Valor Mortis Review: Um Soulslike visceral em primeira pessoa nas Guerras Napoleônicas

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Será que a desenvolvedora responsável por Ghostrunner conseguiria transportar a sua agilidade frenética para a estrutura punitiva de um Soulslike em primeira pessoa? Com lançamento marcado para o dia 13 de outubro no PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S, Valor Mortis surge sob a distribuição da Lyrical Games.

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O título nos coloca diretamente nos conflitos do século XIX, entregando uma atmosfera sombria e alguns elementos bastante surpreendentes. Recebemos a chave do jogo no PC antecipadamente e percorremos mais de 25 horas de campanha para trazer todos os detalhes dessa experiência marcante.

Agradecemos à One More Level e à Lyrical Games pelo envio do código de review. Para garantir os seus jogos com os melhores preços e condições de pagamento, acesse o nosso grupo do Promoções Infinitas.

A sinopse e o mistério nas fileiras de Napoleão


A trama se passa no final do século XIX, em plena era das Guerras Napoleônicas. O exército de Napoleão Bonaparte avança e devasta os territórios europeus. Nós assumimos o papel de William, um soldado que desperta em um campo de batalha repleto de cadáveres.

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Embora vivo, não parece que ele tenha sobrevivido a todo o terror da guerra. Agora vivo, William sofre de uma perda de memória seletiva e traz consigo inúmeras dúvidas. Ele sabe apenas que pertence às fileiras francesas e precisa entender o que aconteceu no local.

Essa premissa nos joga na ação ao estilo clássico do gênero, sem muitas explicações iniciais. Conforme avançamos pelas linhas inimigas, descobrimos uma epidemia sobrenatural que afeta ambos os exércitos. William precisa tomar decisões complexas sobre o papel da guerra e o valor da humanidade no meio do caos. E o jogo faz isso muito bem.

Os rumos da história e o impacto das escolhas morais


O enredo de Valor Mortis me surpreendeu por ser muito mais palpável do que a maioria dos Soulslikes do mercado. A narrativa não se apoia apenas em documentos espalhados. William conversa constantemente consigo mesmo, e a interpretação marcante de seu ator de voz me conectou imediatamente com suas angústias e questionamentos.

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A construção narrativa se desenrola a partir do avanço implacável do exército francês pelos campos de batalha da Europa. Contudo, essa expansão militar colide diretamente com o surgimento da praga da Neftoglobina, um surto místico que infecta as tropas de ambos os lados e transforma os soldados em criaturas mutantes. Esse cenário obriga o jogador a adaptar suas estratégias para enfrentar desde pequenos destacamentos isolados até batalhões inteiros tomados pela contaminação.

Durante a campanha, somos confrontados com escolhas morais pesadas ao lado de dois aliados centrais na igreja que serve de base. De um lado, temos um veterano cientista frio que defende que a vitória exige sacrificar vidas humanas e que tudo é em prol de Napoleão e seus planos de conquistas.

Do outro, uma figura empática que acolhe a dor dos soldados, ou que entende melhor que no fundo somos todos humanos. Essas decisões influenciam o rumo do enredo na reta final e se amplifica com o surgimento de mais personagens centrais para a trama.

Contudo, o jogo não traz o modo New Game Plus no lançamento. Por causa disso, quem deseja ver os outros desfechos precisa iniciar um save do zero, além do fato de que a campanha deixa pontas soltas na história que provavelmente foram reservadas para futuras expansões ou estão escondidas atrás da conclusão de missões paralelas que ainda não encontrei.

O espetáculo visual da Unreal Engine 5 e a otimização no PC


A direção de arte do jogo utiliza o poder da Unreal Engine 5 para criar um visual cativante. O contraste entre o cenário gótico de destruição e os uniformes azuis reluzentes do exército de Napoleão é belíssimo. As sombras e a iluminação volumétrica aumentam a sensação de opressão em cada viela.

