Crisol: Theater of Idols Review – Conhecendo o folclore e o terror espanhol

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Crisol: Theater of Idols

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Eu sou um grande entusiasta de obras que optam por explorar as culturas de seu país de origem, ao invés de buscar inspiração externa. Obras como Black Myth Wukong e Clair Obscur: Expedition 33 são um grande intercâmbio digital e interativo que me encantaram com suas origens e culturas, e me fizeram querer consumir mais da cultura daqueles países, além da experiência no videogame.

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Pois bem, um outro título que chegou ao mercado recentemente e que decidiu apresentar aos jogadores um pouco da cultura espanhola é Crisol: Theater of Idols. Desenvolvido pelo estúdio espanhol Vermila Studios, Crisol traz ótimas ideias e inspirações nítidas de clássicos do survival horror em uma experiência em primeira pessoa.

O título chegou ao mercado em 10 de fevereiro de 2026 nas plataformas PS5, Steam e Xbox Series, e agora podemos falar se Crisol: Theater of Idols é tudo isso mesmo.

Conhecendo o folclore espanhol

Crisol: Theater of Idols usa o folclore espanhol como base e foca no conflito entre um “Deus Sol” (ligado a uma atmosfera oculta) e as forças do mar, retratando a Espanha de forma estilizada e mítica em sua versão fictícia chamada Hispania. No controle de Gabriel, um soldado que consegue usar seu próprio sangue como arma, você embarcará em uma jornada em uma ilha repleta de segredos e que abriga um mal, para cumprir uma missão divina do Deus Sol.

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Repleta de inspirações culturais e históricas, a narrativa de Crisol se beneficia muito desses elementos. Desde a ambientação até o elenco, tudo transmite de forma positiva a origem e a cultura que inspiraram o jogo. O grande ponto de desgaste da história está em seu elenco de personagens. Tanto Gabriel quanto os personagens secundários são incapazes de criar qualquer conexão. Pelo menos comigo, não consegui me sentir atraído por nenhum deles.

Além disso, o desenrolar desta jornada é lento e, por muitas vezes, tedioso. Gabriel nunca chega onde quer chegar e o clímax é algo que nunca se alcança. Sempre muito misteriosa, a narrativa opta por esconder seus vilões, enquanto Gabriel permanece em uma constante jornada de caça ao rato que parece nunca ter fim.

Inspirações e boas ideias

O grande poder de Gabriel está na sua habilidade de recarregar suas armas com seu próprio sangue. Contudo, essa habilidade também lhe custará o consumo de partes da sua vida, algo bastante similar às balas de sangue de Bloodborne. Portanto, toda essa mecânica, que faz da sua barra de vida também um mecanismo de munição, traz ao gameplay de Crisol uma pegada mais estratégica, embora ainda seja um FPS com uso de armas de fogo.

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Para amenizar essa mecânica punitiva, o jogo oferece meios para regenerar sua vida enquanto ela se esgota conforme você usa sua arma para eliminar os inimigos. Nos cenários, você poderá encontrar, além de seringas que regeneram sua vida, animais e humanos dos quais é possível absorver sangue. Toda essa ideia é interessante e adiciona mais tensão ao survival horror de Crisol.

Falando nisso, Crisol tem um ritmo cadenciado que respeita suas fontes de inspiração, como Resident Evil 7, por exemplo. Não só isso, mas toda a topografia do mapa (sob as cores vermelha e azul para identificar se uma área foi totalmente explorada ou não)  demonstra cuidado, assim como seus puzzles criativos e o alto nível de backtracking. Há muito o que se coletar em Crisol, e a experiência após finalizar o game é interessante.

Quanto às habilidades e upgrades de armas, ambas possuem limitações, embora custe caro obtê-los. Conforme você progride no jogo, coleta moedas e recebe uma moeda ao derrotar inimigos.

Perseguidores e inimigos genéricos

Ao longo da estadia de Gabriel na ilha de Tormentosa, inimigos e perseguidores ficarão responsáveis por tornar a experiência do jogador mais urgente. Contudo, a falta de complexidade e o design genérico dos inimigos não os tornam marcantes, muito menos persuasivos. Ao optar por bonecos de gesso como ameaça, todo o sentimento de tensão e urgência dificilmente é alcançado. E isso só se agrava com a repetição inevitável dos inimigos. A única coisa que pode causar tensão é a falta de impacto dos tiros e dos golpes, bem como a imprecisão da mira e a alta resistência dos inimigos a balas, mesmo sendo seres feitos de gesso.

Enquanto isso, há a presença de perseguidores de grande porte que até tentam causar sustos ou medo. Mas, infelizmente, a forma como são inseridos na gameplay, principalmente em locais abertos, quebra toda a dinâmica de perseguidor e perseguido que vivenciamos com Mr. X e Jack Baker.

Ótima estética com leves instabilidades

Um dos grandes destaques de Crisol: Theater of Idols é sua estética totalmente voltada para o folclore espanhol. Todo o cenário e ambientação, assim como o figurino dos personagens, representam bem o plano de fundo do jogo. Todos os elementos, desde armas até itens, representam bem a estética escolhida. Explorar cada lugar me fez querer entender mais sobre os mitos e culturas presentes na Espanha.

Partindo para uma análise mais técnica, Crisol não faz uso do DLSS da Nvidia. Em vez disso, opta pelo XeSS da Intel, que surpreendentemente conseguiu entregar excelente performance com um belo uso do Lúmen (tecnologia de iluminação global da UE5).

Poucas vezes presenciei quedas bruscas de FPS durante minha experiência no PC.

Mas afinal, Crisol: Theater of Idols é tudo isso mesmo?

Crisol: Theater of Idols é o primeiro jogo da Vermila Studios, e posso dizer que fiquei surpreso com suas boas ideias, embora com algumas ressalvas. Mesmo com uma história que nunca chega ao seu clímax e com personagens fracos, o jogo apresenta uma excelente mecânica de recarga de munição ao sacrificar a própria vida, enquanto tenta conquistar os fãs de survival horror com sua forte inspiração em Resident Evil 7.

No fim das contas, é uma experiência que vai te fazer jogar por horas graças ao alto nível de backtracking, além de oferecer uma nova forma de jogar survival horror com sua mecânica punitiva

Veredito: Crisol: Theater of Idols aposta no folclore espanhol e traz uma mecânica interessante onde a munição consome sua própria vida. Inspirado em Resident Evil 7, o jogo acerta na ambientação e no backtracking, mas sofre com narrativa lenta, personagens fracos e inimigos pouco marcantes. João Antônio

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2026-02-17T13:56:34-03:00

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