Análise | Perception nos trás um ponto de vista inédito para o gênero Survival Horror

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2017 têm sido um grande ano para os amantes do gênero Survival Horror, que já puderam degustar desde de um reformulado Resident Evil até mesmo um novo e saboroso Outlast 2. Mas dentre os grandes lançamentos do ano, temos de certa forma “escondido” o game Perception, produzido pela The Deep End Games e que passou despercebido em meio ao turbulento período de E3 que tivemos semana passada. Nós do Combo Infinito recebemos uma cópia do jogo, e você confere aqui nossa análise sobre este que promete trazer uma perspectiva um tanto quanto diferente para um game que propõe lhe dar sustos.

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Uma trama digna de Stevie Wonder

Ignorem o trocadilho. Foi infame, eu sei. Mas de fato a trilha sonora do game é o que importa quando estamos no controle de Cassy, a protagonista do game – que por acaso é deficiente visual. “Wow, como assim jogamos com uma garota cega?” Exatamente! Não só é uma ideia genial – sem sarcasmo – como também é algo que nunca vimos sendo explorado, o que faz com que à primeira vista o game já possua um ar de “único“. Mas infelizmente, a boa impressão não chega à durar tanto quanto o esperado.

A trama se desenrola ao entorno de Cassie e sua busca por respostas referentes à visões que ela tem sobre uma casa totalmente bizarra e pessoas relacionadas à ela. O objetivo do jogador é o de encontrar novas pistas dentro desta casa misteriosa, que levam à entender não só o que aconteceu com as antigas gerações de famílias que viveram na residência, como também começam à revelar mais sobre o passado de Cassie e a forma como ela lidou com alguns dos momentos da vida.

O fato da protagonista possuir um certo carisma acaba sendo algo extremamente positivo durante a abordagem de certos momentos do jogo, onde ela mesma tenta deduzir o que está de fato acontecendo. Porém, mesmo que Cassie consiga de fato prender a atenção do jogador, ela acaba se tornando o único e real destaque, em meio a uma trama onde qualquer outro personagem aparenta ser irrelevante ou descartável – e isso vale até mesmo para o “inimigo“.

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A realidade sobre como o Demolidor lida com a vida

Não só Cassie acaba sendo uma protagonista interessante, como o formato de sua jogabilidade também é algo peculiar. Para enxergar, a personagem funciona com base em um sistema de ecolocalização, o que faz com que seja possível de enxergar o formato do cenário e seus objetos através de sons que ecoam pelo lugar. Em resumo, o jogador precisa bater nas coisas enquanto se movimenta para que consiga enxergar – bastante semelhante à forma como a audição se torna o sentido mais aguçado.

No entanto, a pegadinha de Perception está por trás do limite de sons que é colocado ao jogador, que se fizer muito barulho para se localizar, será pego por uma espécie de presença que ronda a casa – e que no fim das contas, acaba provocando um encontro mais incomodo do que desafiador. O game aparenta ter sido projetado em primeira instância com foco em sua narrativa, tentando criar uma espécie de atmosfera para que o jogador tenha mais apreço pela protagonista, e em segundo lugar, temos uma espécie de reprodução do gênero stealth, onde o máximo que Cassie pode fazer é se esconder e esperar pelo melhor. Literalmente.

Se você esperava que a protagonista também distribuísse alguns socos, infelizmente nem todos são como o Demolidor. Outro detalhe sobre o game, é que a residência que o jogador explora tende à mudar sua configuração à medida que o jogador avança e descobre novos detalhes sobre a trama, criando uma espécie de reinvenção.

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Será que assusta?

É muito relativo dizer que Perception faz jus diretamente ao sentido de Survival Horror pois a maneira como o game tenta te arrancar alguns calafrios é bastante simples. Eu por exemplo, medroso como sou, me assustei com algumas partes do game por conta do estilo de visão dele – e pelo fato de um wild fantasma muito louco ter aparecido do nada – que não foi o suficiente para assustar minha irmã ou minha namorada que estavam acompanhando enquanto eu o jogava.

É digno dizer que o game faz jus ao que promete pois de fato ele trás uma visão até então única, mas de certa forma, se víssemos como um game em estilo de cor e visão normal, é provável que ele fosse algo como um game genérico do estilo de terror em primeira pessoa.

Veredito

Uma boa premissa bem executada é o que você poderá encontrar em Perception, mas o game não consegue entregar o suficiente para bater de frente com outros grandes do gênero lançados este ano em quesitos como história, atmosfera e até mesmo diversão.

O game já está disponível com versões para Xbox One, PS4 e PC.


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