Testei o jogo em uma placa GeForce RTX 5080 em resolução 4K com a opção DLSS configurada em modo equilibrado. A iluminação por Ray Tracing deixa os ambientes ricos em detalhes. O jogo recebeu um update na reta final do meu review e a Nvidia lançou um driver novo que ajudou a melhorar bastante o desempenho do game.

Contudo, a otimização pesa bastante no hardware. Para manter uma taxa de quadros firme em 60 quadros por segundo, precisei ativar o recurso de Frame Generation em 2x, pois a taxa de quadros apresentou engasgos e quedas bruscas em áreas abertas sem essa tecnologia ligada. Além disso em alguns momentos sofri com muitos stutterings, mas nada que fosse tão grave assim.

A sonoplastia imersiva e a presença de Jennifer English

A sonoplastia desempenha um papel essencial no clima de terror do título. O jogo não conta com dublagem em português do Brasil, mas traz legendas que fazem um bom papel. O trabalho do elenco original em inglês é primoroso. O ator que dá voz a Napoleão traz uma imponência indiscutível, enquanto a atriz Jennifer English dá vida à personagem Picanço, que muitos poderão ver como uma homenagem ao universo de The Witcher. No livro 1 da saga polonesa existe uma personagem bem intrigante e alguns de seus atos são parecidos, mas nem todos.

As composições musicais se alternam entre momentos orquestrados dramáticos e barulhos industriais incômodos. Nos trechos de maior tensão, os ruídos ambientes assumem o controle, lembrando bastante o trabalho sonoro de Silent Hill. Essa escolha deixa as caminhadas pelos cenários extremamente opressivas.

O level design com a agilidade de Ghostrunner


A One More Level trouxe toda a sua bagagem adquirida em Ghostrunner para revolucionar a mobilidade deste Soulslike. O jogo é linear no início, mas libera mapas mais verticalizados e um pouco mais abertos conforme avançamos.

William adquire capacidades para correr pelas paredes, saltar a alturas elevadas e utilizar ganchos para puxar elementos do cenário. Mas nada aqui se parece com mundo aberto e nem perto de bairro aberto. É um formato bastante direto e convidativo.

O mundo utiliza o sistema de lamparinas como pontos de descanso para recuperar frascos e salvar o progresso. A navegação funciona com atalhos bem elaborados que se conectam ao estilo Metroidvania, permitindo retornar a áreas antigas quando desbloqueamos novas habilidades. Essa agilidade transforma a exploração e a busca por baús escondidos em um dos pontos mais prazerosos de toda a campanha. Sem dúvida alguma o level design é um dos pontos mais altos da experiência que Valor Mortis tem para o jogador.

As missões paralelas possuem um foco estritamente narrativo, tentando aprofundar o passado dos soldados e os segredos da infecção no exército. Contudo, a execução dessa estrutura opcional peca pela falta de sinalização no mapa. Como o jogo não indica em qual lamparina ou região uma missão secundária teve desdobramentos (ao contrário do que acontece em Lies of P, por exemplo), somos forçados a realizar backtracking cego e navegar sem rumo entre os pontos de descanso para tentar avançar nas histórias dos NPCs.

O combate em primeira pessoa, parry e o uso de armas

Valor Mortis


O combate do título equilibra o uso de espadas, armas de fogo e magias derivadas da Neftoglobina na mão esquerda. Nós podemos carregar até três espadas e três pistolas, fuzis ou escopetas para alternar nas batalhas. As munições são escassas, forçando o uso inteligente dos tiros apenas contra alvos perigosos ou para atingir pontos fracos à distância.

A mecânica de parry com a espada é o grande pilar para quebrar a postura dos oponentes. A janela de aparo não é tão punitiva quanto em Sekiro, permitindo reagir a tempo contra a maioria dos golpes. Se optar pela esquiva perfeita, o jogo garante um tempo precioso para contra-atacar. Minha escolha favorita foi uma espada no estilo de esgrima que aplica estocadas rápidas, abrindo a guarda dos oponentes em troca da impossibilidade de bloquear ataques normais.

