Em 2023, o mundo dos games conheceu Planet of Lana. Seu visual semelhante a uma pintura em aquarela e uma trilha sonora formidável de Takeshi Furukawa (de The Last Guardian) foram plano de fundo para a jornada de Lana e seu companheiro Mui, cheia de influências de Star Wars e Horizon (franquia da PlayStation), por exemplo, onde você sempre estará sendo desafiado por quebra-cabeças criativos.
Após a excelente aceitação pela crítica e pelos jogadores, a Wishfully decidiu dar continuidade à jornada de Lana e Mui, expandindo tudo aquilo que vimos no primeiro jogo. Com lançamento para o dia 4 de março de 2026 nas plataformas PS5 e PS4, Xbox Series, PC, Switch 1 e 2, e assinantes do Game Pass, será que a continuação conseguirá ser melhor que seu antecessor ou expandir bem este universo tão cativante com novas mecânicas e narrativa?
Descubra se Planet of Lana 2 é tudo isso mesmo em mais um review do Combo Infinito.
Preenchendo lacunas


Independente de você ter jogado o primeiro jogo ou não, Planet of Lana 2 é cuidadoso ao fazer uma recapitulação dos eventos de seu antecessor. Este novo capítulo começa um tempo considerável após o primeiro jogo, quando o planeta Nova está livre da ameaça das máquinas. As máquinas que outrora eram uma grande ameaça agora se tornaram uma força auxiliar para os habitantes. Contudo, com toda essa tecnologia à disposição, a cobiça ganha forma, trazendo novamente um desequilíbrio ao planeta.
A narrativa de Planet of Lana 2, além de dar vida a um novo conflito, preenche lacunas deixadas pelo primeiro jogo, como a origem de Mui e da invasão das máquinas. E isso já justifica a existência deste novo jogo. A forma como tudo isso é apresentado, como de praxe, é totalmente visual, através de pinturas e por meio de cinemáticas onde você deve usar sua interpretação, já que a franquia usa um idioma próprio para seus personagens e não há presença de legendas — algo totalmente proposital.
A adição de novas tribos, algo semelhante ao que Avatar fez com o segundo filme, não torna esta continuação mais do mesmo, mas sim uma expansão do universo. Diferente de seu antecessor, que trouxe uma jornada de resistência, esta continuação é sobre descoberta. Essa nova aventura ganha novas camadas, pois Lana vai explorar novos locais, novas tribos e descobrir quem é esta nova ameaça.
Todas essas novas descobertas e introduções engrandecem esta nova jornada de Lana e Mui que, assim como no jogo anterior, vai te fazer especular bastante sobre esses personagens, suas origens e o que motivou tais eventos. Sobretudo, a forma como algumas perguntas são respondidas é excelente e nos ajuda a entender o que de fato está acontecendo atualmente no jogo. Contudo, a presença de muitos cortes entre o gameplay e as cinemáticas — e o exagero desses cortes, que muitas vezes nem precisariam existir — quebram a imersão, tornando-se desnecessários no fim.
Poderia haver uma evolução neste quesito com algo mais cinematográfico e contínuo.
Expandindo o que já era bom


Um dos grandes trunfos de Planet of Lana são seus puzzles. Esses puzzles são fruto de uma simbiose entre as habilidades de Lana e Mui com a mecânica de stealth. A continuação traz mais profundidade e engenhosidade aos desafios, o que fará o jogador perder bastante tempo tentando superá-los. Há muito mais complexidade e interações com os cenários, como usar a flora e a fauna ao seu favor para conseguir avançar. Tudo é muito criativo.
Use uma criatura para absorver água e molhar uma flor, dando vida a galhos e usando-os como plataforma, ou utilize peixes para acessar caminhos inacessíveis. Toda essa interação profunda com os cenários e aspectos ambientais (flora e fauna) dá mais camadas aos puzzles, que são a grande força motriz desta experiência. Tudo está mais complexo e expandido do que experimentei no primeiro jogo.
Por outro lado, Mui e Lana têm mais participação por conta de suas novas habilidades. Lana, que só escalava, pulava, se escondia e nadava, agora pode controlar certos dispositivos e fazer mergulhos profundos que ajudarão nos puzzles, mas também nos momentos de travessia e até em boss fights. Já Mui, com seus poderes de telepatia, pode controlar criaturas do mundo e desativar máquinas. Todas essas adições, além de servirem como mecanismos para a resolução de puzzles, trouxeram mais camadas ao gameplay, possibilitando ao estúdio ousar mais.
Planet of Lana nunca foi sobre combate e, mesmo nos momentos em que essa continuação brinca com isso, trata-se de um verdadeiro puzzle subentendido. Mesmo que em certo momento do jogo eu desejasse que Lana empunhasse uma arma e eliminasse seus inimigos, essa jornada não é sobre isso, mas sim sobre a satisfação de superar os desafios usando a mente e contemplar toda sua beleza visual.
Novos horizontes mais belos


O primeiro jogo se destacou por seu visual muito inspirado nas obras do estúdio Ghibli. Essa identidade visual é o grande destaque e o aspecto mais persistente na franquia. Planet of Lana 2 expande os horizontes ao apresentar mais ambientes, oferecendo novas camadas e variedade à sua identidade visual.
Desta vez, conhecemos locais ainda não visitados no primeiro game, como florestas densas em vegetação, ambientes subaquáticos, já que Lana agora pode mergulhar ou usar um veículo para isso, além da exploração do subterrâneo e dos interiores de uma base inimiga. Todos esses locais possuem uma riqueza de detalhes e uma ambientação não experienciada no jogo anterior.
Portanto, este novo rumo, com a presença de novas tribos e uma nova ameaça, entrega uma ambientação inédita para esta sequência, que expande tanto a narrativa quanto seu visual. E tudo isso ganha mais carisma com a excelente nova trilha sonora de Takeshi Furukawa, que esteve no primeiro jogo. É impossível não identificar Star Wars na trilha sonora de Planet of Lana 2, assim como em seu antecessor. Mesmo com as inspirações e similaridades, continua sendo uma alegoria de grande relevância e impacto.
No modo geral, não houve uma grande evolução em termos visuais desta continuação em relação ao jogo original. O que se destaca aqui é a presença de novos ambientes que ajudam a expandir a beleza visual que já era formidável. E, particularmente, não há necessidade de uma evolução: a franquia já estabeleceu seu padrão visual.
Por fim, meu review aconteceu na versão do jogo e não presenciei nenhum bug ou problema de desempenho.
Mas afinal, Planet of Lana 2 é tudo isso mesmo?
Planet of Lana 2 é uma sequência que expande os conceitos de seu antecessor, adicionando camadas à experiência. Preenchendo lacunas narrativas do primeiro game, ele também expande este universo, justificando a existência de uma nova jornada para seus protagonistas. Mantendo o padrão visual, que já é incrível, conhecer novos locais repletos de puzzles ainda mais criativos através das habilidades inéditas de Lana e Mui foi uma experiência tão especial quanto a de seu antecessor.
Em suma, esta sequência pode não ter o impacto que seu antecessor causou, mas ainda exala criatividade e uma experiência visual imperdível. Estou pronto para um novo capítulo deste universo encantador e enigmático.
Veredito: Planet of Lana 2 amplia o universo do primeiro jogo com novos ambientes, puzzles mais complexos e habilidades inéditas para Lana e Mui. A narrativa responde mistérios do original enquanto mantém o visual inspirado no Studio Ghibli e a trilha marcante de Takeshi Furukawa. – João Antônio










