Ace Combat está de volta!
Já se passaram 9 anos desde o último jogo da franquia Ace Combat. O ano de 2026 marca o retorno da franquia conhecida por sua excelência em simular a experiência de pilotar caças de guerra. Particularmente, eu vejo a Project Aces, subsidiária da Bandai Namco e responsável pela franquia, da mesma forma que a Polyphony Digital é para a franquia Gran Turismo.
Dito isso, Ace Combat 8: Wings of Theve é o mais novo jogo da franquia, que estreia em 2 de outubro de 2026 no PC, Xbox Series e PS5. O novo capítulo da série promete uma história mais desenvolvida e cinematográfica, enquanto os céus estão mais realistas. Mas será que é o suficiente para compensar a grande espera dos fãs?
Como fazer uma farsa se tornar um símbolo de esperança
Um dos grandes destaques de Wings of Theve é o empenho da Project Aces em trazer uma experiência narrativa mais cinematográfica. No nosso teste no Summer Game Fest deste ano notamos este aspecto, e no produto final se cumpriu. Em Ace Combat 8, os personagens possuem mais profundidade e cinematografia durante a campanha. Toda essa atenção traz um aspecto semelhante presente nas produções de Hideo Kojima, como o cuidado com os detalhes e até a opção de aproximar a visão do protagonista para os demais personagens durante os diálogos.
Em Ace Combat 8, você é um co-piloto de uma lenda do esquadrão “Wings of Theve” que, nos minutos iniciais do jogo, morre em um ataque contra as forças inimigas de Sotoa. Desta forma, o jogador assume a posição de piloto e segue com a missão de manter o legado do esquadrão vivo, mesmo que tudo não passe de uma farsa. Ao seu lado estão Baxter, Tasha e Coster, que eram companheiros do falecido piloto e que agora depositam toda a expectativa em você.


De fato, o grande diferencial de Wings of Theve é a forma como sua narrativa se desenvolve. A morte de Cope não foi o fim para o habilidoso piloto que nunca fez um abate. Ao morrer, a consciência ou a alma de Cope invade a mente do nosso protagonista e, durante toda a campanha, Cope estará em nosso subconsciente externando seus pensamentos filosóficos sobre a guerra. Essa dinâmica é um dos grandes charmes desta história, que aprofunda bastante o lado humano destes guerreiros alados e compensa a ausência de fala do protagonista.
Além de toda a interação e dos detalhes técnicos militares explorados, a narrativa traz muitas reviravoltas e momentos impactantes, algo característico da série.
Uma dublagem fez falta
O título possui legendas em português do Brasil, mas uma dublagem tornaria a experiência narrativa ainda melhor. Falo isso, pois a narrativa de Ace Combat 8 não se desenvolve apenas nas cinemáticas. Durante o gameplay há muita exposição de diálogos importantes e, por muitas vezes, eu perdia o que estava sendo dito porque estava concentrado em pilotar meu caça durante os combates, mesmo tendo que escolher entre “sim” ou “não”. Portanto, ter uma dublagem seria essencial para não perder estes momentos relevantes.
Por fim, toda a mitologia por trás de Ace Combat 8 é impressionante. A ideia de desenvolver mais sua trama com personagens mais profundos e carismáticos, somada a toda a inspiração em Top Gun: Maverick e Missão: Impossível, entrega uma das melhores campanhas da franquia e uma das melhores narrativas de 2026.
O que já era bom só melhorou sob a ótica da atual geração


A franquia Ace Combat é um simulador de pilotagem de caças de guerra, mas também exala um toque arcade na hora de te levar para o combate. Toda a ideia de simulador está na forma como as mecânicas de voo funcionam e nas diversas opções de controles disponíveis. Mas é na parte arcade da experiência que a franquia brilha, e com Ace Combat 8 isso ganhou ainda mais fôlego. Se você é fã da franquia, a forma de jogar ainda é a mesma, enquanto o grande salto está na forma como as missões foram construídas e no escopo deste capítulo.
Se você ainda não jogou nenhum jogo da série, as mecânicas vão assustar e parecer difíceis, mas isso é questão de tempo até a adaptação. Depois disso, você se sentirá um verdadeiro piloto de caça.
Tudo parece mais grandioso neste novo jogo. As missões, os objetivos e a forma como a ameaça inimiga é apresentada revelam a intenção ambiciosa do estúdio de entregar missões épicas e “impossíveis” de completar, seja enfrentar um encouraçado terrestre ou eliminar uma legião de caças inimigos. Todos estes momentos são empolgantes e te farão vibrar ao completar cada nova missão.
Mas nem tudo consiste em eliminar caças inimigos. Ace Combat 8 tem missões de escolta e de fuga, por exemplo, que quebram a sensação de adrenalina dos intensos confrontos. O que, do meu ponto de vista, se torna benéfico, pois traz variedade à experiência. Contudo, conforme me aproximava do final do jogo, muitas missões baseadas em atingir pontuação dentro de um limite de tempo se repetiram, e parte disso se deve ao excessivo número de missões que o jogo possui: um total de 30.
Uma árvore de habilidades nada justa
O jogo tenta sair do gameplay nos céus trazendo momentos de jogabilidade onde você controla o protagonista em solo, mas isso acontece através de QTEs (Quick Time Events). Nada agregador para o gameplay. Poderia ser um take adicional de cinemática ao invés de querer simular um gameplay onde controlamos o personagem em solo sem proporcionar isso de fato.
Conforme você avança, é possível desbloquear novas naves e peças para customizá-las. É uma mecânica presente no jogo anterior, mas que desta vez está maior. A “Árvore da Aeronave”, assim intitulada, tem uma gama de aeronaves e peças nas quais, em uma primeira jogatina, não será possível obter tudo. Minha grande ressalva para este sistema é como ele está à disposição do jogador.
A forma como a “Árvore da Aeronave” desbloqueia as peças e algumas aeronaves não parece tão justa, pois há algumas peças e naves que estão conectadas e só ficam disponíveis após um desbloqueio prévio. Às vezes, para você desbloquear uma peça, é preciso gastar o dinheiro que você tem em uma aeronave de que não precisa apenas para dar continuidade à progressão da árvore. Poderia haver uma divisão de aeronaves e de peças para o jogador escolher onde quer gastar seu dinheiro.
Mesmo com estas ressalvas, Ace Combat 8 eleva o gameplay da franquia com momentos marcantes e de pura adrenalina, onde cada abate é satisfatório e, a cada aterrissagem, você estica as pernas de forma involuntária para evitar que sua aeronave se choque com o chão.


