Stupid Nerver Dies Review: Escolhas que fazem jus à primeira palavra do seu nome

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Stupid Never Dies me chamou a atenção por sua trilha sonora, que evoca o rock dos anos 2000 dentro de uma narrativa sobre zumbis. Sua estética, seu tom e seu gameplay foram grandes destaques durante seu anúncio no The Game Awards 2025.

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Desenvolvido pelo estúdio GPTRACK50 Inc., um estúdio estreante fundado em 2022 e sediado em Osaka — formado majoritariamente por ex-desenvolvedores da Capcom que estiveram envolvidos em franquias como Resident Evil, Devil May Cry, Dino Crisis e Dragon’s Dogma, entre outras de renome —, Stupid Never Dies carrega consigo a identidade dos hack and slashes da era do PS3 e Xbox 360, combinada com um visual único e uma trilha sonora que virou sinônimo dos anos 2000. Além disso, quem é entusiasta de experiências roguelite encontrará abrigo.

Portanto, com lançamento marcado para o dia 21 de outubro de 2026 nas plataformas PS5 e PC, será que Stupid Never Dies vai conseguir entreter com sua identidade nostálgica e sua pegada roguelite?

O Combo Infinito teve a oportunidade de jogar o título de forma antecipada, e eu direi se Stupid Never Dies é tudo isso mesmo ou não.

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Uma história estúpida para os dias de hoje

Em Stupid Never Dies, você assume o controle de um zumbi chamado Davy, que vive em um mundo que sofreu um grande ataque de monstros liderados por ‘KOM’. Após esse ataque, a Terra se transformou em um grande aglomerado de camadas que abrigam determinados tipos de monstros. Nesta realidade, a humanidade foi extinta e o que restou foram poucos seres humanos modificados e uma linda jovem que acabou morrendo congelada em um freezer.

Os zumbis, por sua vez, residem na camada mais alta da Terra e são vistos como seres inferiores, ocupando a base da cadeia hierárquica entre os monstros. Enquanto se arrastava por um shopping, Davy encontra essa jovem congelada e, de forma estúpida, se apaixona por ela e decide trazê-la de volta à vida. Mas, para isso, Davy precisa realizar um feito impossível: descer as inúmeras camadas presentes na Terra, derrotar ‘KOM’ e trazer seu grande amor platônico de volta à vida.

A narrativa de Stupid Never Dies se desprende de qualquer seriedade. O fato de um zumbi se apaixonar por uma humana já prova o teor desta história. Seus diálogos são esquecíveis, sem nenhuma preocupação em despertar qualquer tipo de interesse. Para piorar a situação, certos personagens quebram a quarta parede como uma forma de desenvolver empatia e carisma, mas isso falha, tornando-se algo forçado e ineficaz.

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Mesmo com influências de filmes como Zumbilândia e Meu Namorado É Um Zumbi, e sem buscar uma familiaridade com franquias como Dead Rising, Stupid Never Dies está longe de se destacar com sua narrativa — e nem mesmo com sua trilha sonora, que vai grudar na sua mente.

Há até um esforço para criar personagens e situações influenciadas pelas obras de Suda51, mas eles estão longe de atingir o mesmo carisma.

Jogando um game de duas gerações passadas

Stupid Never Dies é uma mistura de hack and slash com elementos de roguelite. De forma contextual à narrativa, Davy deverá descer ao ponto mais profundo das camadas presentes na Terra para derrotar o grande vilão do jogo. Esta expedição trará desafios e seguirá algumas das fundações — mas também acessibilidades — do que um roguelite apresenta. No game, você não terá uma jogatina ininterrupta pelas inúmeras camadas enfrentando chefes. Ao concluir uma camada sem morrer, você retornará ao shopping center, seu hub, onde poderá interagir com NPCs e se preparar para a próxima descida às camadas.

Esse descanso e a garantia de que você não irá recomeçar do ponto inicial da história é a forma como Stupid Never Dies cativa o jogador que despreza os subgêneros roguelike/roguelite. Toda masmorra concluída te fará avançar na história, melhorar seus equipamentos e continuar sua jornada. No entanto, a única penalidade ao morrer ao embarcar em uma camada é a perda dos itens que você coletou durante a run.

Todo retorno a uma camada na qual você falhou vai te entregar uma masmorra diferente, como manda a estrutura aleatória de um jogo do subgênero. E isso também serve para novas camadas que você irá explorar. Essas masmorras, por sua vez, são limitadas e carecem de novidades, mesmo naquelas de maior escala e com caminhos ramificados. Toda essa limitação traz uma identidade de game design da era do PS3 e Xbox 360, o que se torna algo gravíssimo dentro de um subgênero pautado por entregar variedade na estrutura de seus cenários. Embora novas estéticas de cenários sejam apresentadas conforme Davy avança pelas camadas, a estrutura limitada permanece intacta: você sempre estará correndo por uma linha reta, às vezes em cenários com caminhos para a esquerda e para a direita ou com alguma verticalidade.

O inferno está cheio de boas intenções

Enquanto Stupid Never Dies erra naquilo que rege um roguelite, a ação que o jogo entrega é interessante. Na camada onde reside, Davy não possui poderes e é apenas um pedaço de carne podre ambulante que se arrasta. Contudo, ao comer um ovo misterioso, poderes lhe são atribuídos; ao explorar as camadas, ele pode comer células de inimigos e absorver suas habilidades. Ao longo das masmorras, você enfrentará inimigos fracos dos quais, ao morde-los, você obtém uma habilidade temporária; ao morder inimigos de elite, as habilidades se tornam suas durante a run: quando ativadas, você assume a forma desses inimigos mordidos, herdando suas habilidades.

