Com lançamento para o dia 5 de setembro no PS5, Xbox Series, PC e Nintendo Switch 2, Cronos: The New Dawn é a mais nova IP da Bloober Team depois da prova de fogo que o estúdio passou com o remake de Silent Hill 2. Com uma temática pós-apocalíptica, o jogo é uma nova experiência survival horror em terceira pessoa que bebe da fonte de muitos conceitos de franquias que se tornaram referências no gênero.
Após anos se dedicando ao gênero de terror com a franquia Layers of Fear, The Medium e Bruxa de Blair, o remake de Silent Hill 2 foi uma mudança de rota para o estúdio. Mas agora com tanta experiência e voltando a trabalhar em um jogo autoral, será que Cronos: The New Dawn é tudo isso mesmo?
Uma jornada entre o passado e o futuro


Em Cronos: The New Dawn, você assume o controle de uma viajante em uma Cracóvia, uma cidade no sul da Polônia, totalmente devastada. Os motivos para essa realidade pós-apocalíptica são desconhecidos. Para desvendar o que de fato aconteceu, você deverá vasculhar o futuro em busca de fendas temporais que o transportarão de volta para a Polônia da década de 1980 e deve encontrar pessoas importantes do passado, que pereceram no apocalipse, extraí-las e carregar suas essências para o futuro.
A narrativa de Cronos é enigmática e complexa, carregada de termos científicos, característica já conhecida da Bloober. O enredo se torna ainda mais envolvente com a mecânica de viagens no tempo, que aprofunda os dilemas dos personagens. Embora os modelos não atinjam o nível impressionante visto em Silent Hill 2 Remake, a evolução no realismo facial é clara, permitindo expressões convincentes.
No futuro, o que resta é uma Cracóvia em ruínas, marcada por viajantes perdidos e documentos que ajudam a reconstruir os acontecimentos. Essa escolha narrativa funciona como uma homenagem à cidade, e a mistura de ficção científica com tons dramáticos entrega uma experiência densa e envolvente. Complementando tudo, a trilha sonora é memorável, misturando referências a Stranger Things com elementos eletrônicos e corais que intensificam a atmosfera.
A Bloober Team sabe criar atmosferas


Se existe algo que a Bloober domina é a construção de atmosferas. Desde Layers of Fear, o estúdio já demonstrava talento, mas em Cronos esse domínio se confirma. A ambientação é sufocante, ameaçadora e envolvente, com cenários que alternam entre corredores claustrofóbicos cobertos por casulos grotescos e áreas externas tomadas por névoa e poeira, remetendo diretamente à tensão clássica de Silent Hill.
O áudio é um espetáculo à parte: cada passo, gemido, grito ou ranger ecoa de maneira precisa, o que cria uma sensação constante de inquietação. O jogador nunca se sente sozinho, e os sustos surgem no momento exato. Esse cuidado coloca Cronos no mesmo patamar de grandes nomes do survival horror, ainda que mantenha identidade própria.
Além disso, a Bloober ousa em momentos criativos. Sessões sem gravidade transformam o level design em algo quase experimental, com mudanças de câmera e cenário que surpreendem. Apesar de seguir uma estrutura linear, o jogo valoriza a exploração ao incluir áreas secretas que sempre recompensam a curiosidade do jogador.
Gráficos e desempenho


Totalmente construído na Unreal Engine 5, Cronos foi agraciado pelo poder gráfico da Engine da Epic. A iluminação, os efeitos de sombra e toda a direção de horror que o game transmite entregam ao jogador uma imersão profunda. Jogar Cronos: The New Dawn é uma experiência tecnológica marcante.
Em termos técnicos, rodamos o jogo em uma RTX 4070 Super na resolução 2K (2650×1440) a 60fps. Embora haja algumas quedas de desempenho, elas não são bruscas, mesmo com o frame generation ativado. Trata-se de um problema crônico da Unreal Engine 5, mas que, felizmente, não prejudica a experiência de forma significativa.
Uma mistura que não virou gororoba


Cronos traz à tona referências claras a Resident Evil, Silent Hill e Dead Space. A cadência do gameplay, a escassez de recursos e os puzzles remetem aos pilares clássicos do gênero. No combate, o peso da armadura e a ausência de esquiva evocam lembranças do trabalho da EA com Isaac Clarke. Ainda assim, o jogo não é apenas um amontoado de cópias. A Bloober soube adaptar essas influências e dar identidade própria à experiência.
Um exemplo é o sistema de craft. Com uma dinâmica semelhante à de The Last of Us, você pode criar itens de cura, munição e outros equipamentos em tempo real. Outro acerto está nas essências coletadas de personagens do passado e de viajantes mortos no futuro. Elas funcionam como habilidades passivas que afetam a protagonista. É um sistema engenhoso que evita menus complexos e mantém a imersão.
Um excelente survival horror, mas…


O combate é tenso e desafiador. O jogador precisa lidar com inimigos agressivos e velozes, que podem se fundir e se transformar em versões ainda mais resistentes. Essa mecânica traz muita adrenalina, criando batalhas imprevisíveis em que um simples descuido pode custar caro. E, para tornar tudo mais difícil, você só tem a munição necessária para enfrentar as ameaças. O fogo é o antídoto, mas não está sempre disponível em seu arsenal.
No entanto, o jogo sofre com problemas de balanceamento. A escassez de munição vai além do necessário para criar tensão e, em alguns momentos, se torna frustrante. Há situações em que a quantidade de inimigos na tela supera em muito os recursos disponíveis, e mesmo a possibilidade de criar munição não resolve o problema. Nesses casos, a sensação de injustiça prevalece.
Outro ponto que pesa é a variedade de inimigos. Apesar do bom design e da mecânica de fusão, o número de modelos é limitado, o que gera repetição ao longo da campanha. Ainda que o combate continue intenso, a falta de diversidade compromete a profundidade do universo.
Mas afinal, Cronos: The New Dawn é tudo isso mesmo?


Cronos: The New Dawn é a prova definitiva de que a Bloober Team amadureceu como estúdio. A ambientação é de altíssimo nível, a narrativa é intrigante e a jogabilidade consegue equilibrar homenagens e identidade própria. Mesmo com falhas no balanceamento e na variedade de inimigos, o resultado final é um survival horror digno de ser colocado ao lado dos grandes nomes do gênero.
Cronos: The New Dawn: Cronos: The New Dawn é um dos melhores survival horror feitos na atualidade. Sua cadencia, ambientação e combate respeitam os dogmas de um verdadeiro título do gênero, além de elevar o nível para os próximos títulos. Embora a falta de variedade ocasionando na repetição de inimigos, e problemas de balanceamento na coleta de recursos, Cronos: The New Dawn marca uma nova era para Bloober Team, da qual não há mais motivos para duvidarmos de seu potencial. – João Antônio










