Xenoblade Chronicles Definitive Edition: Marcante em sua época, uma grande opção nos dias de hoje | Análise

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Xenoblade Chronicles nasceu da vontade de Tetsuya Takahashi, um lendário produtor e diretor de games, em continuar sua própria história. Takahashi teve uma carreira invejável até o momento, tendo trabalhado em praticamente todos os grandes games da Square Enix de 1989 até 1998, quando ele dirigiu e roteirizou Xenogears. Um dos melhores RPGs do PS1 nunca teve uma continuação e na falta de espaço para continuar, Takahashi resolveu sair da empresa. Então ele fundou a Monolith, que em 2002 lançou Xenosaga, uma espécie de sucessor espiritual das ideias de Takahashi para Xenogears. Foram mais quatro anos trabalhando em sua nova franquia, que chegou a dar certo, mas não foi tão memorável.

Enquanto trabalhava com a Bandai Namco na franquia Xenosaga, Takahashi teve uma boa liberdade. Mas em 2006 a relação começou a ficar complicada e aos poucos o destino da Monolith já não era mais na Bandai Namco. Então a Nintendo comprou 80% das ações da empresa, oferecendo liberdade criativa para Takahashi em troca de exclusividade. Foi quando a Monolith, após trabalhar em alguns games menos conhecidos, deu luz a Xenoblade.

Xenoblade Chronicles era um RPG marcante e já nascia clássico

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Ao criar sua nova saga com as ideias que colocou em prática em Xenogears e Xenosaga, Takahashi iniciava uma nova história onde a humanidade dividiria o mundo com máquinas. Embora tenha sido lançado em 2010 no Japão, Xenoblade Chronicles só encontrou o caminho do ocidente em 2012. O jogo foi lançado para o Wii, onde já mostrava um visual incrível com cenários enormes e grandes criaturas. Depois para o New 3DS, uma versão melhorada do 3DS que conseguiu, milagrosamente, ter uma boa versão de Xenoblade. Mas é no Switch, agora em uma remasterização muito bem feita, que Xenoblade Chronicles encontra sua casa.

Na época do lançamento no Wii, eu fiquei babando em cima desse grande RPG, principalmente por ser fã de Xenogears. Com a chegada do game no Switch eu finalmente tive a oportunidade de conhecer a fundo a saga e entender os motivos deste jogo ser tão cativante. Um clássico pouco apreciado.

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Xenoblade Chronicles tem uma história conhecida, mas a sua maneira

Seria esquisito dizer que Xenoblade Chronicles tem uma história fantástica, uma vez que ela tem muitas ideias de outros jogos e contos. É um RPG que trata da amizade e da vingança. Ao mesmo tempo existem dilemas como controle do tempo, máquinas falantes, vilões incríveis e mortes inesperadas. Tudo é muito marcante, além de haver histórias paralelas muito bem contadas em capítulos até extensos, que aumentam a vida útil do game.

Mas de certa forma a impressão que fica é que nada do que vemos em Xenoblade Chronicles é novo. É como um catado de grandes histórias (inclusive FFVII) e que tenta impressionar com uma narrativa bem construída. Contudo, por mais que a história não seja tão surpreendente, tudo gira em torno dos personagens e suas motivações. Cada uma destas motivações criam pequenas adições na maneira que a história é contada, e então o brilho de Xenoblade Chronicles aparece. 

Como muito do jogo é contado com visões do tempo, a gente acaba ficando sabendo do que vai acontecer. Mas a ideia de que o futuro pode ser mudado não só dá um ritmo diferenciado na narrativa, como faz um elo genial com as habilidades que a gente vai ganhando no decorrer da história.

Resumidamente, jogamos com Shulk, um garoto que sobreviveu a um massacre e que tem uma grande ligação com uma espada mística. Ele busca vingança contra as máquinas (chamados Mechons) e uma delas em específico, após um fatídico acontecimento. Mas essa espada chamada Monado tem muitos outros mistérios guardados que acaba envolvendo muitos outros personagens.