Toda essa experiência de ação nos céus não fica devendo em nada a franquias que levam a guerra para a terra firme, como Battlefield e Call of Duty. E esse aspecto se estende ao modo multiplayer.
Onde suas habilidades são postas à prova
O modo online é onde a diversão se amplia com novos modos e uma progressão independente. Os modos trazem desafios e estratégias diferentes, e ao lado de amigos isso se torna algo indispensável.


A campanha não traz a exploração de um hangar militar onde você anda por diversos locais, mas o segmento online traz isso: você cria seu personagem e visita setores com missões, suprimentos e afins.
A dinâmica dos modos lembra muito Call of Duty, com partidas frenéticas e modos similares, como o mata-mata em equipe, além de um modo PvE.
O modo online é um ecossistema independente com seu próprio sistema de evolução, onde você pode carregar skins; porém, as peças que você desbloqueia na campanha não migram para as partidas contra outros jogadores, algo para balancear a experiência. Minha ressalva quanto ao modo é referente ao tempo das partidas em modos como o mata-mata, pois são rápidas demais; se você pegar um time adversário muito bom, não tem como reverter o placar.
Outro ponto é a maneira rígida de montar seu esquadrão. Em uma partida com amigos, foi bastante complicado montar um grupo.
Um céu inesquecível


Além do tom mais cinematográfico da narrativa, Ace Combat 8 trouxe um aspecto visual ainda mais realista, graças ao uso da Unreal Engine 5. O nível de densidade das nuvens é o ponto mais alto desta nova versão visual da franquia. O realismo do combate ganhou uma nova camada com mais efeitos de explosões e mais fidelidade no design dos caças. Todos estes detalhes tornam os combates aéreos um espetáculo à parte.
Em Ace Combat, o céu é o protagonista, e neste novo capítulo ele recebeu ainda mais destaque.
Todo este aspecto realista respinga de forma natural na narrativa através do visual dos personagens. Toda a atenção em entregar fidelidade nas expressões faciais nesta nova história lembra o mesmo tratamento que Tekken 8 recebeu.
Somada à experiência visual, Ace Combat 8 também possui uma excelente trilha sonora que eleva a experiência do combate. Em certos momentos da campanha, a trilha sonora toma conta da ação, entregando momentos épicos.
Além disso, a sonoplastia do jogo possui uma ligação direta com a narrativa. Há momentos na campanha em que um esquadrão chamado “Shadows” aparece e você deve eliminá-los: toda vez que este esquadrão surge, uma trilha guiada por um coral nasce, transmitindo toda uma ideia de superioridade que este esquadrão possui.


E o mais impressionante é que essa curta trilha faz parte de uma música tocada em um momento muito importante do jogo. Toda essa qualidade sonora coloca a trilha sonora de Ace Combat 8 como uma das melhores do ano.
Por fim, minha experiência aconteceu na versão de PC do jogo que, por curiosidade, não apresentou suporte ao DLSS, mesmo havendo uma confirmação prévia da presença da tecnologia da Nvidia. O jogo sofreu leves quedas de FPS, mas nada grave.
Veredito


Ace Combat 8: Wings of Theve é o culminar da franquia em termos narrativos e visuais. Seu novo capítulo amadurece aspectos ausentes em títulos anteriores e os evolui de forma grandiosa. Embora com algumas escolhas questionáveis, o conjunto da obra faz de Wings of Theve o melhor jogo da franquia.
É tudo isso mesmo?: Ace Combat 8: Wings of Theve é a culminação narrativa e visual da franquia da Bandai Namco. Equipado com Unreal Engine 5, o jogo oferece combates épicos e cheios de adrenalina ao lado de uma campanha surpreendentemente cinematográfica, superando pequenas rigidez tanto no modo de progressão quanto no modo online. – João Antônio
Recebemos Ace Combat 8: Wings of Theve gratuitamente para review e agradecemos à Bandai Namco pela confiança.










