Diretor da TT Games revela detalhes sobre Gotham em mundo aberto, narrativa inspirada em décadas do herói e planos futuros para o jogo
Faz mais de 15 anos desde o lançamento de LEGO Batman: The Videogame, título que deu início à trilogia da TT Games e ajudou a transformar os jogos LEGO em um fenômeno. Agora, quase duas décadas depois, a desenvolvedora britânica se prepara para expandir esse universo com LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas, novo capítulo que promete levar o Cavaleiro das Trevas a uma Gotham City muito maior, mais viva e repleta de referências para os fãs.
Um dos grandes destaques da gamescom latam deste ano foi justamente o estande do título, que trouxe uma demo jogável e uma exposição especial de minikits inspirados no universo do herói. O espaço rapidamente se tornou um dos mais movimentados do evento, reunindo fãs de diferentes gerações apaixonados pelo personagem.
Além disso, integrantes da TT Games marcaram presença na feira para acompanhar de perto a recepção do público brasileiro. O Combo Infinito teve a oportunidade de conversar com Bob Scott, diretor responsável pelas cenas animadas do jogo, que revelou detalhes sobre a criação da nova aventura, o desafio de transformar Gotham em um grande mundo aberto e a busca pelo equilíbrio entre humor, ação e momentos mais emocionais na narrativa.
Em seguida, veja abaixo!
Gotham City como coração da experiência


Um dos pontos revelados por Bob Scott durante a entrevista foi a decisão da TT Games de transformar Gotham em um grande mundo aberto. Segundo o diretor, a cidade sempre foi tratada como uma extensão do próprio Batman, quase como um personagem dentro da franquia. Por isso, a equipe sentiu que precisava criar uma Gotham muito mais viva, explorável e conectada à jornada do herói.
Scott explicou que o objetivo nunca foi apenas entregar um mapa gigantesco. A intenção da equipe era fazer o jogador realmente sentir que estava evoluindo como Batman enquanto descobria cada canto da cidade.
Gotham City é… Gotham é o primeiro amor do Batman. Tudo o que ele faz é por aquela cidade. Então, ela é parte dele, e é algo integral ao universo do Batman. Fez sentido criar uma versão enorme disso para o jogador explorar.
Nós já tínhamos feito versões menores antes, mas dessa vez realmente queríamos mergulhar nisso. Ao mesmo tempo, também temos uma campanha bastante extensa, cheia de níveis. Queríamos criar uma experiência narrativa de verdade, algo que preparasse você para Gotham.
Então, não queríamos apenas entregar uma cidade. Queríamos fazer você sentir que era o Batman, aprendendo e evoluindo para se tornar o salvador daquela cidade.”
Como evitar repetição em um mundo aberto


Com Gotham sendo um dos pilares da experiência, perguntamos para Bob Scott como a equipe evitou cair em um dos maiores problemas dos jogos de mundo aberto: a repetição de atividades. Segundo ele, a TT Games tomou a decisão de liberar a cidade gradualmente, permitindo que o jogador descobrisse novas possibilidades conforme avançasse na campanha.
Além disso, diferentes personagens desbloqueiam habilidades únicas, criando novas formas de exploração e incentivando revisitas constantes às áreas já conhecidas.
“Essa é uma pergunta muito boa. Durante a campanha, você já tem acesso a Gotham como mundo aberto, mas nós não entregamos tudo de uma vez. Você desbloqueia partes da cidade aos poucos.
Enquanto joga a campanha e desbloqueia personagens, você ganha acesso a novas áreas e missões. Mulher Gato, por exemplo, consegue atravessar certas janelas e acessar locais que outros personagens não conseguem. Então, a cidade vai crescendo junto com o jogador. Sempre existe algo novo para fazer.
E depois da campanha ainda há milhões de puzzles, unlocks, upgrades, moedas para gastar em roupas novas e várias atividades escondidas. Você também pode rejogar as fases a qualquer momento. Além disso, espalhamos muitos Easter Eggs pela cidade. Existem segredos em telhados, becos e pequenos detalhes escondidos para os fãs descobrirem.”
O desafio de fazer tudo funcionar


