Em um país dilacerado por guerras e consumido por uma doença misteriosa conhecida como “doença das plumas”, surge uma guerreira que desafia o próprio destino. Mesmo infectada, ela mantém a sanidade e aprende a canalizar sua maldição como fonte de poder. Assim começa Wuchang: Fallen Feathers, um RPG de ação soulslike desenvolvido pelo estúdio chinês Leenzee e publicado pela 505 Games.
Inspirado por clássicos do gênero, o jogo aposta em combates metódicos, narrativa críptica e um universo sombrio e promissor. NPCs enigmáticos, textos fragmentados revelam camadas do enredo e cutscenes surgem de forma esparsa — tudo remetendo ao estilo que consagrou títulos como Dark Souls e Bloodborne.
Recebemos o jogo com antecedência e exploramos cada canto da experiência antes de seu lançamento, marcado para o dia 24 de julho no PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC. Mas será que Wuchang faz jus às expectativas ou tropeça em suas próprias ambições? Veja agora na nossa análise completa!
Gráfico, som e performance


A direção de arte é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes do jogo. A ambientação, os biomas, os efeitos das magias e o design de chefes transmitem bem a atmosfera pesada e opressora que se espera de um soulslike. A estética é marcante e ajuda bastante na imersão, principalmente nas regiões mais sombrias e misteriosas do mapa.
O problema começa quando falamos de performance. Mesmo rodando em uma RTX 4070 Super, o jogo apresentou quedas de FPS em vários momentos. E isso, em um jogo que exige precisão milimétrica para desviar ou atacar na hora certa, é um problema sério. Até o momento do review, o jogo já havia recebido um patch, mas a performance seguia irregular — e isso precisa melhorar, principalmente no lançamento.
Sobre o áudio, as vozes em inglês cumprem o papel, mas não se destacam. A trilha sonora, por outro lado, é muito boa, principalmente nas batalhas contra chefes. Ela consegue transmitir tensão e urgência que, assim como em outros soulslike, ajuda bastante na imersão.
Gameplay e combate


O combate de Wuchang: Fallen Feathers tem potencial. Ele oferece uma boa variedade de armas — espada longa, espada curta, machado, lança, entre outras — e um sistema de magia baseado na “energia celeste”, que se acumula com esquivas perfeitas ou ataques bem executados. As magias são interessantes, mas poucas realmente se mostraram eficazes durante o gameplay.
O problema é que o jogo sofre com decisões de design questionáveis. A velocidade para tomar um frasco de vida é extremamente lenta, o que te deixa vulnerável demais em momentos críticos. Cair no chão após um golpe inimigo significa perder segundos preciosos tentando levantar, enquanto o inimigo continua te massacrando. E isso não é só em minions — os chefes são um pesadelo.
A esquiva perfeita funciona bem e é recompensada com recursos, mas o parry é pouco confiável e mal implementado. A movimentação em geral é um pouco lenta demais para a agressividade dos inimigos, e em muitos momentos a sensação é mais de frustração do que de desafio justo.
Ainda assim, há pontos positivos. O sistema de combate não é ruim, e algumas das magias — como a lança que pula para trás e dá dano em área — realmente fazem diferença. A skill tree também é excelente, com caminhos bem definidos para builds diferentes e possibilidades interessantes de evolução. Mas o jogo exige que você estude com calma, porque nada é muito intuitivo no começo.
Level design e exploração


Aqui o jogo derrapa feio. O level design é labiríntico ao extremo, com bifurcações para todos os lados, armadilhas escondidas e armadilhas ainda mais escondidas. A sensação constante é de que o cenário está tentando te matar o tempo todo — e não de forma divertida. São minas invisíveis, vasos explosivos, ataques surpresa do teto… é tenso.
E o pior: existem poucos santuários (os checkpoints do jogo). Isso faz com que a progressão se torne extremamente frustrante. Muitas vezes, você percorre 15 minutos explorando, morre por uma armadilha idiota, e tem que repetir tudo. O resultado? Você para de explorar e passa a correr desesperado atrás do próximo santuário, o que mata o espírito de descoberta que deveria existir.
O jogo também falha ao não te guiar minimamente. Em um momento, acabei indo parar em uma área que estava claramente muito além do que eu deveria enfrentar — e só descobri isso depois de morrer dezenas de vezes e conversar com outra pessoa que já tinha avançado no jogo. Faltou uma direção mais clara, mesmo mantendo o estilo livre de exploração típico dos soulslike.
Chefes e estrutura


Os chefes são um dos pontos altos do jogo. São desafiadores, com padrões interessantes e visuais marcantes. Alguns têm múltiplas fases e são bem criativos. Porém, mais uma vez, o design atrapalha. A quantidade de chefes que são precedidos por elevadores é ridícula. E não é elevador rápido, é lento, irritante, e ainda te faz esperar toda vez que morre. Isso quebra completamente o ritmo do jogo.
Outro ponto irritante é o hitbox inconsistente. Em algumas lutas, você acerta um golpe perfeitamente posicionado nas costas do inimigo e… nada acontece. Isso não pode existir em um jogo que depende tanto de timing e estratégia.
Bugs e problemas técnicos


Wuchang sofre com bugs variados, desde inimigos que se jogam de penhascos sozinhos, tiros atravessando portas trancadas, até crashes. Além disso, a câmera às vezes trava, principalmente quando você está encurralado por inimigos em corredores estreitos — o que é bem comum.
A inteligência artificial também comete alguns deslizes. Em determinados momentos, inimigos se agrupam de maneira absurda, te cercam, e não te deixam nem levantar. E o jogo não te dá muitas ferramentas para lidar com isso, já que o stagger quase não funciona e muitos inimigos simplesmente não sentem seus ataques.
Conclusão


Wuchang: Fallen Feathers tem ideias boas, uma ambientação interessante e um combate que, com ajustes, pode se tornar realmente divertido. Mas no estado atual, o jogo sofre com problemas estruturais que comprometem a experiência. A falta de otimização, os erros de design, os bugs frequentes e a dificuldade exagerada por motivos errados fazem com que o jogador passe mais raiva do que deveria.
Ainda assim, dá para tirar proveito da experiência, especialmente se você curte soulslike e está disposto a relevar os defeitos. A skill tree é excelente, as magias têm potencial e algumas boss fights são memoráveis. Mas fica aquele gosto de que poderia ter sido muito melhor se tivesse tido mais tempo de desenvolvimento e mais cuidado com os detalhes.
Wuchang: Fallen Feathers: Wuchang: Fallen Feathers tem boas ideias e potencial, mas é prejudicado por falhas técnicas, bugs e design desequilibrado. Apesar disso, fãs de soulslike ainda podem encontrar momentos divertidos, especialmente graças à árvore de habilidades, magias e chefes marcantes. – M@xpay
Recebemos Wuchang: Fallen Feathers gratuitamente para review e agradecemos à 505 Games pela confiança.










