The Sinking City 2 Review: Um survival horror digno das prateleiras dos grandes do gênero

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Mais um que se rendeu ao survival horror

O gênero survival horror chegou para ficar. Desde seu retorno em 2019 com o remake de Resident Evil 2 e o mais recente Silent Hill f, o gênero vem se tornando uma alternativa bem-sucedida. Alan Wake 2, por exemplo, optou por dar uma nova jornada ao escritor em uma experiência de survival horror e teve êxito. Outra franquia que se rendeu ao gênero foi The Sinking City. The Sinking City 2, deixando de lado o tom investigativo por uma experiência focada em survival horror.

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The Sinking City 2 lançou no último dia 18 de agosto de 2026 nas plataformas PS5, Xbox Series e PC, trazendo toda essa mudança de gameplay e um visual totalmente concebido sob os manjares da Unreal Engine 5. Será que toda essa revolução fez bem para o jogo?

Chegou a hora de sabermos se The Sinking City 2 é tudo isso mesmo ou não.

Mas antes:

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Uma jornada de amor em meio ao caos

The Sinking City 2 traz uma história nova com personagens inéditos, inclusive seu protagonista, Calvin. Situada em 1929, na cidade fictícia de Arkham, que passa por uma grande inundação, a trama nos apresenta a essa realidade caótica. Nela está Calvin, que se culpa pelo atual estado de sua esposa e tenta a todo custo trazê-la de volta à vida após eventos sobre os quais vou me abster de revelar.

De forma incansável, nosso protagonista busca meios ocultos para reverter essa situação, enquanto pesadelos o atormentam, aumentando ainda mais seu sentimento de culpa. Em paralelo a isso, Arkham está com seus dias contados, mas isso não será o bastante para afastar Calvin até que ele traga sua esposa de volta à vida.

Enquanto o primeiro jogo trazia uma narrativa onde o jogador vivia as histórias de terceiros, a jornada de Calvin é mais pessoal e intimista. Toda a abordagem sobre o amor e o que você é capaz de sacrificar e fazer por alguém que ama ganha seu espaço nas primeiras horas do game de uma maneira muito bem desenvolvida. Inicialmente, o jogo mescla entre o presente enquanto estamos controlando Calvin, e o passado do personagem, mostrando como ele conheceu seu grande amor.

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Poderia ter sido melhor

Infelizmente, o jogo decidiu mudar de rumo para seguir por uma escolha narrativa que quebra todo esse desenvolvimento de revelar ao jogador como ele conheceu sua esposa e como construiu o sentimento que o motiva. A partir disso, toda a química dos diálogos entre o casal se perde, e a motivação que me conquistou e me instigou a saber o que levou até o momento atual se esvai.

Apesar destas arestas na narrativa, os documentos, os áudios e as pistas presentes no game são um excelente apêndice à história. Todas as informações secundárias servem para informar o que se passa em Arkham, como uma rádio que vive seus últimos dias contando histórias, ou pistas que fazem referência ao próprio H.P. Lovecraft, exclamando carinho e um esmero em tornar este universo vivo.

Sobreviver e investigar

Mesmo mudando de gênero, a Frogwares decidiu manter a veia investigativa apresentada no primeiro jogo. Eu não estava preparado para sobreviver e investigar ao mesmo tempo, mas fui surpreendido com a junção destes dois sistemas.

Começando pelo aspecto de grande mudança do jogo, The Sinking City 2 bebe da fonte de gigantes do gênero como Resident Evil e Silent Hill. Seu sistema de exploração usa mapas com ícones e cores para te nortear se você explorou tudo em um lugar ou não. Quanto aos puzzles, são um show à parte e representam muito bem o gênero.

De forma intrínseca aos puzzles, está o sistema de investigação. Através de um quadro, o jogador terá que conectar as pistas que encontra enquanto explora, o que será de suma importância para desvendar quebra-cabeças e/ou abrir cofres.

Diferente do jogo anterior, conectar estas pistas não é algo determinante sem o qual seja impossível progredir. Conectar essas informações é mais uma questão de se orientar conforme os puzzles vão surgindo. Em troca, você recebe pontos para desbloquear sua árvore de talentos. O sistema de talentos, por sua vez, oferece vantagens para Calvin durante o combate, embora com uma progressão de difícil evolução, muito disso pela pouca quantidade de essência onírica que se recebe ao conectar e concluir as investigações.

Sherlock Holmes em uma história Lovecraftiana

Toda essa ideia de coletar informações e colocá-las em um quadro é o que, na época do PS1 com Resident Evil, Silent Hill e tantos outros games do gênero, me fazia anotar em um caderno ou desenhar símbolos para não esquecer. Eu espero que novos games do gênero adotem isso também, pois a essência do survival não está apenas no gameplay cadenciado e na escassez de recursos, mas também, em grande parte, na realização dos puzzles. Fazer o jogador ter o controle de tudo o que coleta e induzi-lo a usar os neurônios para conectar todas essas informações é genial e coerente.