A dinâmica da HUD e o gerenciamento de recursos funcionam com extrema precisão no meio do combate. A barra roxa representa a nossa mana de Neftoglobina, que pode ser restaurada com o uso de frascos específicos durante as lutas. Na parte inferior esquerda da tela, acompanhamos a nossa vida e a quantidade de “corotes” de cura disponíveis, enquanto no canto inferior direito gerenciamos o arsenal, que permite alternar entre três armas de fogo: uma pistola, um fuzil e uma escopeta, e três tipos de espadas.

Progressão mais simples e eficaz

A evolução de equipamentos e magias não depende de um nível tradicional do personagem, mas sim de ingredientes e itens raros coletados pelo cenário. Ao encontrar pedras e componentes específicos durante a exploração, podemos retornar ao lapso no momento em que William descansa para aprimorar as propriedades das armas e os poderes da mão esquerda. Além disso, a progressão das árvores de habilidades exige escolhas estratégicas de risco e recompensa: se optarmos por equipar uma espada de duas mãos mais pesada, por exemplo, o jogo desabilita o uso simultâneo de armas de fogo e magias de Neftoglobina, exigindo dependência total do combate corporal.

Contudo, muitos jogadores de Souls Likes podem estar esperando por inúmeras armas e evolução similar a outros jogos e não vai encontrar isso aqui. As espadas são vistas quase que como habilidades do personagem e possuem suas próprias árvores de habilidades. Assim como William, que gasta os pontos (estilo souls) nas lamparinas para evoluir em uma árvore de habilidades que também usa pontos de conexão para inserirmos amuletos, se distanciando do formato habitual de um souls onde criamos uma build conforme evoluímos vida, destreza, vigor. Aqui é diferente e se assemelha mais a um jogo de aventura mais comum.

Os perigos dos inimigos comuns e o baque nos chefes finais

A variedade de inimigos é satisfatória, trazendo soldados mutantes, atiradores e criaturas bizarras que mesclam corpos humanos com cabeças de cães. Os inimigos comuns são extremamente perigosos e exigem atenção total nos corredores, pois a morte faz o jogador perder toda a Neftoglobina acumulada no local do combate.

Por outro lado, os confrontos contra os chefes sofrem com problemas de balanceamento no terço final do jogo. Até os 80% da campanha, os chefes entregam lutas táticas gostosas com mecânicas de pontos fracos e muito parry. Entretanto, os últimos chefes se mostraram excessivamente fáceis e simples em seus padrões de ataque. Minha build de estocadas rápidas aplicava paralisação contínua nos chefões finais, permitindo derrotá-los sem dificuldades, o que me deu a nítida sensação de que a etapa final da produção foi acelerada pelos desenvolvedores. Ou se isso não ocorreu, ficou essa sensação ao jogar e eu tenho que relatar.

Mesmo assim não tirou o brilho geral do game, que me deixou muito satisfeito com tudo. Porém é como se eu tivesse jogado o game esperando um final que ainda não recebi? Algo nessa vertente.

Veredito

Valor Mortis é uma surpresa extremamente positiva e uma adição refrescante ao gênero Soulslike. O estúdio One More Level acertou em cheio ao combinar uma movimentação ágil e vertical com um combate visceral em primeira pessoa nas Guerras Napoleônicas. O jogo brilha com um excelente level design, uma ambientação sonora imersiva e uma história envolvente. Embora apresente problemas de otimização no PC e chefes finais simplificados, a experiência contida de 25 horas é muito recomendada para os fãs de ação.

Vale destacar que a duração contida de aproximadamente 20 a 24 horas joga totalmente a favor da experiência. Diferente de grandes produções do gênero que se estendem por mais de 60 horas e se tornam exaustivas, o ritmo de Valor Mortis é direto e valoriza cada minuto investido pelo jogador. O preço reduzido no lançamento global, chegando ao mercado pelo valor sugerido de 40 dólares, torna o pacote ainda mais atraente e justo pelo que entrega.

Nota: 8.5/10

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