Reanimal Review: Pesado, misterioso e memorável!

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Reanimal

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Um “Little Nightmares 3” do jeito que a gente sonhava, só que mais livre, mais ousado e mais memorável

Com lançamento marcado para 13 de fevereiro em praticamente todas as plataformas, Reanimal chega com um peso grande nas costas. Não só porque ele vem do mesmo time que fez Little Nightmares, quando a Tarsier ainda estava nesse universo, mas porque agora o estúdio está por conta própria, após ser adquirido pela THQ. E isso muda tudo. A pergunta era simples: eles acertaram de novo?

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Depois de terminar o jogo, a resposta é direta. Acertaram em cheio. Reanimal é o tipo de experiência que gruda na cabeça, que dá vontade de discutir com teorias, de voltar para procurar detalhes e, principalmente, que faz você lembrar por que esse tipo de jogo, quando bem feito, vira referência.

Sinopse vaga, mas por um bom motivo

Reanimal

Reanimal acompanha dois irmãos em busca de amigos que desapareceram. O cenário é uma espécie de cidade natal, só que transformada em algo que já não tem nada de seguro. A sinopse oficial é propositalmente vaga, e isso aqui é um elogio. Reanimal é daqueles jogos que não te entregam nada de mão beijada. Ele quer que você observe, conecte peças, entenda símbolos e, principalmente, aceite o mistério como parte do pacote.

E o mais curioso é que essa narrativa vai escalando de um jeito muito próprio. Você começa pensando que entendeu o tom, depois percebe que não entendeu nada, e quando o jogo abre suas camadas, você fica naquele estado de “o que está acontecendo aqui?”.

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Quando termina, a sensação é de ter concluído algo grande, mas com um detalhe importante: ele não parece terminar por completo, porque existe mais de um final e há um caminho claro para um final secreto. Isso é o tipo de coisa que mantém o jogo vivo depois dos créditos. E, no meu caso, manteve mesmo.

Visual, som e desempenho

Reanimal

Joguei no PC, e o desempenho foi ótimo. Rodei em 4K com DLSS em qualidade, numa RTX 5080, com o jogo ficando em 60 FPS praticamente o tempo todo. Teve uma quedinha leve aqui e ali, mas nada que atrapalhasse de verdade. Reanimal é escuro, sim, mas é aquele escuro bem trabalhado, que faz parte da identidade. O cenário é cheio de detalhes, objetos, móveis, estruturas e pequenas coisas que parecem estar ali só para compor, mas que muitas vezes fazem parte do clima, da história e do desconforto que o jogo quer te causar.

A direção de arte aqui é absurda. É como se fosse um survival horror em essência, só que com aquela câmera e aquele enquadramento que fazem você se sentir pequeno no mundo. E a trilha sonora e o design de som trabalham juntos para dar a sensação certa o tempo todo. Não é terror no sentido clássico, mas é tensão, urgência, perseguição, silêncio calculado e música entrando no momento exato em que você percebe que vai precisar correr.

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E tem um detalhe que me pegou de surpresa: o jogo é totalmente localizado e tem dublagem, mesmo que com poucas falas. Quando aparece, funciona bem e a dublagem é boa. Eu não estava esperando e, quando ouvi pela primeira vez, foi aquele “ué, pera aí, isso aqui está caprichado”.

Gameplay: familiar no começo, surpreendente depois

Não tem como fugir. Quem jogou Little Nightmares vai reconhecer imediatamente a base. Personagens pequenos, câmera que abre e te transforma numa formiguinha, puzzles de ambiente, fugas e aquela sensação constante de estar sendo caçado. Só que Reanimal tem uma diferença central: são dois protagonistas.

Você pode jogar sozinho, com um dos irmãos controlado pela IA, ou em coop, e o jogo funciona dos dois jeitos. A IA é bem competente. Teve momentos em que ela não acompanhou do jeito ideal, mas o jogo sempre dá um jeito de reposicionar quando a câmera muda, e, no geral, ela não atrapalha. Em coop, o jogo ganha outra energia, porque as ações passam a exigir sinergia de verdade, sem virar um peso.

A grande sacada é que, depois de um começo bem parecido com o que você esperaria, o jogo começa a colocar ideias novas. Mecânicas e situações que você não imagina ver nesse tipo de experiência. E essas mudanças não são só “diferentes”, elas são bem pensadas, bem inseridas e deixam o jogo variado do início ao fim. Como o jogo vive muito de perseguição e tensão, se ele fosse repetitivo, cairia rápido. Aqui, não cai. Ele te mantém sempre atento.

