Na década passada, a Telltale Games mudou os videogames com suas experiências narrativas, sendo a de maior expressão a adaptação da série The Walking Dead, lançada em 2012. Após inúmeras outras adaptações e fracassos, o estúdio declarou falência em 2018, mas, em 2019, foi adquirido pela LCG Entertainment. Porém, o retorno da Telltale não trouxe quem esteve na era de ouro do estúdio, e esses ex-membros fundaram um novo estúdio: a AdHoc, responsável por Dispatch, seu projeto-piloto.
Com o lançamento de seus dois primeiros episódios no último dia 22 de outubro, nas plataformas PS5 e PC (Steam), Dispatch promete trazer de volta a era de ouro dos jogos narrativos envolvendo super-heróis. E não é à toa: quem está por trás do projeto são ex-Telltale Games.
Portanto, com uma vasta experiência no gênero, será que Dispatch vai conseguir inovar e trazer qualidade ao gênero que hoje carece de boas produções? Confira mais uma análise do Combo Infinito e descubra se Dispatch é tudo isso mesmo!
O que é ser um heroi?


Com um total de 8 episódios, o jogo funcionará de forma episódica e seus dois primeiros já estão disponíveis. Esses capítulos servem para introduzir o jogador à narrativa e ao universo do jogo, onde super-heróis coexistem com seres humanos normais – algo bastante semelhante a outras produções como a série The Boys e o anime My Hero Academia.
Tudo começa com o protagonista desta história, chamado Homem-Meca, um ser humano sem poderes que controla um meca gigantesco, sendo o terceiro da geração a comandar essa grande máquina de guerra. Embora humano comum, o Homem-Meca é um símbolo de esperança, se igualando aos heróis já existentes.
Após um confronto com o vilão que matou seu pai, Homem-Meca é abatido e decide se aposentar, sem conseguir sua vingança. Com a “inatividade” do Homem-Meca, seu piloto se revela como Robert Robertson, um ser humano qualquer que investiu toda sua herança para dar continuidade ao legado do pai. Desempregado e frustrado, Robert é convidado para fazer parte de um programa que gerencia super-heróis. Esse mesmo programa, chamado RES, financiará o retorno do Homem-Meca às escondidas.
Inicio promissor
Escondendo sua identidade, Robert irá conviver com diversos heróis, e o jogo é muito feliz em apresentar como eles veem os humanos por meio de um roteiro muito bem-escrito e cheio de humor. Reflexões sobre o que é ser herói são a base desse contexto, onde super-heróis coexistem com humanos de uma forma leve, mas penetrante.
Robert é uma versão atual e mais realista de Midoriya — é claro, com as devidas proporções e um tom mais maduro e menos lúdico. Apresentada nos dois primeiros episódios, a narrativa de Dispatch é cativante e me deixou preso do início ao fim, ansioso para ver mais dos próximos episódios e o rumo de Robert. Além disso, até o momento, Dispatch tem um elenco muito atraente e marcante, com falas que inevitavelmente farão você rir.
Parece Invincible


Desde seu anúncio – que aconteceu no The Game Awards 2024 – Dispatch trouxe uma animação semelhante ou próxima de Invincible (série animada do criador de The Walking Dead). Embora as semelhanças existam, Dispatch não tem um tom violento que se compare à série da Amazon, que possui forte presença de violência gráfica. Ainda assim, o que foi apresentado é excelente.
O primeiro episódio traz uma grande sessão de ação com Robert no controle do meca, exigindo que o jogador acerte alguns QTEs (há a opção de automatizar isso). Toda a apresentação visual do título é marcante e muito bem-feita, inevitavelmente lembrando Invincible, algo que deve atrair quem acompanha a série da Amazon.
Mesmo sem a violência explícita, Dispatch possui linguagem adulta e pesada, além de exposição de genitálias, garantindo que o jogador estará diante de uma narrativa sem amarras. Embora muito bem apresentada, ao que parece, Dispatch não terá o mesmo destino que Invincible, e as comparações ficarão apenas no visual. Particularmente, espero que haja mais violência gráfica e que o tom adulto evolua.
Em resumo, Dispatch se mostra uma evolução visual da tradicional fórmula dos jogos narrativos que aprendemos a gostar com a Telltale há uma década. É um verdadeiro frescor ao que temos visto nos últimos anos com as produções da Supermassive Games. E isso é empolgante.
Não é apenas escolher diálogos


Dispatch segue a cartilha que todo jogo narrativo possui: escolhas de diálogos que afetam os eventos atuais ou futuros da narrativa. Embora eu tenha achado poucas opções de diálogo, o grande destaque da dinâmica narrativa que Dispatch quer oferecer está em atuar como um gerenciador de heróis.
Após conhecer sua equipe, Robert iniciará seu novo emprego, onde missões irão surgir na tela e você deve selecionar os heróis disponíveis. Cada missão possui um objetivo, e, com base nesses objetivos, você usará os heróis considerando seus atributos. Enviar o herói correto aumenta a porcentagem de sucesso da missão. Conforme você concluir as tarefas, ganhará pontos para evoluir os atributos do elenco.
Além disso, haverá momentos em que você assumirá o papel de hacker em um minigame, onde deve trilhar um caminho do ponto A ao ponto B. Esses momentos aparecerão durante diálogos ou nas missões de gerenciamento.
Portanto, a mecânica de gerenciamento de heróis em missões é uma quebra na constante de cenas e diálogos. Embora não seja revolucionária, a ideia é simples e efetiva, carregando o peso narrativo do jogo.
Enquanto muitos jogos tentam inovar o gênero narrativo com ênfase em exploração ou combate, mas acabam executando mal, Dispatch consegue agregar ainda mais à sua narrativa com uma mecânica simples, intuitiva e com profundidade.
Conclusão
Os dois primeiros episódios de Dispatch são um excelente cartão-postal para o que parece ser uma das melhores experiências do gênero narrativo desde a era de ouro da Telltale Games. Há potencial no produto: seu elenco principal e secundário são marcantes. Seu visual também é grande destaque dessa estreia, que busca trazer um novo olhar às histórias de super-heróis.
Por fim, os episódios 3 e 4 estarão no próximo dia 29. E assim seguirá até o episódio final, marcado para o dia 12 de novembro – quando darei a nota final de Dispatch.
Agradecemos à AdHoc pelo envio antecipado do jogo para review.