O jogo traz duas dificuldades para seu sistema de investigação: a fácil (com destaques nas frases e palavras importantes em documentos, além de ícones nas pistas para você saber quais deve conectar) e a difícil, que é onde você irá usar os neurônios de fato. Não há frases destacadas, as pistas não possuem ícones e você deve conectá-las com base na sua interpretação.

Além das investigações ligadas ao curso da história principal, há investigações secundárias que te darão recompensas, despertando um sistema de backtracking maravilhoso. Seja através de itens que você encontrou posteriormente ou por desvendar puzzles, o jogo sempre vai te permitir, mesmo na primeira jogatina, voltar aos cenários anteriores e ir atrás de desvendar algo.

Quando um survival horror quer também ser ação

Um dos grandes erros de alguns jogos do gênero é explorar a ação em excesso. O gameplay cadenciado, a escassez de munição e os encontros com inimigos de forma medida trazem a atmosfera tensa e mortal do gênero. Claro que há exceções, mas, para que isso dê certo, é preciso que haja um combate intuitivo, algo de que The Sinking City 2 é carente. Sua movimentação travada, seu sistema pesado de mira e um ataque corpo a corpo ineficaz são reflexos das limitações do jogo, das quais um gênero como o survival horror poderia se beneficiar bastante.

Contudo, optar por colocar o jogador em constantes confrontos com inúmeros inimigos faz com que o gameplay, que inicialmente estava acertando em sua atmosfera e em encontros calculados com poucos inimigos em tela, acabe entregando sessões extremamente estressantes por conta de suas limitações no sistema de combate. Os inimigos são rápidos e inteligentes ao se desviarem de forma constante, enquanto seu personagem é lento e demora uma eternidade para recarregar a arma. Trata-se de um personagem com movimentos feitos para um survival, mas que o jogo decidiu usar para confrontos frenéticos. Essa equação não funciona.

Os rastejantes

Por outro lado, há um detalhe interessante nos inimigos que enfrentamos. A inundação que está acontecendo na cidade trouxe os chamados “rastejantes”, criaturas que parecem vermes e se caracterizam por usarem o corpo de um hospedeiro morto, trazendo-o à vida. Esse conceito é usado de forma criativa dentro do jogo ao colocar estes seres pelos cenários sempre se locomovendo em busca de um novo hospedeiro. No combate, isso se torna um desafio a mais quando um inimigo controlado por estes seres morre e volta à vida por ter caído em um lugar cheio destes vermes, ou quando ele é invadido por vermes vindos de outro inimigo que você eliminou. Esse conceito lembra bastante o mecanismo de merge (fusão) de Cronos: The New Dawn, no qual o inimigo pode se fundir com outro que morreu para se tornar mais forte.

Para os amantes de H.P. Lovecraft

Se você é fã das obras de H.P. Lovecraft, The Sinking City 2, assim como seu antecessor, explora muito bem este universo cósmico e tudo o que se esconde através do ocultismo. A cidade de Arkham, com seus dias contados, abriga figuras marítimas humanoides, além dos rastejantes, sob uma identidade estética marcante e cativante. Ambientada na década de 20, toda a estética e as vestimentas respeitam essa era, mas com o toque literário da obra na qual se inspira.

O uso da Unreal Engine 5 eleva o realismo e a fidelidade desses detalhes. Para um estúdio com um total de 200 pessoas e que sofreu as consequências da guerra, o trabalho visual e de expressões faciais estão incríveis. É inegável a evolução técnica que The Sinking City 2 apresentou em relação aos projetos anteriores da desenvolvedora, bem como o amadurecimento do estúdio para dirigir cenas e criar uma direção de arte tão sombria e intimista. Toda a atmosfera, a iluminação e o design de som convencem de que você está diante de uma obra de terror e de que deve sobreviver a ela.

E, mesmo com taxas de quadros instáveis, a experiência no geral não foi prejudicada. Joguei em uma RTX 4070 Super, em resolução 2K com qualidade no Alto. Não obtive 60 fps estáveis mesmo com o uso do DLSS no Ultra Desempenho e com o Frame Generation ligado.

Veredito

The Sinking City 2 é uma sequência totalmente diferente do seu antecessor em termos narrativos, visuais e, sobretudo, em seu gameplay. No entanto, no fim das contas, ele eleva a franquia a um novo patamar e a um lugar de destaque em um gênero tão exigente.

Mudanças fazem bem, e The Sinking City 2 é mais uma prova viva disso. Estou ansioso pelo que a Frogwares tem a oferecer daqui para a frente.

É tudo isso mesmo?: The Sinking City 2 reinventa a franquia ao abraçar o survival horror na Unreal Engine 5 com maestria. A combinação de exploração atmosférica com um rico sistema de investigações e puzzles compensa os tropeços em momentos de combate frenético e entrega uma evolução notável para a Frogwares. João Antônio

8
von 10
2026-08-19T07:36:39-03:00

Recebemos The Sinking City 2 antecipadamente para review e agradecemos à Frogwares pela confiança.

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