Ghost of Yōtei chamou atenção desde o seu anúncio, afinal, trata-se da aguardada sequência do aclamado Ghost of Tsushima. A nova jornada da Sucker Punch Productions não se passa mais no período das invasões mongóis, mas em 1603, mais de três séculos após os eventos originais.
Dessa vez, a história é conduzida por Atsu, uma guerreira que trilha um caminho de vingança após perder a família. Entre a expectativa de revisitar uma fórmula que já conquistou milhões de jogadores e a curiosidade sobre o novo cenário, que agora se expande para a região de Ezo, aos arredores do Monte Yōtei, o jogo conseguiu atrair tanto os fãs do título anterior quanto os que buscam uma experiência renovada no gênero.
Ghost of Yōtei estreará em 2 de outubro, exclusivamente para PlayStation 5, com melhorias adicionais no PlayStation 5 Pro. E, para te ajudar a saber o que esperar dessa experiência, fizemos um review completo sobre o que achamos desse novo jogo. Confira!
História


Jogamos com Atsu, uma protagonista movida por vingança após a morte da família. Anos depois, a caçada pelos Seis de Yotei conduz a história por reviravoltas que surgem cedo e mantêm a curiosidade acesa. A premissa pode lembrar outras narrativas de samurai, mas as diferenças importantes, de tom, ritmo e construção, garantem identidade própria. A ambientação usa um período mais avançado historicamente, o que reforça a personalidade do jogo e abre espaço para uma apresentação mais cinematográfica.
A narrativa trabalha bem os dilemas da vingança e suas consequências. Existem previsibilidades pontuais que não atrapalham, com dois plot twists principais, um mais previsível e outro que é bem legal. O desfecho encerra de forma satisfatória. Fica a pulga atrás da orelha sobre possíveis vínculos com Tsushima (sem spoilers). O essencial: Atsu segura o protagonismo. Vão surgir comparações, mas a personagem sustenta a mudança de foco com cenas que parecem tiradas de um filme.
Gráficos, modos e desempenho


No PS5, testamos três opções: modo gráfico, modo desempenho e ray tracing. A campanha começou no modo gráfico sem perceber, e ao migrar para o desempenho a fluidez tornou difícil voltar aos 30 FPS. No geral, o jogo se comportou bem em todos os modos.
Visualmente, Yotei é deslumbrante. Natureza, construções e escala impressionam. A Sucker Punch já havia acertado a mão em Tsushima, mas aqui o capricho nos cenários e na atmosfera sobe um degrau. A ressalva fica para rostos de NPCs. Houve melhora, porém ainda aparecem expressões fracas em secundários. Os personagens principais, incluindo os Seis de Yotei, estão muito bem feitos. Em um mundo aberto tão grande isso pesa, mas ainda assim poderia ser melhor.
Som, dublagem e filtros cinematográficos


A trilha sonora é absurda, com faixas incidentais e canções memoráveis. A mixagem te coloca dentro do conflito: metal batendo, explosões, vento, cavalo e gritos ao longe. De fato, o pacote sonoro é imersivo.
Na localização, Bia Meinberg (Beatriz Vila) vive a Atsu com firmeza e nuance. Porém, também surgem vozes conhecidas (como Cassiano Ávila, o Jin Sakai em Tsushima). O conjunto eleva cenas dramáticas e momentos de ação.
Além disso, assim como Ghost of Tsushima, é possível personalizar sua experiência escolhendo três estilos de filtros, que mudam a apresentação do jogo. São esses:
- Kurosawa: preto e branco, filtro, áudio tratado e clima de cinema clássico.
- Shinichiro Watanabe: uma trilha contínua em clima lo‑fi, que altera a sensação do gameplay.
- Takashi Miike: o mais visceral, com mais sangue, lama e sujeira, próximo de um “Tarantino de katana”.
Essas homenagens afetam o humor da experiência e valem a brincadeira.
Combate, armas e leitura de luzes


A grande virada está no sistema de combate. Saem as quatro posturas e entram cinco armas primárias e cinco secundárias, cada uma com vantagens e desvantagens claras. Entre as principais: katana, duas katanas, kusarigama (quebra escudo), odachi (excelente contra brutamontes) e yari (lança). Inimigos trocam de arma no meio da luta, o que exige respostas rápidas e deixa a leitura do campo mais dinâmica.
Nas secundárias entram bomba de fumaça, kunai, pistola, dois arcos (leve e pesado) e rifle. Com a pólvora mais difundida, o tiroteio faz parte do cenário, e a escolha da ferramenta certa vira o coração dos encontros.
Alguns indicadores nos inimigos propõe o tipo de ataque que eles darão e são indicados por cores ou uma espécie de luz. A leitura das luzes funciona assim: Sem luz: dá para defender ou encaixar o parry. Azul: apenas parry no timing certo. Vermelha: não defende, então é preciso desviar. Amarela: novidade. O inimigo prepara um desarme. Segurar triângulo ativa o especial da sua arma e desarma o oponente. Se vacilar, quem perde a arma é você, e recuperá‑la no chão pode ser tenso no meio do caos.
Confronto, stealth e a lobinha


