John Carpenter’s Toxic Commando Review: Até tenta, mas não foi desta vez

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John Carpenter Toxic Commando

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Desde que Left 4 Dead deu adeus ao mundo dos games, em 2009, alguns títulos tentaram replicar a experiência única e marcante do FPS cooperativo de terror e sobrevivência da Valve. O mais recente título foi Back 4 Blood, desenvolvido pelo mesmo estúdio que criou Left 4 Dead, que até tentou ser o novo Left 4 Dead com ideias interessantes, mas não conseguiu. Depois de um longo hiato, a Saber Interactive retorna ao gênero, após lançar World War Z (2019), com John Carpenter’s Toxic Commando, uma experiência inspirada nos clássicos filmes do icônico e aclamado diretor John Carpenter, como Halloween, A Bruxa Assassina, A Coisa, Os Aventureiros do Bairro Proibido, Christine, entre outros.

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Com todo o conhecimento dessas obras e o envolvimento do próprio John Carpenter e de seu filho, Cody Carpenter, a Saber levou os zumbis para um ambiente aberto com elementos de sandbox. Se você jogou World War Z e se assustou com as gigantes e massivas hordas de zumbis, Toxic Commando eleva o nível e o desafio dentro do gênero com inimigos ainda mais rápidos e mortais.

Com lançamento para o dia 12 de março de 2026 nas plataformas PS5, Xbox Series e PC, será que John Carpenter’s Toxic Commando será novamente mais um que tenta ocupar o trono de melhor coop de zumbis, que pertence a Left 4 Dead desde 2009?

Descubra se John Carpenter’s Toxic Commando é tudo isso mesmo.

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Esqueça a história

Um dos grandes trunfos da duologia Left 4 Dead era a interação e a sinergia de seus quatro personagens. A limitação de se jogar apenas com quatro sobreviventes possibilitava diálogos íntimos, profundos e uma evolução e amadurecimento dos personagens enquanto sobreviviam às hordas de inimigos. Toxic Commando, infelizmente, perdeu uma grande oportunidade de dar ao seu quarteto de personagens uma interação profunda e bem construída. Isso porque, assim como inúmeros títulos do gênero pós Left 4 Dead, o jogo esquece de desenvolver a narrativa e foca apenas no gameplay.

No jogo, acompanhamos quatro mercenários do esquadrão Toxic Commando (onde você escolherá um dos quatro para controlar), cuja missão é salvar o mundo enviando o Deus da Lodo e sua horda de monstros mortos-vivos de volta para o submundo. Sem apresentação ou introdução de seus personagens, o jogo já começa em meio ao caos, quando o esquadrão precisa levar combustível para um cientista chamado Leon. Ao longo do trajeto, o esquadrão é infectado e volta à estaca zero. Todo esse início, e o contexto do esquadrão estar completamente infectado, tem muita influência de Esquadrão Suicida.

Embora se esforce para trazer um tom cinematográfico à experiência, Toxic Commando possui um elenco pífio. Não há quem escape do péssimo roteiro e do exagero de personagens estereotipados. Para piorar, não há continuidade entre as missões por meio de cinemáticas; sempre há uma quebra a cada nova missão concluída.

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O jogo dispõe de 10 missões dentro de um total de 3 atos. Após concluir cada missão, você é levado para a base de Leon (eles tentaram), onde é possível evoluir suas habilidades e personalizar seus equipamentos.

Definitivamente, John Carpenter’s Toxic Commando é o que é por conta de seu gameplay

Apostando em uma experiência sandbox dentro de um gameplay de matar zumbis, Toxic Commando acerta em cheio. Essa ideia inédita traz uma nova camada ao gênero, pois sua experiência não se baseará apenas em eliminar hordas e seguir em frente. Aqui haverá pontos de interesse, locais específicos para coleta de itens, além do objetivo principal da missão. Isso abre margem para criar uma rota estratégica e menos arriscada, onde se pode coletar recursos e chegar bem equipado ao objetivo final da missão.

Além de toda essa nova dinâmica de eliminar zumbis de forma cooperativa, você pode se locomover enquanto faz todo o processo até concluir a missão. Essa ideia de locomoção e liberdade de exploração é o grande charme de Toxic Commando.

Para fazer uso do carro, você deve coletar combustível pelo cenário, consertá-lo quando estiver danificado e abastecer munição no caso de veículos que possuem armas. Há uma variedade de veículos com funções diferentes. Você pode usar uma ambulância que tem o poder de curar quem estiver dentro do veículo, um carro com guincho que solta choques, ou até um carro de polícia que serve de isca e se autodestrói.

Em Toxic Commando, você não elimina apenas zumbis. Há um senso de sobrevivência enquanto você mantém seu veículo funcionando. Há também recompensas ao explorar o mapa, como engrenagens que servem para abrir baús com armas especiais. Elas também serão úteis para consertar armas e barricadas ao final de cada missão, quando devemos enfrentar uma horda colossal de zumbis.

Mesmo com o mapa aberto, o título consegue manter o senso de tensão e urgência conforme você explora o cenário. Há muitos zumbis espalhados pelo mapa, desde inimigos simples até criaturas mortais. Não pense que o mapa estará vazio.

