Recebemos antecipadamente a versão de Ninja Gaiden 4 para Xbox e PC, e esta análise foi realizada com base na build de PC, levando em conta o desempenho nas placas de vídeo mais recentes. A publicação é da Xbox Game Studios, com desenvolvimento em conjunto entre a PlatinumGames e a Team Ninja, o que por si só já desperta curiosidade. Afinal, estamos falando de duas desenvolvedoras com históricos muito diferentes, mas igualmente marcantes quando o assunto é ação e precisão nos combates.
Após mais de uma década desde o último título principal, Ninja Gaiden 4 chega com a missão de revitalizar uma das franquias mais desafiadoras e icônicas dos jogos de ação em 3D. Mas será que toda essa ambição realmente se traduz em um jogo à altura da história da série? Será que Ninja Gaiden 4 consegue agradar tanto os veteranos quanto os novos jogadores? Descubra em nossa review completa!
Sinopse e contexto


A campanha se passa após os eventos de Ninja Gaiden 3, em uma Tóquio de futuro próximo sob a sombra do retorno do Dragão Negro. A história alterna controláveis entre Yakumo (novo protagonista, do clã dos Corvos) e o veterano Ryu Hayabusa, mas não e enganem, o protagonista é o representante dos corvos.
A história começa com uma missão que desanda rápido, e que depois muda os objetivos e empurra Yakumo por um caminho que nem ele esperava. O roteiro cumpre função e traz um plot twist competente; contudo, fica no OK. Serve de desculpa para a ação, sem alcançar um clímax memorável.
Visual e desempenho


O pacote gráfico acerta na estética de ação estilizada. Modelos e texturas não são referência absoluta do mercado, porém compõem bem com o estilo, partículas e cortes cinematográficos dos golpes. No PC, a build testada rodou estável. Testamos em duas placas (RTX 4070 e uma 5080) e o jogo manteve boa fluidez, o que indica otimização competente e foco total no combate. Ainda assim, alguns cenários pedem um pouco mais de detalhe e variedade, especialmente em trechos urbanos.
Além disso, vale notar que a câmera favorece e mantém a ação legível, mesmo quando a arena enche. Por fim, os cortes de cena durante especiais ajudam na sensação de impacto, sem alongar demais as animações.
Som: efeitos que elevam, trilha que oscila


O desenho de efeitos sonoros é excelente. Impacto de lâminas, estalos de parry, estilhaços e explosões constroem a sensação de guerra pessoal em cada arena. Em fones, a leitura espacial ajuda a sobreviver a hordas, portanto vale ligar. A trilha musical, por outro lado, entrega faixas funcionais, com uma ou outra música realmente marcante. No geral, poderia soar mais épica e memorável ao longo das fases.
Level design, exploração e mobilidade


As fases seguem estrutura linear por missões, com pequenas derivações para itens e desafios opcionais. Explorar compensa às vezes, mas nem sempre: há trilhas escondidas que rendem recompensas modestas, enquanto outras trazem itens valiosos. O design revisita áreas com Yakumo e Ryu, com pequenas alterações de layout; boa parte é reaproveitada, o que ajuda a narrativa, mas reduz surpresa.
Para orientar, o marcador de objetivo (R3) aponta o próximo rumo, então a exploração ocorre, na prática, quando se escolhe ir ao lado oposto do indicador. Em contrapartida, a mobilidade é divertida e variada:
- Grappling hook em ganchos, drones e plataformas.
- Wall run consistente, com boa leitura de timing.
- Planador em túneis de ar (mais guiado, ainda assim gostoso para quebrar ritmo).
Além disso, algumas “salas secretas” ativam arenas opcionais ou lutas contra grupos mais fortes, que rendem moedas e pontos de arma.
Combate: o brilho do pacote


Aqui o jogo brilha. Ritmo alto, frenesi total, opções constantes de risco e recompensa. Yakumo alterna sua forma básica com a Forma Corvo e usa o próprio sangue (e o dos inimigos) para golpes especiais, quebrando investidas marcadas pelo ícone de exclamação. O Crowd control exige decisões rápidas: defender, desviar, reposicionar e ativar a barra no momento certo. O parry no timing vira espetáculo audiovisual e abre janelas generosas de punição.
Ryu Hayabusa entra mais direto: katana afiada, fluidez clássica e os Ninpos como assinatura. Enquanto Yakumo oferece camadas e status, Ryu compensa com presença e golpes simples, porém devastadores. A sensação de poder com cada um é distinta, e isso mantém a campanha fresca.
Armas, especiais e gerenciamento


