Com lançamento no dia 6 de fevereiro para PlayStation 5, Japanese Drift Master finalmente chegou aos consoles após ter sido lançado anteriormente no PC. A proposta aqui é clara desde o início: um jogo focado na cultura do drift, com forte inspiração no Japão, misturando referências de Velozes e Furiosos, anime e a cena automotiva japonesa. A grande pergunta é se, além de bonito, ele realmente entrega uma experiência sólida como videogame.
História e ambientação


De forma até surpreendente para um jogo de drift, Japanese Drift Master aposta em um modo história. A narrativa acompanha um protagonista estrangeiro que, impedido de correr em sua antiga região, se muda para o Japão. Lá, ele tenta reconstruir a vida, arranja trabalho como entregador de sushi e, pouco a pouco, se envolve com a cena underground de drift nas ruas.
A história é simples, mas funciona. Ela é contada no formato de mangá totalmente localizado em português, algo que já merece elogios. Não há dublagem, mas a apresentação é clara, organizada e suficientemente interessante para fazer o jogador se importar com o contexto. Não é nada no nível de um Need for Speed Most Wanted ou Carbon, mas cumpre bem o papel de dar motivação às atividades e criar um senso de progressão.
Visual, som e desempenho


Visualmente, Japanese Drift Master é um jogo bonito, especialmente considerando que foi desenvolvido por um estúdio pequeno, a Gaming Factory. Avaliamos a versão de PlayStation 5, jogando sempre no modo desempenho, como qualquer jogo de corrida pede. O resultado é uma experiência estável a 60 fps, sem quedas perceptíveis durante as corridas ou desafios.
Os cenários são bem construídos e conseguem capturar diferentes aspectos icônicos do Japão em uma cidade fictícia chamada Guntama. Há variedade de ambientes e boas escolhas artísticas, mesmo com limitações técnicas claras. Ainda assim, o conjunto agrada bastante.
O som também é competente. Os carros possuem roncos distintos, os efeitos de motor e derrapagem funcionam bem e a trilha sonora se encaixa no clima urbano do jogo. Fica ali em um meio-termo entre Forza Horizon e Gran Turismo, sem exageros, mas com identidade suficiente.
Arcade, simulador… ou algo no meio?


Japanese Drift Master não tenta ser um simulador puro, mas também está longe de ser um arcade escrachado. O jogo foi claramente pensado para ser jogado no controle, algo que os próprios desenvolvedores deixam explícito. O drift exige técnica: não basta entrar em alta velocidade e puxar o freio de mão como em Need for Speed. É preciso frear no momento certo, controlar aceleração e entender o comportamento do carro.
Ao mesmo tempo, ele oferece mais liberdade do que algo como Gran Turismo. O resultado é um equilíbrio interessante, que funciona bem na prática e torna o drift prazeroso depois que você pega o jeito. Esse meio-termo é um dos maiores acertos do jogo.
Carros, tuning e progressão


O jogo conta com uma seleção modesta, porém totalmente licenciada, de carros. O mais importante é que eles realmente se comportam de forma diferente. Dá para sentir variações claras entre tração, peso e estabilidade, o que impacta diretamente no drift.
O sistema de tuning é um dos pontos altos. É possível ajustar aparência, mecânica e presets de comportamento do carro, indo de algo mais neutro até um setup totalmente voltado para drift. As mudanças fazem diferença real na jogabilidade, o que incentiva testes e ajustes constantes.
Existe também um sistema de proficiência por carro. Quanto mais você usa um veículo, mais ele evolui e mais opções de upgrade ficam disponíveis. Isso incentiva fidelidade a um carro específico, mas sem punir quem prefere experimentar outros modelos. É um sistema simples, mas bem implementado.
Mapa e estrutura das missões


Embora o jogo se venda como mundo aberto, essa definição não é totalmente correta. O mapa é grande e interligado, mas bastante limitado. Guard-rails indestrutíveis, árvores indestrutíveis e barreiras constantes impedem qualquer liberdade real fora das pistas. Diferente de Forza Horizon, aqui você está sempre preso às vias.
Isso não chega a destruir a experiência, mas a comunicação é enganosa. O jogo funciona melhor quando encarado como uma grande cidade conectando atividades, e não como um verdadeiro mundo aberto.
As missões seguem uma estrutura bem familiar: desafios de drift, eventos de história, radares de velocidade e atividades espalhadas pelo mapa, todas acessadas via celular in-game ou GPS. Funciona bem, é intuitivo e raramente irrita.
Problemas de colisão e polimento


Onde Japanese Drift Master mais sofre é no polimento. O sistema de colisão é inconsistente e, em vários momentos, frustrante. Bater em carros de trânsito gera reações estranhas, pouco naturais. Em desafios de drift contra outros corredores, a regra de proximidade pode acabar sendo punitiva demais, já que ficar perto sem encostar é difícil.
Há também problemas claros de design no mapa. Em alguns pontos, pequenas elevações fazem o carro literalmente voar para fora da área jogável, colocando o jogador em regiões sem cenário, de onde não é possível retornar. Não parece um bug isolado, mas uma falha de design, já que não existem barreiras invisíveis nesses pontos.
São situações que quebram a imersão e mostram que o jogo ainda precisa de ajustes finos.
Conteúdo e foco single-player


Japanese Drift Master é um jogo totalmente focado no single-player. Não há modos online ou PvP, algo que faz falta, considerando o potencial competitivo do drift. Todo o conteúdo gira em torno da campanha, desafios e progressão individual.
Os desenvolvedores tratam o jogo como um projeto em evolução, com roadmap e planos de melhorias. A questão é saber até onde esse suporte vai chegar.
Considerações finais


Japanese Drift Master é uma grata surpresa. Ele entrega uma experiência de drift divertida, técnica e visualmente competente, especialmente para um estúdio pequeno. O sistema de drift funciona, o tuning faz diferença real e a ambientação japonesa é bem representada.
Por outro lado, o jogo sofre com falta de polimento em colisões, limitações mal comunicadas do mapa e pequenas decisões de design que irritam mais do que deveriam. Nada disso invalida o jogo, mas impede que ele alcance um nível mais alto.
É um título gostoso de jogar, principalmente para quem curte drift e quer algo diferente dos grandes simuladores ou arcades puros. Com mais ajustes e suporte, pode crescer bastante.
Japanese Drift Master: Japanese Drift Master surpreende com drift técnico, tuning relevante e ótima ambientação japonesa, entregando diversão acima do esperado para um estúdio pequeno. Porém, falhas de polimento, colisões problemáticas e decisões de design limitam o potencial. Ainda assim, é uma boa pedida para fãs de drift. – M@xpay
Recebemos Japanese Drift Master gratuitamente para review e agradecemos à Gaming Factory pela confiança.









