Mortal Shell 2 Review: Uma experiência mortal, tanto para o bem quanto para o mal

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Anunciado no Summer Game Fest de 2025, Mortal Shell 2 chamou a atenção por sua evolução visual em comparação ao seu antecessor, lançado em 2017. Desde seu anúncio, vimos mais de seu gameplay, e uma demo pública foi disponibilizada para que muita gente pudesse testar o jogo de forma antecipada.
Mortal Shell 2 chega ao PS5, Xbox Series e PC em 20 de agosto de 2026, e o Combo Infinito teve a oportunidade de jogar de forma antecipada.

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Será que todas as evoluções e o escopo fazem de Mortal Shell 2 um produto melhor que seu antecessor?
Chegou a hora de sabermos se Mortal Shell 2 é tudo isso mesmo ou não.

Mas antes:

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Colete os ovos para a Mãe

Mortal Shell 2 é uma continuação independente que te coloca na pele de um ser intitulado Arauto. Após despertar, você é designado pela “Mãe” para coletar os ovos que estão sob a proteção de criaturas brutais. A partir disso, você seguirá sua jornada para coletar todos esses ovos a qualquer custo para cumprir o chamado da Mãe.

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Assim como os soulslikes da FromSoftware, Mortal Shell 2 se apodera da estrutura narrativa interpretativa, onde o jogador é inserido em um universo já em andamento e, por meio de artifícios visuais, documentos e diálogos desconexos, tenta entender o que está acontecendo. Mas, particularmente em Mortal Shell 2, isso não parece ser algo tão relevante quanto em Elden Ring ou Dark Souls, por exemplo, onde a narrativa, mesmo vaga, te faz querer descobrir mais.

A narrativa de Mortal Shell 2, mesmo que misteriosa, é simples e nada cativante, sendo facilmente engolida pelo gameplay. Se você só seguir o objetivo principal de purificar os portões e coletar os ovos, está tudo bem. Não há nada que te faça se apegar ao contexto deste mundo.
No entanto, algo interessante e que faz parte da narrativa são as histórias de origem das carcaças que você coleta. Assim, você vai entender mais das histórias de quem veio antes de você e de quem agora você tem a posse.

Uma das grandes evoluções de Mortal Shell 2 em relação ao seu antecessor é seu combate. O time do estúdio Cold Symmetry depositou grande esmero em como tornar o combate mais visceral e brutal. E prova disso está nas bem coreografadas e estilosas finalizações nos inimigos.

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Um combate visceral

Porém, o que torna isso ainda mais satisfatório e marcante é a atenção do estúdio em dar para cada inimigo uma finalização única. Aqui o protagonista não usa uma única finalização para todos os inimigos que ele encontra.

Mortal Shell 2 possui uma grande variedade de execuções. Dependendo do inimigo, nosso protagonista pode usar partes do corpo do próprio adversário ou as armas que eles usam para executar suas finalizações brutais.
Mortal Shell não é o que é sem suas carcaças. A continuação trouxe uma profundidade maior para elas em termos de evolução. Com a carcaça em uso, você pode evoluir seu vínculo e habilidades, e até mesmo desbloquear histórias que exploram a origem dessas carcaças, que foram pessoas que viveram antes da nossa jornada.

É perceptível a intenção do estúdio em dar mais protagonismo para as carcaças em Mortal Shell 2. Todos os elementos que fundamentam sua existência no game, seja na narrativa ou nas mecânicas, foram bem desenvolvidos. As inúmeras carcaças possuem uma abordagem distinta de gameplay, e as habilidades disponíveis conforme seu vínculo cresce com elas trazem uma dinâmica a mais ao combate.
Mortal Shell nunca foi sobre evoluir status, e esta continuação solidifica esse pilar dando ao jogador inúmeras formas de se jogar baseado no tipo de carcaça e nas armas que você escolhe. E olha que é um arsenal criativo e brutal!

Minha única ressalva vai para o dano dos inimigos, que está bastante desbalanceado, o que torna o desafio injusto em sua totalidade. Inimigos menores, com um único golpe, conseguem tirar o casco do personagem, e ficar sem o casco é morte certa.

Engenhosidades mortais

Se a Cold Symmetry não poupou criatividade em criar execuções específicas para cada tipo de inimigo, o mesmo não faltou na hora de criar armas para Mortal Shell 2. Divididas entre armas principais e secundárias, o arsenal de uso corpo a corpo varia desde uma simples espada até uma espécie de katana. Já no arsenal secundário, focado em armas de longo alcance, é onde a criatividade floresce. Você inicia a jornada com uma escopeta e depois pode ter um violão. Sim, um violão! Não se engane: a simplicidade do violão pode te trazer muitas vantagens. Enfim, todas essas engenhocas oferecem ao jogador múltiplas abordagens que se conectam de forma dinâmica ao estilo adotado com a carcaça que você escolheu.

