Uso de IA se torna rotina dentro da EA
Menos de um mês após a confirmação de sua aquisição por um consórcio de investidores, a Electronic Arts volta ao centro das atenções e, desta vez, por conta de uma suposta política interna controversa. Segundo informações divulgadas pelo Business Insider, a empresa tem incentivado fortemente seus funcionários a usar ferramentas de inteligência artificial em praticamente todas as etapas de trabalho.
De acordo com o relatório, esse direcionamento não é recente. A liderança da EA vem solicitando o uso de IA há cerca de um ano, muito antes da compra pela parceria entre o fundo soberano da Arábia Saudita (PIF), Silver Lake e Affinity Partners. O objetivo seria acelerar processos e reduzir custos internos, especialmente após o endividamento assumido durante a transação avaliada em cerca de US$ 55 bilhões.
Treinamentos e chatbot interno
Funcionários ouvidos sob anonimato afirmaram que foram obrigados a realizar treinamentos sobre como aplicar IA em suas tarefas diárias. Entre os temas abordados, estão desde a geração de código para desenvolvimento de jogos até o uso da IA como “parceira de pensamento” para tomada de decisões gerenciais, como promoções e gestão de equipes. A EA até teria disponibilizado um chatbot interno, chamado ReefGPT, para apoiar essas funções.
Contudo, as ferramentas parecem não funcionar como esperado. Muitos empregados relataram falhas de código e respostas incorretas ou sem sentido, que acabam exigindo retrabalho e mais tempo de correção. Apesar disso, a liderança segue encorajando o uso de IA em larga escala, incluindo em áreas como arte conceitual e design de personagens.
Impactos e cortes
Um ex-funcionário da Respawn, estúdio responsável por Apex Legends e Star Wars Jedi: Survivor, afirmou ter sido demitido após ferramentas baseadas em IA começarem a analisar e resumir o feedback dos testadores, substituindo parte das funções humanas de controle de qualidade. Alguns apontam que isso seria um indício de que a automação pode resultar em novos cortes de pessoal nos próximos meses.
Analistas do setor acreditam que o foco da empresa tende a se concentrar em projetos mais seguros e rentáveis. Serkan Toto, da Kantan Games, prevê “um foco ainda maior em franquias perenes e jogos de sucesso garantido”, o que pode reduzir espaço para novas ideias e inovação. Já Joost Van Dreunen, professor da Universidade de Nova York, acredita que a EA deve reforçar investimentos em suas séries esportivas.
O tempo dirá se essa aposta trará eficiência ou novos desafios à gigante por trás de FIFA, Battlefield e The Sims.
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Fonte: Business Insider