O barco e a sensação de “viagem” dentro do horror

Uma parte que me marcou é o barco. Ele vira meio que um transporte e um elo entre áreas, e em certos momentos o jogo usa isso de um jeito muito inteligente. No barco, você tem tarefas divididas entre os dois personagens, como controlar a direção e usar a luz do lampião para guiar o caminho, além de lidar com ameaças específicas da água. Quando você joga sozinho, você alterna os dois e funciona bem. Em coop, isso fica ainda melhor porque cada pessoa assume uma função e o jogo vira quase um “puzzle vivo” em movimento.

E aqui entra uma escolha muito importante: quando um morre, os dois morrem. Isso aumenta a tensão no coop, mas sem virar injusto. O jogo deixa claro o que quer de você e te dá ferramentas para aprender.

Ambientação: o grande golpe do Reanimal

Reanimal

Se tem um ponto onde Reanimal vira especial, é aqui. A ambientação não é só bonita, ela é ameaçadora. A câmera abre, mostra o tamanho do lugar e você imediatamente sente que não deveria estar ali. O jogo sabe usar escala. Ele sabe usar silêncio. Ele sabe usar a imensidão para causar desconforto. E as criaturas, o comportamento delas, o motivo de estarem ali e o modo como o jogo te coloca diante delas, tudo isso é feito com uma confiança absurda.

Tem hora que a sensação é de estar num Resident Evil com uma câmera impossível, e ao mesmo tempo o jogo te coloca em perseguições que parecem Nêmesis atrás de você, porque você é incapaz de lutar do jeito tradicional. Só que, em alguns momentos, ele vira a chave e te dá formas diferentes de enfrentar o que está te caçando, e isso é parte do impacto. Reanimal não quer ser um jogo só de fugir. Ele quer te colocar no limite e depois te dar uma saída, só que uma saída do jeito dele.

Comparação com Little Nightmares

Reanimal não é só parecido com Little Nightmares. Ele é o tipo de jogo que faz você sentir que o estúdio estava mais preso do que parecia antes. Little Nightmares 1 e 2 são ótimos, especialmente o 2, mas aqui existe um nível de liberdade criativa e de ambição que dá a impressão de que Reanimal é o verdadeiro salto do time.

Narrativa, ritmo, câmera, gameplay, atmosfera, tudo aqui parece mais ousado, mais confiante e mais autoral. E, na minha visão, isso coloca Reanimal como o “Little Nightmares 3” que muita gente queria, só que sem precisar carregar esse nome. Quem curte esse estilo de jogo e estava com saudade de uma experiência forte, pode ir sem medo.

Duração, finais e o único “porém”

A minha primeira run durou cerca de 5 horas, explorando bastante, e mesmo assim eu sei que deixei coisa para trás. E é aí que entra meu único incômodo: eu queria mais. Não porque o jogo é incompleto, mas porque ele é bom o suficiente para justificar uma experiência um pouco mais longa. Ele tem capítulos selecionáveis, tem itens e coisas escondidas para buscar, mas eu senti que poderia ser um pouco mais amigável na hora de te ajudar a fechar o que você perdeu, principalmente quando você percebe que passou de um ponto sem volta.

Ainda assim, isso não diminui o que o jogo entrega. Reanimal é daqueles títulos que você termina e continua pensando nele. E, para um jogo curto, isso é raríssimo.

Conclusão

Reanimal é memorável. Ele tem uma lore forte, uma narrativa que provoca, um clima que prende e uma execução que mostra um estúdio afiadíssimo. É o tipo de jogo que vai gerar teoria, vai gerar conversa e vai ficar na cabeça de muita gente por um bom tempo. Mesmo com a duração mais curta do que eu esperava, o impacto do que ele faz e a qualidade do pacote justificam totalmente.

Reanimal: Reanimal é daqueles jogos que não passam batidos. Com uma lore instigante, narrativa provocativa e uma atmosfera que prende do início ao fim, o título mostra um estúdio extremamente seguro do que quer contar. Mesmo com uma duração menor do que o esperado, a qualidade geral fazem dele uma experiência marcante, daquelas que geram discussão, teorias e permanecem na memória do jogador. M@xpay

9
von 10
2026-02-11T13:00:23-03:00

Nota final: 9

Recebemos Reanimal gratuitamente para review e agradecemos à Tarsier Studios pela confiança.

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