Com lançamento para o dia 19 de setembro de 2025 nas plataformas PS5, Xbox Series, PC e Nintendo Switch, Towa and the Guardians of the Sacred Tree chega como mais um projeto de pequeno porte desta nova iniciativa da Bandai Namco, que começou com Shadow Labyrinth.
Apostando em uma experiência roguelite mais leve, com visual e personagens inspirados em anime, será que Towa and the Guardians of the Sacred Tree vai conseguir agradar os amantes do gênero e atrair jogadores cansados da dinâmica punitiva típica do subgênero?
Confira mais uma análise do Combo Infinito e veja se Towa and the Guardians of the Sacred Tree é tudo isso mesmo!
História


Towa é ambientado em um reino místico distante, onde forças ancestrais se agitam enquanto perigos ocultos espreitam. No jogo, você assume o papel de Towa e de oito Guardiões em uma jornada para restaurar a paz dessas terras corrompidas pela influência maligna de Magatsu.
A narrativa é simples e de fácil compreensão. Logo no início, o jogador é apresentado ao contexto e à mitologia por trás do game. Neste mundo, os protagonistas e o vilão são introduzidos de forma clara e direta, sem a intenção de complicar. O título se apoia bastante na estética de anime, com personagens que variam de pessoas a animais com aspectos humanoides. Há, por exemplo, um urso gigante e um peixe com feições de guerreiro.
Apesar dessa introdução interessante, a narrativa não se sustenta durante o gameplay roguelite. Parte desse problema está no baixo carisma dos personagens. Mesmo com designs criativos, o roteiro e os momentos de tela não conseguem torná-los memoráveis ou marcantes.
Música e localização
Apesar dos problemas mencionados acima, as melodias de Hitoshi Sakimoto (conhecido pelas trilhas de Final Fantasy Tactics, Vagrant Story e outros) dão um ar épico às batalhas contra chefes, com composições empolgantes que elevam os combates.
Porém, a maioria dos diálogos acontece em caixas de texto, e as animações não oferecem grande impacto — o que, de certa forma, condiz com a proposta do jogo inspirado em anime. Além disso, um ponto negativo é a ausência de suporte ao idioma português do Brasil, algo injustificável diante da relevância atual do mercado brasileiro de games.
Essa decisão mercadológica não faz sentido, já que a localização é uma ferramenta essencial para ampliar o alcance de qualquer produto. O Brasil já não é mais o mercado negligenciado dos anos 90 e 2000. Por isso, será difícil o título conquistar prioridade entre jogadores brasileiros — e quem perde com isso é a própria Bandai Namco.
Um roguelite diferente
Uma das principais diferenças entre roguelite e roguelike, além do sufixo “lite” que remete a uma experiência mais leve, está em elementos que tornam o gênero menos punitivo.
Entre os destaques estão: progressão entre fases, preservação de habilidades e itens conquistados antes da morte, e cenários não procedurais. Mesmo assim, o roguelite ainda é desafiador. Contudo, Towa and the Guardians of the Sacred Tree busca tornar a experiência mais acessível e convidativa.
Seja pela baixa dificuldade ou pela progressão menos truncada, o jogo dá ao jogador momentos de descanso entre fases. Ao final de cada estágio, é possível retornar à aldeia para forjar armas (com um sistema semelhante ao de Kingdom Come: Deliverance 2), aumentar atributos e evoluir personagens. Essa vila funciona como um hub cheio de NPCs para interagir.


A progressão é salva a cada fase concluída, e em caso de derrota o jogador retorna à última concluída. Outro diferencial é a clareza dos informativos: os ícones dos cenários mostram antecipadamente quais recompensas serão obtidas, algo inédito no subgênero e que ajuda muito no planejamento estratégico.
Durante as fases, há cenários cheios de inimigos, mini-chefes e um chefe final, cuja derrota avança a narrativa.
Roguelite em dupla é melhor?


Uma novidade interessante é a presença de um segundo personagem de suporte durante os combates. Essa mecânica tem justificativa narrativa e funciona bem dentro da proposta do jogo, oferecendo vantagem extra ao jogador.
Você controla um Tsurugi (espada, personagem principal) e um Kagura (cajado, suporte), escolhendo entre oito Guardiões. Cada um possui habilidades próprias, mas há um detalhe: ao final de cada fase, o suporte escolhido não poderá ser usado novamente, por motivos narrativos.
Apesar da boa ideia, falta diversidade entre os Guardiões. Muitos compartilham habilidades semelhantes, diferenciando-se apenas na aparência. Isso reduz o impacto estratégico da escolha. Embora existam habilidades desbloqueáveis, elas são as mesmas para todos, o que limita ainda mais a variedade.
Mesmo com essas falhas, achei a ideia interessante e eficaz. De fato, a mecânica é promissora e pode inspirar futuras produções do gênero.
Um projeto de baixo orçamento


Assim como Shadow Labyrinth, Towa é um projeto modesto em orçamento, o que fica claro em seu aspecto gráfico. Apesar do estilo anime, há problemas visíveis em sombras e serrilhados em objetos.
Ainda assim, o jogo se destaca pelo carisma artístico e pela direção de arte, que enriquece o contexto e a mitologia inspirada na cultura japonesa.
Com visão isométrica, o título apresenta cenários variados e detalhados, além de inimigos diversificados. Cada fase traz um novo bioma, com vegetação e adversários condizentes.
Minha análise foi feita na versão de PC com uma RTX 4070 Super, sem problemas de performance ou bugs.
Mas afinal, Towa and the Guardians of the Sacred Tree é tudo isso mesmo?
Towa and the Guardians of the Sacred Tree oferece um novo olhar sobre o roguelite, mantendo o desafio, mas aliviando a frustração típica do gênero. Apesar de limitações gráficas e falhas em algumas escolhas de design, pode ser uma boa porta de entrada para quem se cansou da fórmula punitiva.
Além disso, o título abre espaço para que a Bandai Namco invista em mais projetos criativos de médio porte. No entanto, é essencial que futuros jogos recebam mais cuidado na diversidade de mecânicas, no apelo visual e, principalmente, na localização para alcançar um público global maior.