Planejar antes de matar zumbis

De fato, é muito interessante o planejamento que o jogo exigirá dos jogadores (embora minha experiência tenha sido solo). Você pode simplesmente seguir para o objetivo principal e concluí-lo. Contudo, sua escolha pode gerar um desafio maior caso você não explore o mapa.

Explorar tudo que o cenário tem a oferecer antes de iniciar o objetivo principal terá seu preço. Mas chegar ao final da missão com engrenagens e armas especiais fará toda a diferença.

Em minha jogatina solo, fui auxiliado pela IA dos companheiros e, para minha surpresa, a Saber fez um excelente trabalho aqui. Ao longo de todas as missões, não presenciei uma IA burra que não dá cobertura ou que não elimina inimigos ao redor. Em todos os momentos de caos, com inúmeros zumbis em tela, os companheiros fizeram um excelente papel.

Minha única ressalva está na falta de criatividade no design das missões. Não há variedade nos objetivos. É sempre coletar e depositar algo em um local e, no final, enfrentar uma horda de zumbis — que, por sinal, é incrivelmente assustadora.

A quantidade de zumbis em tela é impressionante. A Saber já havia experimentado essa física de muitos inimigos em tela em World War Z e Warhammer 40K: Space Marine 2 com os Tyranids. Mas aqui, em Toxic Commando, é algo surreal e tecnicamente impressionante.

Uma benção que virou maldição

Um dos grandes acertos de Toxic Commando é seu mapa aberto repleto de zumbis para eliminar. Contudo, essa decisão criativa também se tornou um problema para o jogo em seu aspecto técnico.

Analisando o jogo na versão de PC, em uma RTX 4070 Super, em resolução 2K (1440p) e com taxa de 60 FPS, a escala do mapa somada à quantidade de efeitos e inimigos em tela trouxe problemas de desempenho em minha experiência.

O título dispõe apenas do FSR (AMD) e do XeSS (Intel), e ambos não foram capazes de manter os 60 quadros constantemente. Em certo momento do gameplay, o jogo chegou a cair para 7 FPS. Depois de algum tempo, a taxa de quadros voltou ao normal.

Não sei o motivo da ausência do DLSS, que certamente faria uma grande diferença para a experiência técnica.

Outro fator afetado pela escala do jogo é o visual dos personagens e o aspecto gráfico geral. Não há muitos detalhes nas expressões faciais dos personagens, enquanto os inimigos também não possuem um design muito carismático. Além disso, grande parte dos inimigos se repete em todas as missões, criando um loop de adversários que sempre aparecem nos mesmos momentos.

Por fim, a grandiosidade das hordas, principalmente no final de cada missão as vezes é desbalanceada para quantidade de munição disponível. muito inimigo em tela para a quantidade de munição e opções d armas no arsenal.

Humanos com superpoderes

Toxic Commando possui um sistema de classes interessante e versátil. Ao invés de investir apenas em uma classe, é possível explorar todas as quatro classes e suas respectivas habilidades. Essa liberdade na escolha oferece mais flexibilidade durante as partidas.

Por motivos narrativos, o esquadrão Toxic Commando é infectado, mas graças a um traje especial eles não se transformam em criaturas. Pelo contrário: esses trajes concedem poderes aos personagens, representados nas quatro classes do jogo (Atirador, Médico, Operador e Defensor).

Além do sistema de classes, o jogo aposta em um sistema de customização de armas totalmente desnecessário. Com uma quantidade limitada de armas, é possível equipar acessórios que lembram o sistema de Armeiro do multiplayer de Call of Duty.

E para quê? John Carpenter’s Toxic Commando é um jogo arcade de matar zumbis, não um multiplayer competitivo em que o jogador precisa se preocupar com recuo, estabilidade ou precisão da arma. De fato, é uma mecânica desnecessária e sem serventia, ainda mais considerando que os acessórios são extremamente caros dentro da economia do jogo.

Mas afinal, John Carpenter’s Toxic Commando é tudo isso mesmo?

Oferecendo uma nova dinâmica e formas de se jogar um cooperativo de zumbis, John Carpenter’s Toxic Commando traz diversão, tensão e senso de gerenciamento enquanto você explora seus mapas semiabertos, controla veículos e elimina hordas de mortos-vivos.

Mesmo com toda a interatividade que os mapas oferecem, o design das missões é previsível, embora o percurso continue sendo desafiador.

Embora eu tenha jogado solo com auxílio da IA, não tenho dúvidas de que a experiência definitiva está em jogar com amigos.

Infelizmente, o título não chegará ao Game Pass, o que seria uma ótima estratégia para um jogo cooperativo, assim como aconteceu com Back 4 Blood.

De modo geral, John Carpenter’s Toxic Commando apresenta uma ótima ideia que dá longevidade à simples dinâmica de eliminar zumbis. Porém, não entrega uma experiência sólida o suficiente para tornar este estilo de jogo realmente especial ou marcante.

Veredito: John Carpenter’s Toxic Commando aposta em mapas semiabertos, veículos e hordas gigantes de zumbis para renovar o gênero multiplayer cooperativo com zumbis. A ideia sandbox funciona e traz momentos caóticos e divertidos, mas problemas técnicos, narrativa fraca e repetição nas missões impedem que o jogo alcance o mesmo impacto de clássicos como Left 4 Dead. João Antônio

7.5
von 10
2026-03-11T14:21:34-03:00

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