e qualquer intuito de agregar uma história marcante e cheia de emoções. As cinemáticas não trazem detalhes suficientes nas expressões de seus personagens e nem nas vestimentas, o que infelizmente acaba tirando a profundidade e o realismo das atuações.
Toda essa jornada dramática da busca incessante pelo seu amor lembra muito a jornada de Senua em Hellblade 1, lançado em 2017. Contudo, aqui você não terá a mesma experiência emocional e de narrativa do premiado título da Ninja Theory.
1348: Ex Voto traz uma premissa interessante para sua jornada, porém sua péssima execução em suas cenas de corte afasta o jogador de um apego e profundidade emocional com sua história. Uma pena, pois tanto Alby Baldwin, que deu vida a Aeta, quanto Jennifer English, Bianca, entregam belíssimas atuações vocais.
Para piorar a situação, o título não tem suporte ao idioma português do Brasil, o que o tornará um produto distante do interesse dos jogadores brasileiros.
Uma Itália visceral e cheia de conflitos


Ambientado em uma Itália do século XIV, 1348: Ex Voto simula muito bem a arquitetura, os ambientes e os conflitos políticos desta época tão relevante no país. Embora com uma narrativa fictícia, o título consegue se inserir de forma coerente e entregar de forma imersiva o que está acontecendo neste lugar. Após uma invasão, seu reino se vê acuado e você terá que eliminar as forças inimigas. Todo este cenário de destruição e morte é muito bem retratado. Locais preenchidos por soldados, civis e animais mortos ajudam a desenhar este cenário cruel e mortal.
Em contraste à violência que o jogo quer transmitir, há também lugares contemplativos e de muita vegetação, por exemplo. Há momentos em que a natureza toma conta dos cenários e traz um alívio às constantes sessões de batalhas do jogo. Construído na Unreal Engine 5, a construção de cenários orna bem com a proposta linear que o game aparenta. Há uma ótima iluminação, sombras limpas e um draw distance eficiente, além de um bom trabalho na física da armadura. Contudo, o game sofre com problemas de desempenho.
Analisamos a versão de PC do game; o título não faz jus ao uso das atuais tecnologias de upscaling como o DLSS, FSR ou o XeSS. Certamente, a presença dessas respectivas tecnologias mitigaria os problemas de desempenho que o jogo possui. Grande parte das quedas bruscas de FPS acontece quando o jogo aposta em lugares mais abertos e com maior presença de luz. Fora isso, em locais mais compactos e com menor incidência de luz, não presenciei quedas de FPS.
Promissor, porém mal executado


Com grande influência das artes marciais históricas europeias, o combate de 1348: Ex Voto é uma mistura do combate de Hellblade com Kingdom Come: Deliverance. A proximidade da câmera para as costas da protagonista, enquanto um inimigo vem por vez ao seu encontro, lembra muito o combate visceral de Senua e sua lâmina. Enquanto todo o peso dos golpes, em decorrência da armadura e toda a configuração do combate, é algo que me fez lembrar do RPG da Warhorse Studios.
Aeta possui duas posturas de combate: ataques com as duas mãos, com a possibilidade de defesa, e ataques com uma mão que lhe permitem esquivar dos ataques. O combate de Ex Voto é cadenciado e estratégico em sua totalidade. A protagonista, assim como os inimigos, possui uma barra de resistência que diminui conforme você ataca, esquiva ou defende. Ao esvaziar essa barra, sua postura é quebrada e você fica vulnerável a mais ataques.
Infelizmente, essa combinação não orna tão bem na prática. Em certas ocasiões, os golpes de Aeta não acertam os inimigos mesmo eles estando próximos, e parte deste problema se dá pela falta de um travamento de câmera nos alvos. Você não conseguirá alternar em quais alvos quer atacar primeiro, e isso acaba se tornando algo prejudicial durante o combate.
Além do combate


Outro ponto estressante deste combate é o desbalanceamento dos ataques dos inimigos, onde eles não parecem reagir aos seus golpes. Se você atacar um inimigo antes que ele ataque você, não anula seu golpe. Ele vai te golpear mesmo que seu ataque aconteça antes do dele.
Ainda há momentos de boss fights no jogo, bem contextuais por sinal, mas elas carregam todos os problemas do combate contra os inimigos dos cenários. É algo que irá te desafiar pelas falhas de execução deste sistema de combate.
Saindo do combate, 1348: Ex Voto usa seus cenários para inserir colecionáveis que servirão para customizar sua espada através de peças, pergaminhos que servem para desbloquear habilidades de combate e itens que lhe darão vantagens. Todo esse entretenimento fortalece a mínima exploração que o game dispõe através de seus cenários, em sua grande maioria lineares. Além disso, Aeta pode visitar certos locais ou estruturas que desbloqueiam diálogos adicionais no jogo.
Em resumo, toda essa distração oferecida pelo senso, embora mínimo, de exploração se encaixa bem para a proposta linear dos seus cenários, onde muitas vezes você estará andando por um corredor derrotando inimigos.
Mas afinal, 1348: Ex Voto é tudo isso mesmo?
1348: Ex Voto é aquele projeto que tem excelentes ideias, porém, quando elas são colocadas em ação, não ornam, seja por seu orçamento ou seu cronograma. Não tenho dúvidas de que o estúdio Sedleo, com mais tempo e mais orçamento, entregaria uma experiência mais bem acabada.
Embora 1348: Ex Voto não esteja atingindo as expectativas, é nítido o empenho e as boas ideias por trás desta obra. Que a Sedleo Studio mantenha seu ex-voto como um estúdio de games, persista e não desista.
É tudo isso mesmo?: 1348: Ex Voto apresenta uma ambientação medieval rica e boas ideias de combate estratégico, mas sofre com execução inconsistente. Problemas técnicos, falhas no combate e narrativa pouco envolvente impedem que o jogo alcance seu potencial, apesar do esforço do estúdio. – João Antônio