O confronto clássico retorna mais contido do que em Tsushima. Aqui, o encadeamento máximo ficou em duas ou três eliminações seguidas. As armaduras vem com buffs próprios e upgrades, e o mesmo vale para as armas primárias e secundárias cada uma tendo uma skill prórpia. Além disso, a economia de materiais é bem distribuída e o gerenciamento deles para os upgrades é super importante.
O stealth permanece estável. Serve para limpar áreas e acelerar avanços, sem missões estritamente furtivas. Distrair jogando uma garrafa vazia, assassinato em cadeia de até três inimigos e headshots silenciosos com flechas continuam relevantes.
Além disso, a música de Atsu (shamisen herdado da mãe) não é apenas estética. Algumas canções têm efeitos de gameplay. Uma delas convoca a lobinha para emboscadas ou tomadas de posto. Ela não é companheira o tempo todo, é pontual, e fica mais frequente conforme a relação evolui. Em confrontos, a loba fica ao lado e participa. A jarra de saquê serve para atordoar inimigos e habilitar o Ataque Lupino, que finaliza o alvo. Pelo mapa, libertar lobos aprofunda esse vínculo, com a sensação de parceria com a espécie, não um único pet.
Mundo aberto, ritmo e escalada


O mundo aberto de Tsushima era lindo, porém repetitivo. Em Yotei, a sensação é de maior agilidade e menos repetição, embora ainda existam tarefas que se repetem. As side quests variam de boas a excelentes, com missões paralelas que agregam com boas histórias e combates memoráveis.
A locomoção é feita com o cavalo e muitos fast travels, o que é ótimo. O cavalo recebe upgrades de velocidade e um sprint que atropela inimigos. Faixas de flores brancas dão um boost temporário, sendo quase um turbo durante as travessias. O DualSense participa com feedback háptico em mini-games como acender fogueira e cozinhar.
Na exploração, a escalada ainda lembra Tsushima, com gancho, agarradas em rocha e travessias por troncos e galhos. O destaque vai para marcações discretas. Menos “tinta amarela”, mais leitura ambiental. Caçadas a amuletos rendem boas sequências, inclusive no próprio Yotei. Não é complexo, mas é coerente e gostoso de executar.
Desafio, chefes e problemas técnicos


O jogo é mais desafiador do que Tsushima, principalmente nos grandes duelos. Chefes principais pedem atenção, e alguns opcionais cobram execução. O chefe final é épico, com pitadas de misticismo. Outros se baseiam em lendas e uma mitologia própria que deixa tudo mais interessantes. Não chega num nível Souls‑like de dificuldade, mas entrega tensão e exigência na medida.
Porém, vale mencionar dois registros principais: Cavalo fujão. Ao chamar, correu para longe em vez de se aproximar. Reiniciar resolveu. Side quest travada. Uma missão específica com uma NPC não apresentou o indicador para avançar o que ficou incompleta até o momento onde joguei.
Considerações finais


Ghost of Yōtei evolui onde precisava. O combate troca posturas por armas com identidades claras, os filtros cinematográficos adicionam na experiência, a lobinha e as canções dão um tempero único, o mundo aberto flui com mais agilidade e a trilha é memorável.
Contudo, persistem rostos fracos em NPCs e a ausência de lock‑on ainda rende alguns golpes no vento (o que não é ruim, só é diferente), mas a fluidez do sistema, a troca de armas com micro slow e o desenho dos encontros deixam a ação deliciosa de jogar. Com cenas que parecem cinema e uma protagonista que sustenta o palco, o pacote final é excelente.
Ghost of Yōtei: Ghost of Yōtei consegue evoluir nos pontos certos, com um combate dinâmico acompanhado por trilha marcante e filtros cinematográficos que ampliam a imersão. Apesar de ainda apresentar limitações nos rostos dos NPCs e a ausência de lock-on resultar em alguns golpes no vazio, a fluidez dos encontros, a versatilidade das armas e o ritmo das batalhas tornam a experiência extremamente prazerosa. – Alepitekus
Recebemos Ghost of Yotei gratuitamente para review e agradecemos à PlayStation pela confiança.










