Homenagem aos clássicos da década de 90
Desde seu anúncio, Mouse: P. I for Hire chamou atenção por sua estética que homenageia o charmoso visual dos desenhos da década de 30. Além disso, todo este universo, que coloca ratos no centro das atenções, potencializou toda essa ideia muito criativa, por sinal.
Desenvolvido pelo estúdio polonês Fumi Games, Mouse: P. I. For Hire é a estreia do estúdio nos games e, surpreendentemente, traz um produto ousado e cheio de identidade. Com lançamento marcado para o dia 16 de abril de 2026 nas plataformas PC, PS5, Xbox Series e Switch 2, o Combo Infinito teve a oportunidade de jogar o título antecipadamente e, após viver a vida de um rato investigador, posso dizer se Mouse: P. I. For Hire é tudo isso mesmo.
Um investigador em uma cidade cheia de mistérios


No game, você controla Jack Pepper, um ex-herói de guerra que se tornou detetive em uma cidade chamada Mouseburg. Após deixar seu cargo de policial, Jack se torna um investigador e embarca em um simples caso de desaparecimento que rapidamente se transforma em uma complexa teia de intrigas, envolvendo corrupção, sequestro e até mesmo assassinato. Conforme você se aprofunda neste caso, novas subtramas se desenvolvem e novos personagens ganham vida.
A narrativa de Mouse é uma grande homenagem aos clássicos filmes de detetive da década de 30, onde se tem todo esse tom misterioso e um protagonista durão e de pouca conversa. Interpretado por Troy Baker, Jack é a força motriz desta narrativa. A atuação de Troy é formidável e responsável por tornar esta jornada divertida e interessante. As piadas, a forma como Jack interpreta os casos e os momentos em que ele fala consigo mesmo são um show à parte. No final do dia, este personagem é quem carrega toda a história do jogo e dá vida aos tons preto e branco.
Conforme você avança, a narrativa consegue desenvolver subtemas que se interligam com o caso principal do jogo. Em meio a estes novos casos, algumas críticas sociais recebem sátiras com a presença de um partido republicano e corrupção da polícia, por exemplo.
Além disso, a trilha sonora de Mouse é um show à parte. O jazz se destaca desde o menu principal até as caixas de som espalhadas por alguns estabelecimentos do jogo. Se você é um amante de histórias de investigação e da temática noir, Mouse não vai te decepcionar.
Uma experiência leve até demais
Além de homenagear o visual dos desenhos dos anos 30, Mouse é um FPS que lembra muito os jogos clássicos dos anos 90, com muito tiroteio, mas também por inimigos que não expressam nenhuma estratégia. Simplesmente correm em sua direção e vão te alvejar com tiros. A dificuldade de Mouse está mais na quantidade de inimigos que irão correr em sua direção e pelo alto dano na dificuldade difícil do que pela inteligência artificial dos inimigos. Mesmo sem regeneração de vida, você coleta itens para restaurar a vida e itens que te dão escudo.


Essa facilidade é o grande problema do gameplay de Mouse, pois em nenhum momento o game me fez sentir desafiado ou motivado a criar uma estratégia para concluir as fases, que se baseiam em eliminar inimigos e derrotar um boss no final. Poucos deles conseguem oferecer um desafio ou batalhas criativas. Para facilitar ainda mais essa experiência, o game oferece armas bastante poderosas, como uma que atira jatos corrosivos. Grande parte da experiência de Mouse será entrar em novos cenários e causar o caos com tiroteios, mas também haverá, embora poucos, momentos de investigação, seja em missões ou ao final de cada fase, quando você deve organizar as pistas coletadas. Não é nada demais. Você vai até um quadro negro e posiciona essas pistas, que em algum momento desbloquearão uma nova missão.
Se a gameplay é repetitiva e sem novidades, o senso de exploração é o que salva esses momentos. Durante as fases, Mouse consegue quebrar esse ritmo frenético com caminhos alternativos com itens colecionáveis, baús secretos que possuem um minigame para desbloqueio e missões secundárias. É nesses momentos que o jogo traz algo mais interessante e motiva o jogador a explorar e pensar.
Algo interessante a se destacar é a forma como o jogo te leva para as missões. Com um mapa 3D, você controla o carro de Jack em uma perspectiva isométrica, ao melhor estilo GTA 1 e 2, até as vias que serão desbloqueadas conforme novas missões surgem. É algo simples, porém criativo, que faz parte da identidade do jogo.
Um visual marcante
Se tem uma coisa em que Mouse se destaca é no visual. É impossível não se apaixonar por este estilo artístico audiovisual. Totalmente inspirado no estilo dos desenhos dos anos 30, Mouse vai além. Não apenas no filtro de cores, mas também na ambientação sonora. Ao iniciar o jogo, você pode escolher o estilo visual e sonoro que deseja experimentar. Há opções indicadas pelo estúdio, mas também há opções que tornam esse estilo ainda mais imersivo.
Mesmo em preto e branco, é possível notar as nuances visuais nas vestimentas e detalhes minuciosos, além de uma trilha que reforça o clima misterioso. O jogo traz uma diversidade de cenários bem construídos, dentro da proposta linear de um FPS. Contudo, há detalhes que agregam à simplicidade visual, como elementos em segundo plano com animações, presença de animais e vegetação, além das constantes explosões durante a gameplay.


Enquanto isso, toda a magia das animações da década de 30 está presente, como a forma como os inimigos se desintegram ou morrem. Tudo isso é uma bela homenagem aos desenhos antigos. No fim, Mouse funciona como um museu jogável que apresenta o que os anos 30 entregaram em termos audiovisuais.
Minha experiência aconteceu no PC e Mouse apresentou algumas quedas de FPS em partes específicas do cenário. Mesmo sendo um jogo em preto e branco, há muita presença de luz em certos locais, além da quantidade de inimigos, o que impacta o desempenho. Contudo, nada que torne a experiência injogável. Um patch no lançamento pode resolver isso. Em relação a bugs, encontrei um problema que me impedia de avançar em um ponto específico, sendo necessário reiniciar o jogo. Além disso, houve momentos em que o personagem ficou preso no cenário.
Mas afinal, Mouse: P. I. For Hire é tudo isso mesmo?
Mesmo com uma gameplay que não traz novidades para o gênero FPS e com baixa dificuldade, Mouse é uma obra que exala carisma, principalmente por seu visual, trilha sonora e pela excelente atuação de Troy Baker dentro de uma narrativa que homenageia os clássicos filmes de investigação dos anos 30. É uma experiência leve, que não exige muito do jogador e funciona bem como entretenimento casual.
Embora a proposta pareça ser entregar algo mais acessível, não posso ignorar a ausência de desafio e inovação. Ainda assim, não dá para negar o quanto sua estética consegue prender a atenção.
É tudo isso mesmo?: Mouse: P. I. For Hire encanta com seu visual inspirado nos desenhos dos anos 30 e uma narrativa noir carismática. No entanto, o gameplay simples e repetitivo impede que o jogo alcance todo o seu potencial como FPS. – João Antônio











