Warhammer 40K: Boltgun 2 Review – Inova na jogabilidade ao abdicar da narrativa

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Em 2023, a franquia Warhammer 40K ganhou um novo lar nos games. Sob os cuidados da Auroch Digital, o segmento sci-fi da franquia recebeu um jogo totalmente inspirado nos clássicos FPS da década de 90, estilo popularmente conhecido como boomer shooter. Essa combinação rendeu uma ótima forma de expandir este universo com novos personagens e histórias conectadas a títulos consagrados, como a constante luta contra o Caos vista em Space Marine.

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Três anos depois, a Auroch Digital retorna ao lugar onde iniciou esta jornada com uma sequência direta. Com lançamento marcado para o dia 14 de outubro de 2026 nas plataformas PS5, Xbox Series e PC, será que Boltgun 2 vai inovar em mecânicas ou manter o aspecto nostálgico da velha guarda para os servos do Grande Imperador?

O Combo Infinito teve acesso ao jogo antecipadamente e agora eu digo se Warhammer 40K: Boltgun 2 é tudo isso mesmo ou não.

O que é mais precioso em Warhammer não está nesta sequência

Embora o primeiro Warhammer 40K: Boltgun tenha feito apenas uma breve menção a Titus, isso foi o suficiente para criar uma conexão entre ambos os games e atiçar o interesse de quem jogou Space Marine e aguardava Space Marine 2. Esse detalhe encorpou bastante a narrativa do jogo original e trouxe familiaridade para quem acompanha este universo nos videogames.

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Em Boltgun 2, o protagonista Malum Caedo está de volta em uma nova jornada para eliminar uma ameaça imediatamente após o final do primeiro jogo — mas, desta vez, ele não estará sozinho. Ao seu lado está uma nova personagem jogável, Nyra Veyrath. A campanha de Warhammer 40K: Boltgun 2 ganhou adições e inovações; ao mesmo tempo, contudo, expurgou aquilo de que a franquia mais se nutre: a narrativa.

Diferente de seu antecessor, Boltgun 2 se absteve de ter cinemáticas para dar contexto e imersão ao que está acontecendo no jogo. A ausência dessas cenas é difícil de entender. Não se sabe se faltou orçamento, já que a sequência está sendo publicada pela Big Fun Games (subsidiária da Devolver Digital), focada em publicar títulos indies baseados em marcas licenciadas. Vale lembrar que o primeiro game teve publicação da Focus Entertainment, uma empresa com mais estrutura e verba. Fica o mistério sobre o motivo dessa mudança.

De todo modo, a narrativa ficou em segundo plano e não é o foco de Boltgun 2. Isso se mostra um grande deslize, pois o jogo traz uma campanha ramificada onde você pode escolher missões diferentes ao longo da jornada, sem seguir uma ordem predefinida de locações. Além disso, a presença de Nyra Veyrath poderia ter trazido mais profundidade se os dois personagens jogáveis interagissem dentro de uma campanha devidamente conectada.

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Em resumo, aquilo que tornou o primeiro jogo relevante para o universo de Warhammer 40K nos games deixou de existir em Boltgun 2 em prol de uma jogabilidade que mergulha fundo na essência dos FPS dos anos 90 — época em que o enredo raramente era prioridade.

Escolha para onde ir

Uma das grandes novidades de Boltgun 2 é a possibilidade de escolher quais missões realizar durante a campanha, que possui uma estrutura ramificada. Opções de escolha acabam excluindo os cenários alternativos não selecionados, mas rendem biomas, inimigos e desafios diferentes. Essa abordagem mais livre traz um frescor para a forma como o jogo se define dentro da nostalgia do gênero.

Assim como ocorreu na narrativa, a Auroch Digital perdeu uma grande oportunidade de dar a esses dois personagens papéis mais importantes no desenrolar das missões, em vez de tratá-los apenas como avatares alternativos. As missões não escolhidas pelo jogador poderiam ser apresentadas como frentes de combate assumidas pelo outro personagem não controlado no momento. Isso renderia encontros indiretos e um motivo extra para o fator replay.

Apesar dessa oportunidade perdida, Boltgun 2 traz um novo arsenal com armas inéditas, além dos tradicionais segredos espalhados pelas fases. Se você jogou o título anterior, a fórmula básica continua intacta: tudo funciona com muita visceralidade e frenesi. No entanto, a presença de dois personagens traz uma dinâmica interessante: Malum Caedo e Nyra Veyrath possuem estilos de combate e arsenais distintos, tornando cada jogatina uma experiência única.

Um level design que não se prende apenas ao tom nostálgico

Um ponto que deve ser destacado é que Boltgun 2 possui maior verticalidade e complexidade em seus cenários. Diferente do game anterior — que focava em ondas de inimigos em arenas fechadas —, a sequência quer sair da ideia de arenas simples, mesmo mantendo a homenagem aos jogos antigos.

Conforme você explora os cenários, é possível entrar em estruturas de vários andares ou em caminhos ramificados. Isso fez com que Boltgun 2 adotasse um sistema de guia no jogo, pois, com cenários mais amplos e verticais, fica fácil se perder. O uso do indicador de direção se mostra bastante útil nesses ambientes.

Mais cenários para destilar o caos

Entregar uma campanha ramificada certamente trouxe mais variedade à estrutura apresentada no primeiro jogo. Ter autonomia para escolher as missões garante uma diversidade maior de cenários e de tipos de inimigos. Seja em um pântano ou em uma cidade-colmeia — que lembra Avarax, de Space Marine 2 —, essa variação traz um respiro aos ambientes fechados do primeiro game, valorizando o visual em pixel art que o jogo possui.

Além dos cenários, há novas ameaças para infernizar sua jogatina: desde inimigos corrompidos até criaturas infernais. As batalhas contra chefes também estão de volta, acompanhadas por sessões de puro frenesi e caos. A sensação de poder e brutalidade continua viva nesta sequência e representa muito bem a identidade sci-fi da franquia, sobretudo por sua conexão com os Ultramarines. Esse cordão umbilical entre a jornada de Titus e de Malum Caedo é uma força motriz que mantém a série Boltgun relevante para os fãs.

Veredito

Warhammer 40K: Boltgun 2 se estabelece com firmeza no lado old school de Warhammer 40K. Mesmo com inovações na campanha e boas adições ao gameplay, a falta de um maior apelo narrativo deixa a desejar em relação ao vasto universo em que se baseia.

Se você é apreciador dos boomer shooters e FPS dos anos 90, Boltgun 2 é uma ótima escolha pela sua ação e jogabilidade. Porém, o mesmo não pode ser dito para quem busca a riqueza de história que o universo de Warhammer 40K costuma oferecer.

NOTA: 8

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