No entanto, nenhum destes equipamentos seria o que é sem o tempero final: as pedras de Tar. Essas pedras que você encontra pelos cenários ou eliminando chefes possuem diversas finalidades. Baseadas em suas funções (suporte, habilidade, combate e infusão), você pode usá-las em sua arma principal e secundária, como também no personagem, oferecendo vantagens em combate.

Para finalizar, essas pedras, juntamente com as armas que você tem em mãos, podem ser evoluídas.
Mortal Shell 2, assim como seu antecessor, é um soulslike que não quer que o jogador se dedique a criar builds evoluindo atributos separadamente ou suas armas para saber qual é a melhor. É como se você pegasse um atalho onde sua única preocupação é escolher sua carcaça, suas armas principal e secundária, e as pedras de Tar certas para usar. Caso queira mudar de casco, faça isso sem se preocupar em redistribuir os pontos que você já investiu.

Esse atalho não torna o jogo uma experiência mais fácil que os demais soulslikes, que adotam os mandamentos escritos em pedra pela FromSoftware. Pelo contrário: Mortal Shell 2 vai te desafiar e te estressar por sua natureza ou, às vezes, por decisões antiquadas.

Maior e denso

A escala e o escopo de Mortal Shell 2 são inacreditáveis em relação ao seu antecessor. A Cold Symmetry realmente se dedicou em tornar isso nítido para quem jogou o primeiro jogo, e quem ainda não jogou ficará impressionado com os cenários vastos, com suas inúmeras masmorras para se explorar, bem como sua direção, que engloba os visuais dos inimigos.

Tudo em Mortal Shell 2 transmite uma sensação de grandeza e de expansão. Como quem jogou o primeiro jogo, eu fiquei impressionado com os feitos que um estúdio de aproximadamente 38 funcionários foi capaz de criar. A escala do mapa é gigantesca. Sempre há o que explorar e enfrentar nos cenários, sejam inimigos menores ou chefes, além dos chefes principais.

A jornada se baseia em você purificar uma quantidade de portões que sempre vão esconder um chefe que, ao ser derrotado, te fará avançar na história. Sem guias e objetivos na tela, ao melhor estilo Elden Ring, Mortal Shell 2 vai te oferecer uma vasta variedade de cenários presentes nas inúmeras masmorras espalhadas pelo mapa, nos portões que você tem que purificar e até mesmo nos locais de descanso presentes no jogo. Purificar estes locais de descanso desbloqueia a mecânica de “viagem rápida” daquela “fogueira”. Algumas só existem para justificar o escopo, mas outras exalam criatividade, como uma masmorra que te faz viajar no tempo para antes dos eventos do jogo e uma outra inspirada na obra de Cthulhu, de H.P. Lovecraft.

No entanto, todo esse conteúdo está inserido em um mapa cuja topografia não beneficia o jogador na hora da exploração. Por oferecer cenários verticais e planos, explorar cada canto do mapa é um desafio tão grande quanto os inimigos presentes nele.

Nem tudo são flores

O jogo não oferece um ponto de referência nos cenários para você se localizar. A impressão que tive ao explorar o mapa de Mortal Shell 2 é que eu estava em um labirinto circular que, em algum momento, iria conectar caminhos após minutos perdido. Não há uma continuidade na exploração ou artifícios visuais que mantenham o jogador bem orientado, mesmo que o jogo queira que você se perca.

Outra decisão negativa está no difícil acesso aos locais de descanso. Há cenários onde a distância de um local de descanso para outro é distante demais, tornando a morte menos punitiva do que refazer todo o trajeto até um boss ou continuar a explorar atrás de um novo local para descansar. São escolhas com viés de tornar a experiência desafiadora, mas que, no final, não tornam isso desafiador, e sim antiquado. Um outro detalhe ocorre durante a exploração dentro dos portões.

Estes cenários não possuem mapa. Assim, todas as “fogueiras” disponíveis nestes cenários não estão disponíveis para fazer viagem rápida para fora do portal. Se, antes de enfrentar um chefe principal, você quiser evoluir uma arma ou seu casco, deve retornar ao hub do jogo, mas não pode fazer uma viagem rápida até o local de descanso antes do chefe dentro deste portal. Para isso, você deve refazer todo o percurso anterior. É algo que te cansa não por te desafiar, mas por ser inconveniente.