Conforme você vai descendo pelas camadas, a quantidade de vezes em que pode ativar esses ‘Estilos’ (assim chamados) diminui. Logo, o gerenciamento e a estratégia de qual inimigo de elite morder oferecem uma dinâmica muito bem executada. O jogo oferece inúmeros inimigos de elite com habilidades distintas — até mesmo para um mesmo tipo de inimigo —, cabendo a você dar a sorte de adquirir uma habilidade que melhor se adeque ao estilo de jogo que deseja ter, o que influencia até as batalhas contra chefes.

Além disso, esses estilos têm influência nos cenários: mesmo com suas limitações, há estilos que permitem que você assuma a forma de um lobisomem para subir em paredes ou de monstros capazes de quebrar paredes específicas no cenário que escondem recompensas.

Junto com os estilos, há um sistema de equipamentos que você pode usar na cabeça e nas partes superior e inferior de Davy, os quais trazem vantagens passivas e uma habilidade que serve como extensão do seu arsenal. Todos esses equipamentos, que possuem graus de raridade, serão fabricados com peças que você coleta nas masmorras.

Um zumbi cheio de bugigangas

Para dar o tom de um roguelite, conforme você elimina os inimigos, surgem tickets na tela para você escolher, concedendo vantagens passivas ao longo da run. Esses tickets são adquiridos ao desbloquear lanches na lanchonete de uma zumbi. O interessante é que você deve desbloqueá-los para que surjam de forma randômica durante a run.

Por fim, o combate do jogo entrega uma ação interessante e dinâmica, mas peca pela ausência de um sistema de trava de mira nos inimigos. Por muitas vezes, devido à falta dessa mecânica, o personagem não acerta os golpes nos adversários — e, no caso de inimigos que voam, é uma verdadeira tortura tentar golpeá-los.

Mesmo com esse problema, a imersão que o combate entrega é satisfatória. Os combos trazem um bom nível de satisfação e uma curva de aprendizado bem desafiadora, pois há um sistema de parry e de mordida, já explorado neste review.

As boas intenções do combate não serviram

Ao aparar um golpe (aqui nomeado como “aparada idiota”), você não anula o ataque do inimigo por completo, o que gera uma barra de recuperação da quantidade de vida perdida que você pode recuperar. Para contornar essa situação, você pode morder um inimigo e recuperar parte da sua vida com base na barra gerada. Para tornar isso mais compreensível: funciona como em Bloodborne, onde você sofre dano e pode recuperar parte da vida perdida contra-atacando.

Toda essa dinâmica traz uma forma diferente e bem-vinda de se jogar um rogue, mas Stupid Never Dies traz uma ideia estúpida ao executar tudo isso. Desbravar uma experiência rogue requer atenção, paciência e tempo. Em Stupid Never Dies, além de ter isso, você terá o tempo contra você.

A expedição de Davy nas camadas tem um prazo. Exceder esse tempo limite tornará Davy vulnerável, trazendo uma grande punição ao seu progresso e nas batalhas contra chefes. Essa se mostra uma decisão fora de tom que prejudica toda a experiência roguelite que o jogo quer entregar, pois aqui você não terá tempo para usar sua estratégia ou para ser mais cuidadoso na progressão, já que fazer isso lhe custará tempo. Ao entender isso, o jogo se transforma em uma experiência totalmente distante do que é ser um roguelite, passando a ser uma jornada corrida em que não perder tempo tentando uma excelente run se transforma em um verdadeiro boss rush.

Para enterrar a ideia de ser um rogue de vez, o jogo disponibiliza a opção de tornar Davy mais forte imediatamente, ao invés de conquistar isso de forma gradual. Com essa opção ativa, o jogo se transforma em outro, mas pelo menos você não será prejudicado pelo tempo ao tentar evoluir de forma honesta.

Splashes e um tom adolescente

A julgar pela estética, Stupid Never Dies é um produto voltado para o público adolescente, o que inclui também sua narrativa. O visual de Davy e de sua amada entregam a pegada desta jornada. Essa identidade afeta a forma como o jogo entrega seu visual, não se permitindo mostrar sangue ou desmembramentos. Ao invés disso, splashes e estouros de cores ganham a cena para esconder um tema que, por padrão e tradição, seria sombrio e grotesco.

No combate, isso ganha uma camada extra através de efeitos de ataques como o parry, as animações das mordidas e os visuais dos chefes. A apresentação dos chefes tem um carisma visual preenchido com galhofas. Infelizmente, toda essa intenção visual se limita às pouquíssimas variedades de cenários, que não entregam profundidade.

Por fim, minha experiência no PC, não obtive problemas técnicos com quedas de taxas de quadros ou bugs. Foi uma experiência estável dentro de um visual limitado pela falta de profundidade no design.

Veredito

Stupid Never Dies sofre por seu design ultrapassado para os dias de hoje e por suas escolhas de mau tom para a proposta de ser uma experiência rogue. Com uma narrativa nada cativante e um elenco esquecível, as boas intenções no combate não são suficientes para manter uma experiência que faz jus à primeira palavra do seu nome.

Stupid Never Dies poderia até ser agradável se fosse um jogo de duas gerações atrás.

É tudo isso mesmo?: Stupid Never Dies combina ação hack-and-slash com elementos roguelite, oferecendo uma estética distinta dos anos 2000 e uma mecânica de combate envolvente. No entanto, o título é prejudicado por um design de níveis desatualizado, uma narrativa esquecível e opções de design que realmente fazem jus à primeira palavra de seu nome. – João Antônio

5
von 10
2026-10-19T07:00:37-03:00

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