Com lançamento previsto para o dia 24 de novembro, chega Constance, um jogo que acompanhei há bastante tempo e que finalmente estreará no PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 1 e PC. Agora que jogamos a versão final que recebemos de forma antecipada, podemos contar pra vocês se esse jogo é tudo isso mesmo ou não.
Sinopse


Constance é o nome da protagonista, uma artista que vive lutando contra seus próprios demônios internos. O jogo usa o tema da tinta, da arte e da criatividade como pilares para mostrar as batalhas emocionais que ela enfrenta, incluindo burnout, depressão e sentimentos de inadequação.
Ao receber um pincel especial, Constance passa a navegar por esse mundo interno, enfrentando entidades e memórias que simbolizam seus bloqueios e dores. A narrativa é bastante emocional, íntima e conduzida por pequenos momentos jogáveis que revelam mais sobre sua vida e sua mente.
História: simples, intensa e bem contada


A narrativa é fragmentada em quatro “lágrimas” que Constance precisa encontrar, além de outros momentos importantes de gameplay que se tornariam spoilers. Cada lágrima abre uma sequência jogável que funciona como um minigame narrativo.
São todos bem diferentes e muito interessantes, mostrando que o estúdio tem ideias bem legais pro gênero e usa todo o formato do game para realmente contar uma história inspiradora, e muitas vezes bem triste. Contudo, muito que o jogo oferece nesse aspecto é facilmente confundível com nossas próprias vidas.
Esses momentos explicam melhor o estado mental da protagonista e revelam seu passado, suas angústias e sua dor. É um jogo com coragem de ser emocional, sem medo de abordar temas reais e delicados. Esse equilíbrio entre progressão e narrativa funciona muito bem. Inclusive eu até gostaria de ver mais e é muito bem-vindo que todos esses momentos sejam jogáveis.
Visual e Desempenho


O jogo lembra muito Hollow Knight na forma, mas entrega um estilo próprio mais vibrante e artístico. Como tudo gira em torno de tinta, cores e expressão, o visual sempre traz cenários vivos, detalhados e cheios de movimento. A parte artística é um grande acerto: rica, expressiva e coerente com o tema.
Rodando no ROG Ally Z1E, Constance manteve 1440p a 60 fps na TV e 1080p a 120 fps no portátil. É um jogo leve, muito bem otimizado e que funciona bem em qualquer configuração. No áudio, ele segue a linha “quase Hollow Knight”: vozes estilizadas, poucas falas completas e um foco forte em efeitos sonoros e trilhas que reforçam emoção e ação. A trilha sonora, aliás, é surpreendentemente impactante e foi uma das grandes surpresas do review.
Gameplay: Hollow Knight com pincel


A jogabilidade é totalmente inspirada em Hollow Knight: movimentação, ritmo, dash, ataques, exploração e estrutura geral. A diferença está no pincel. Ele adiciona habilidades novas, golpes especiais que consomem tinta e até riscos narrativos: se você gasta tinta demais, Constance entra em estado fragilizado e pode perder vida ao tentar usar certas habilidades. Curiosamente esse estado tira a tinta do cabelo dela, como se fosse um pintor sem ferramenta ou um artista sem inspiração.
Tudo é bastante similar a Hollow Knight no feeling, mas diferentes em formas de gameplay que Constance tenta ou inovar ou reinventar. As habilidades funcionam bem e tornam a movimentação divertida, principalmente quando você aprende a usar a tinta para atravessar obstáculos, criar explosões ou navegar por áreas mais complexas. Existem muitos momentos de plataforma que são ótimos pra desafios inclusive.
Exploração e Mapa


O mapa é funcional, direto e dividido por biomas bem definidos. Ele mostra claramente onde estão as lágrimas e evita deixar o jogador perdido desnecessariamente. No entanto, o mapa não indica a posição exata da protagonista dentro de cada sala, apenas o “quadrado” geral, o que torna difícil saber se você explorou tudo. Não chega a atrapalhar a experiência, mas poderia ser melhor.
O backtracking é constante e bem integrado ao design. Muitas áreas vistas no início só podem ser alcançadas depois de conquistar novas habilidades. Há também sistemas de teletransporte em forma de elevadores, bem posicionados e úteis. Eu ainda prefiro quando podemos nos teleportar mesmo para os pontos de descanso, mas entendo a escolha de design ser apenas nos elevadores.
Level Design e Biomas


Os biomas são variados, cheios de personalidade e trazem mecânicas próprias. Os desafios são muito bem criados e acompanham de perto a evolução das habilidades de Constance. O design é gostoso de jogar: desafiante sem ser frustrante, criativo sem ser confuso. Tudo parece que está no lugar certo.
Os inimigos possuem comportamentos variados e lembram bastante o estilo Hollow Knight: alguns pulam, outros se penduram no teto, outros exigem precisão de posicionamento. A variedade é boa e incentiva o jogador a mudar estratégias.
Os chefes são o ponto alto: visualmente incríveis, com boas trilhas e batalhas marcantes. Um trecho em particular, ambientado num bioma que lembra um circo itinerante, oferece uma sequência memorável de lutas. Mas não espere a mesma dificuldade de Hollow Knight ou Silksong. O jogo é mais fácil que eles.
Punição vs Persistência


Constance muda completamente a lógica de punição dos jogos Metroidvania: não existe penalidade severa ao morrer. Nada de perder itens, moeda ou progresso. Quando Constance cai, você pode escolher:
- Voltar ao santuário (o equivalente aos bancos do Hollow Knight),
- Persistir, que torna os inimigos mais fortes e aumenta a dificuldade.
Persistir é uma mecânica narrativa e mecânica ao mesmo tempo: torna tudo mais difícil, mas permite continuar avançando se você estiver longe de um santuário. Essa decisão combina perfeitamente com o tema emocional do jogo. Os inimigos ficam intransponíveis, fazendo com que muitas habilidades de Constance se tornem perigosas pra ela. Como se ao persistir, você precisasse entender que mesmo na coragem, a vida pode te ferir ao fazer a coisa certa.
Considerações Finais


Constance é um jogo menor e mais simples que Hollow Knight, mas cheio de personalidade e qualidade. Ele não tenta competir em escala, mas sim em emoção, estilo visual e boas ideias. O uso da tinta, a narrativa íntima, o level design criativo e a trilha sonora impressionante fazem dele uma experiência sólida e marcante.
É o tipo de jogo perfeito para intercalar entre experiências grandes. Tem entre 12 e 15 horas, é direto, emocionante, fluido e cheio de boas ideias. Constance merece ser jogado e merece apoio pelo talento evidente do estúdio.
Constance: Constance é menor e mais simples que Hollow Knight, mas compensa em personalidade, emoção e ideias criativas. Com uso inteligente de tinta, narrativa íntima e trilha marcante, oferece uma experiência sólida de 12 a 15 horas que vale totalmente o apoio ao talento do estúdio. – M@xpay
Recebemos Constance gratuitamente para review e agradecemos à Blue Back Pack e à btf GmbH pela confiança.