Por fim, todo esse senso expansivo em escala, com inúmeras masmorras, como para purificar locais de descanso, às vezes acaba sofrendo da síndrome do excesso: a repetição e a perda da criatividade. Algumas dessas masmorras repetem os cenários, os inimigos e os chefes; às vezes, o que antes terminava em uma batalha contra um chefe se resume apenas a uma coleta de itens e eliminação de inimigos menores.

A bênção que também pode ser uma maldição

Migrando para a Unreal Engine 5 (o primeiro game foi concebido na UE4), Mortal Shell 2 se beneficia grandiosamente em seu aspecto visual. Adotando uma estética inspirada no universo de H.P. Lovecraft, como Cthulhu, todo esse universo cósmico é muito bem trabalhado e criado. A direção artística que transmite essa ideia sombria grita a cada novo cenário e a cada nova criatura que há para se derrotar. Os visuais e o design de todos os inimigos são impecáveis. Os chefes também ganharam um tom especial. A Cold Symmetry criou um universo fielmente sombrio e horrendo, e todos os elementos que coexistem para tornar isso real ornam de forma magnífica. É possível sentir o peso do quão sombrio aquele mundo é através de sua direção de arte imersiva.

O que deixou a desejar, na minha opinião, foi a presença da trilha sonora durante as boss fights para torná-las mais marcantes e épicas. Eu até entendo o fato de o estúdio dar essa atmosfera gótica, pesada e mortal nos arranhados da guitarra durante os confrontos, mas isso é tão sutil que não deixa uma experiência sonora marcante contra chefes tão imponentes e brutais.

Mas, da mesma forma que Mortal Shell 2 se beneficiou da UE5 em seu visual, ele sofreu com seu desempenho. Minha experiência com o jogo para fazer este review aconteceu em uma RTX 4070 Super da Nvidia, e os problemas de desempenho apontados no game, como quedas de fps e crashes em momentos relevantes, prejudicaram minha experiência. A maioria dos crashes e travamentos com quedas de fps (que foram muitos) aconteceu durante os combates, fazendo-me morrer, ao abrir o mapa, ou durante momentos de carregamento, como uma viagem rápida ou ao carregar o save do jogo. São problemas que certamente o patch de dia 1 irá resolver, mas que infelizmente mancharam minha jogatina no PC.

Além do crash e do fps instável, presenciei inúmeros bugs, muitos dos quais externam uma falta de polimento por parte do estúdio. Foram bugs que tiraram a satisfação de derrotar um chefe porque ele deixava de me atacar por conta de eu ter chamado um companheiro para a batalha na hora, ou bugs que prejudicavam minha experiência com a câmera, que ficava presa nos pés do personagem.

Veredito

Mortal Shell 2 é um feito incrível para a Cold Symmetry. O escopo, a escala e as ideias mostram uma grande evolução em relação ao seu antecessor. Contudo, este desejo de ser maior, ao mesmo tempo em que se tornou uma bênção, tornou-se uma maldição. Grande parte dos problemas técnicos encontrados não foi desleixo ou falta de compromisso, mas sim a realidade de um projeto maior do que o antecessor para uma equipe pequena, que não conseguiu ter tempo hábil para polir e trabalhar a otimização nos aspectos técnicos. E isso não é um demérito. Mas, às vezes, almejar algo que está longe da realidade pode trazer consequências negativas. E Mortal Shell 2 herda isso, embora eu não possa negar que ele traz uma experiência recheada e vasta, com ideias promissoras como um soulslike cheio de identidade.

Mortal Shell 2 precisava de mais um certo tempo pra polimento, acabar com seus bugs e otimizar desempenho.
Se você deseja adquirir a versão de PC, sugiro que espere por patches de atualização que melhorem os problemas que presenciei neste review.

É tudo isso mesmo?: Mortal Shell 2 expande dramaticamente seu escopo no gênero soulslike com uma atmosfera fantástica e sombria de inspiração lovecraftiana, progressão recompensadora baseada em carcaças e execuções de combate excepcionalmente brutais e variadas. Ambientes vastos e um arsenal criativo conferem à jornada uma escala imensa e uma identidade de gameplay marcante. Contudo, o design de mapa confuso, mecânicas de travessia cansativas e o dano desbalanceado dos inimigos frequentemente prejudicam o ritmo, enquanto quedas severas de taxa de quadros e travamentos afetam o desempenho técnico no PC. Apesar dessas arestas não polidas, o crescimento estrutural ambicioso, a impressionante direção de arte e as mecânicas profundas de combate resultam em uma experiência de ação envolvente e altamente imersiva para os entusiastas do gênero. João Antônio

7.5
von 10
2026-08-17T10:00:59-03:00

Recebemos Mortal Shell 2 antecipadamente para review e agradecemos à Cold Symmetry juntamente com Playstack pela confiança.

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