Xenoblade Chronicles tem um sistema de combate… esquisito

Já são 10 anos desde o lançamento de Xenoblade Chronicles e o tempo não foi nada sutil com os RPGs japoneses durante essa última década. Muitas franquias tiveram que se reinventar e mudar suas fórmulas. Xenoblade entrega um gameplay que é idêntico ao jogo original (na verdade, tudo é igual ao jogo original, mudando apenas os gráficos e algumas pequenas mecânicas). De início, a sensação que o sistema de batalhas do game nos passa é esquisita. Não controlamos necessariamente os ataques dos nossos personagens, eles atacam automaticamente. Mas entre um ataque e outro podemos escolher habilidades especiais para tirar mais dano dos inimigos.

Aí é onde o sistema de batalha de Xenoblade Chronicles acaba viciando os jogadores. É preciso ter muita estratégia para usar cada tipo de ataque. Alguns só podem ser utilizados de frente, de lado ou nas costas dos inimigos. Ao atacar com um determinado tipo de golpe, seus companheiros podem lhe ajudar e criar uma corrente de ataque, gerando um status negativo nos inimigos que abre sua defesa por completo. Entender essas dinâmicas é essencial.

Além disso, com a espada Monado, podemos desferir ataques mega poderosos para cima de máquinas, ou criar defesas nos momentos corretos. Existem muitas combinações possíveis. Por fim, existem os ataques combinados, onde o jogo fica em câmera lenta lhe permitindo escolher qual será o melhor ataque com cada um dos personagens. Assim, se gera a chance de colocar em prática tudo que dissemos acima, mas de uma forma ainda mais poderosa.

Algumas mudanças em comparação com o original

Vale ressaltar que nas versões anteriores os personagens não tinham barra de saúde e o HP era indicado por números. Outra grande mudança é o alerta de chance. Seus ataques possuem um alerta que indica quando ele poderá ter maior eficácia, algo que ajuda bastante a entender quando e onde atacar alguns inimigos.

Não são mudanças muito grandes, mas que podem fazer com que o gameplay fique mais agradável. Contudo as lutas são muito envolventes e elevar os níveis dos personagens é uma das tarefas mais agradáveis de Xenoblade Chronicles.

Graficamente existe uma grande evolução em comparação com as demais versões do game. O Switch permitiu a Takahashi mostrar como Shulk realmente é. O visual é semelhante a Xenoblade Chronicles 2 e um grande diferencial no Switch. O game roda muito bem na dock e diferente do segundo game, que muita gente reclamou da versão portátil, quando jogamos fora da dock continua muito bonito. A trilha sonora recebeu algumas mudanças e continua maravilhosa.

A Monolith ainda inseriu uma história que se passa depois do final do game, com boas 10 horas de duração. Não é um conteúdo primordial, mas é muito indicado para os fãs da história e dos personagens.

Um RPG incrível, que sofre com o tempo de vida que possui

Sem dúvida alguma Xenoblade Chronicles Definitive Edition é a melhor versão deste clássico. Embora os jogadores menos pacientes talvez possam sofrer com algumas mecânicas antiquadas, os mais pacientes encontrarão um RPG gigantesco e lotado de coisa para fazer. As missões paralelas não são boas, são bem superficiais, mas ajudam muito na hora de evoluir e só exigem que você combata determinados inimigos, muitas vezes no caminho que a história te leva. Isso atrapalha na exploração do jogo, que é baixa. Mas no geral, você vai acabar tendo que repetir muitas lutas, como em qualquer RPG, para ganhar níveis. Aos poucos a história vai te direcionando e a curiosidade guia o jogador.

Assim, essa é a melhor oportunidade de os jogadores conhecerem Xenoblade Chronicles, um jogo marcante em sua época, que se torna uma boa opção pros dias de hoje.

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