Também perguntamos se alguma ideia planejada para LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas parecia boa no papel, mas acabou não funcionando dentro do jogo. A resposta de Bob Scott mostra que a equipe passou por um processo mais focado em ajustes do que em cortes.
Para o diretor, o objetivo principal era garantir que cada pilar da experiência funcionasse bem. Isso incluía combate, exploração, travessia por Gotham e o uso dos veículos do Batman.
“Honestamente, acho que conseguimos fazer tudo funcionar da forma que queríamos. Queríamos que o combate fosse extremamente suave. Queríamos que atravessar Gotham fosse divertido o tempo todo. Precisava ser prazeroso voar e girar pela cidade.
Também queríamos que a experiência com o Batmóvel fosse dinâmica, permitindo curvas rápidas e momentos intensos de ação. Então, não houve algo que precisássemos cortar completamente. Nós apenas continuamos ajustando tudo até funcionar da maneira certa.”
Cooperação entre personagens


Outro ponto abordado na entrevista foi a forma como os personagens interagem entre si durante a aventura. Como LEGO Batman sempre valorizou o uso de habilidades diferentes para resolver puzzles e acessar novas áreas, perguntamos se o novo jogo teria combinações especiais no cooperativo.
Bob explicou que a proposta não está exatamente em criar golpes combinados tradicionais, mas em fazer os personagens se complementarem durante a exploração e o combate.
“Existem formas interessantes de interação entre os personagens. Por exemplo, Batgirl pode enviar o drone dela para o céu e outros personagens podem utilizá-lo. Gordon consegue prender inimigos para que Batman finalize o combate. Robin também possui equipamentos específicos que outros personagens precisam utilizar para acessar certas áreas.
Então, o foco está mais em como os personagens trabalham juntos do que em combinações especiais específicas.”
Transformando décadas de Batman em uma experiência LEGO


Como o título reúne inspirações vindas de filmes, quadrinhos, animações e jogos, perguntamos como a TT Games transformou tantas versões diferentes do Cavaleiro das Trevas em uma experiência coesa dentro da linguagem LEGO.
Segundo Bob Scott, a equipe começou mergulhando em décadas de material do personagem. A partir disso, os desenvolvedores tentaram entender quais momentos, temas e elementos realmente formam a essência do Batman.
“Foi um processo longo. A primeira coisa que fizemos foi mergulhar em todo o conteúdo possível de Batman. Assistimos filmes, séries, revisitamos quadrinhos, jogamos os jogos antigos… Foi um trabalho divertido.
Minha esposa até perguntava se eu realmente estava trabalhando, porque eu passava o dia vendo filmes do Batman e lendo quadrinhos. Mas, honestamente, aquilo era o trabalho.
Depois disso, sentamos e listamos todos os nossos momentos favoritos dessas diferentes versões do personagem. A partir daí perguntamos: qual é a essência do Batman? O que precisa existir obrigatoriamente nessa história?
Essa acabou sendo a base da narrativa do jogo.
E o mais interessante é que até histórias mais sombrias acabavam funcionando muito bem dentro da estética LEGO, porque tudo naturalmente ganha um tom mais divertido e carismático.”
DLCs e suporte pós-lançamento


Como o jogo aposta em uma Gotham aberta e cheia de possibilidades, perguntamos se a TT Games já planejava expandir a experiência após o lançamento. Bob Scott comentou rapidamente sobre os conteúdos adicionais já anunciados, mas manteve mistério sobre detalhes mais específicos.
Entre os destaques, o diretor mencionou a presença de Harley Quinn e Coringa como personagens jogáveis em DLC.
“Nós já anunciamos conteúdos adicionais em que será possível jogar como Arlequina e Coringa. Obviamente a Harley Quinn é uma personagem muito querida pelos fãs, então ela acabou sendo uma escolha natural para receber esse destaque.
Ainda não podemos entrar em muitos detalhes, mas temos planos bem interessantes.”
O maior desafio do projeto


Por fim, perguntamos qual foi o maior desafio de transformar LEGO Batman em uma experiência de mundo aberto, especialmente considerando o legado dos jogos anteriores da TT Games. Para Bob Scott, o ponto mais delicado esteve no equilíbrio de tom.
A equipe queria uma aventura capaz de divertir crianças. Porém, ao mesmo tempo, eles queriam envolver adultos e respeitar os elementos mais sombrios do universo do Batman sem perder o humor característico dos jogos LEGO.
“Acho que o maior desafio foi encontrar o equilíbrio correto da narrativa. Nós queríamos uma história realmente envolvente, algo que funcionasse para crianças, mas também para adultos.
Precisávamos ter momentos emocionais, cenas mais tensas, momentos engraçados e sequências de ação intensas sem perder a identidade LEGO. Então, o grande desafio foi equilibrar humor, escuridão e ação. Mas também foi extremamente divertido trabalhar nisso.”
Dito isso, mal podemos esperar para conferir todo o potencial de LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight. O novo jogo da TT Games chega em 22 de maio para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.
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