Há quatro armas principais para Yakumo, incluindo lâminas duplas, bastão, lança perfurante e um conjunto à distância com shurikens gigantes e explosivos. Cada arma traz alcance, velocidade e especial próprios.
A barra circular libera um estado de frenesi; a retangular alimenta técnicas que quebram postura. Em chefes, vale priorizar golpes de alvo único; em hordas, os especiais de dano em área. Trocar de arma conforme a composição inimiga é um bom caminho.
Além disso, a defesa tem peso central. Em normal, defender com timing já resolve boa parte dos encontros; quando o ícone de exclamação surge, a Forma Corvo (Yakumo) ou o Resplendor/Ninpo (Ryu) viram respostas seguras. Por outro lado, o jogo pune quem só esmaga botão em arenas cheias, então administrar barra, posicionamento e troca de alvo é vital.
Progressão e builds


A progressão mistura moeda ninja para técnicas gerais, pontos de arma para golpes específicos e amuletos que montam micro‑builds (mais ataque, mais defesa, utilitários). Também há itens de aumento de vida coletáveis. Em Ryu, upgrades aparecem via baús e técnicas pré‑definidas; em Yakumo, evoluções passam mais por compra e caça de recursos. Tudo flui bem e evita grind excessivo.
Além disso, o jogo oferece itens de cura rápidos no direcional, revive opcional e tótems de compra/recuperação espalhados entre arenas. Dessa forma, a preparação para chefes fica prática e o ritmo da campanha não trava. Há ainda sidequests pontuais, como caçadas a mini‑chefes escondidos, que rendem bônus extras.
Chefes, hordas e dificuldade


Os chefes são pontos altos: visuais fortes, padrões legíveis e picos de tensão honestos. A curva de aprendizado permite vencer na segunda ou terceira tentativa depois que a defesa entra no sangue. Em normal, o jogo é desafiador, não punitivo.
Morrer em chefe retorna direto ao encontro, portanto o ritmo não se quebra. Curiosamente, algumas hordas pressionam mais que os chefes, especialmente quando a arena enche e o gerenciamento de multidão vira prioridade. Houve um chefe visualmente menos inspirado que os demais, mas o conjunto mantém nível bom.
Modos e extras


Além da campanha de cerca de 12 a 13 horas, o end game abre modos como, Boss Rush e seleção de capítulos para limpar pendências. Os Purgatórios funcionam como arenas opcionais com modificadores de risco e recompensa.
A proposta diverte, embora as premiações girem, na prática, em ouro e pontos de arma. Faltam prêmios únicos que mudem a rotina, como amuletos exclusivos. Ainda assim, servem para treinar builds e, por consequência, retornar à campanha mais forte.
Problemas e bugs


Durante os testes, surgiram quatro ocorrências de inimigos caindo para fora da arena e permanecendo vivos. O jogo mantinha o estado de combate ativo, bloqueando baús e tótems de compra/recuperação até o inimigo reaparecer ou a área avançar. Em um caso, isso ocorreu antes de um chefe, o que impediu reabastecimento imediato. É um bug contornável, porém merece correção.
Além disso, houve raras quedas de fps em transições de arena, sem impacto real no controle. Caso apareçam com maior frequência em outras máquinas, um patch inicial deve resolver.
Veredito


Ninja Gaiden 4 honra a tradição onde mais importa: no fio da lâmina. O visual cumpre, o desempenho convence, e o áudio brilha nos efeitos. A trilha poderia marcar mais presença, a história poderia ousar no clímax, e o level design poderia recompensar melhor a exploração. Ainda assim, o combate é delicioso, variado e responsivo, com dois protagonistas que se complementam. Para quem sente falta de um bom hack and slash, é recomendação clara; para novatos, o Game Pass facilita a chance.
Ninja Gaiden 4: Ninja Gaiden 4 entrega o que a série sempre teve de melhor: combate afiado e intenso. Apesar de pequenas falhas na trilha sonora, narrativa e exploração, o jogo brilha na ação, com visual sólido, ótimo desempenho e dois protagonistas bem equilibrados. É uma excelente pedida para fãs de hack and slash, e o Game Pass torna a experiência ainda mais acessível para novos jogadores. – Alepitekus
Agradecemos à Xbox pelo envio antecipado do jogo para review.











