Clive Barker’s Hellraiser: Revival Review – Uma excelente adaptação que honra a mitologia da franquia

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A geração do PlayStation foi uma grande seara de títulos baseados em grandes produções de Hollywood. Embora em pouquíssimos casos houvesse jogos de qualidade, fato é que a indústria dos games naquela época quis se misturar com as grandes telas. Depois deste fascínio, a indústria atualmente vive um momento diferente, mas há quem se dedique a trazer adaptações de grandes marcas para os videogames. A Saber Interactive tem estado na vanguarda em trazer para os jogos experiências baseadas em grandes marcas licenciadas presentes no cinema e em outras mídias — como Um Lugar Silencioso, World War Z, Evil Dead, obras de John Carpenter, Jurassic Park, John Wick e Warhammer, por exemplo. Dito isso, um novo ícone do terror dos anos 80 está prestes a fazer sua estreia nos videogames sob os cuidados da desenvolvedora. Estou falando de Clive Barker’s Hellraiser.

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Com lançamento para o dia 8 de outubro de 2026 nas plataformas PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC, Clive Barker’s Hellraiser: Revival é mais uma iniciativa da Saber em expandir universos já existentes e que vem dando muito certo. Com todo o histórico controverso dessa popular franquia cult de terror, será que o game honrará o legado do primeiro filme e a colocará em voga novamente desde o reboot de 2022?

O Combo Infinito teve a oportunidade de jogar o game antecipadamente e agora eu posso falar se Clive Barker’s Hellraiser: Revival é tudo isso mesmo ou não.

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Prazer na dor

É importante esclarecer o que é Hellraiser e o que ele significa. Hellraiser é um filme de terror lançado em 1987, escrito e dirigido por Clive Barker, que escreveu a novela de horror The Hellbound Heart, centrada em um criminoso hedonista que adquire uma caixa de quebra-cabeça mística conhecida como Configuração de LeMarchand. Quando ativada, a caixa pode ser usada para invocar os demônios Cenobitas, que exploram os limites extremos entre a dor e o prazer.

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O filme de 1987 trouxe essa mitologia para os cinemas e conquistou os amantes do terror por sua estética e soberania. Sobretudo, os Cenobitas não eram como os assassinos em série que estávamos acostumados a ver no terror slasher dos anos 80. Hellraiser trouxe, através dos Cenobitas liderados por Pinhead, um terror mais profano, sexual e grotesco de uma forma sóbria e característica.

Inspirada no impacto cultural de Hellraiser, a Saber decidiu criar um jogo single-player com uma história original que se passa 20 anos após os eventos do primeiro filme — ignorando as sequências diretas, mas incluindo premissas vistas na franquia.

Desta forma, o jogo se inicia com uma cena que representa a essência do que significa Hellraiser. Nosso protagonista, Aidan, está em uma noite de muita intimidade com sua namorada Sunny. Com uma forma de amor muito estranha, por sinal, o casal tem em mãos a caixa de LeMarchand e, durante seu ato de amor, eles ativam a configuração da caixa e invocam os Cenobitas liderados pelo icônico Pinhead. Quem assistiu aos filmes sabe que invocar os Cenobitas tem um preço a se pagar, e Sunny virou o sacrifício. Aidan fica inconsciente e é capturado por uma seita que adora o Leviatã, entidade suprema a quem os Cenobitas servem. Agora Aidan irá em busca de Sunny, enquanto tenta escapar da seita.

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Uma excelente adaptação

Todo este contexto inicial coloca Aidan em uma jornada infernal, com diversos jogos psicológicos e uma profunda exploração da mitologia dos livros. A Saber fez um excelente trabalho em expandir temas que nem mesmo o filme original e sua continuação tiveram o cuidado ou o tempo para explorar. Por exemplo, Aidan estará continuamente andando pelo Inferno de Hellraiser, um labirinto que abriga o Leviatã e os Cenobitas — local que no segundo filme trouxe poucos detalhes.

A história de Revival, mesmo sendo original, busca inspiração em elementos que outros filmes da franquia criaram, como em Hellraiser V: Inferno (lançado em 2000), que traz um elemento adicional à mitologia onde o prazer não está atrelado apenas ao masoquismo, mas também em manipular sua vítima com jogos mentais. Um exemplo é a forma como os Cenobitas usam este conceito para brincar com a mente de Aidan. Em certo momento no jogo, o protagonista faz uma proposta para Pinhead e, a partir disso, sua vida vira um inferno com diversos flashbacks do passado.

Além disso, a caixa de LeMarchand ganhou mais nuances. Diferente dos filmes que apresentaram uma estrutura unicamente cúbica, no game ela ganha diversas formas que terão grande valia em puzzles presentes no gameplay — algo que também vimos no reboot de 2022, no qual a caixa ganhou diversas configurações que correspondem a um tipo de desejo ou “presente” concedido pelo deus do inferno, Leviatã.

Em resumo, Hellraiser: Revival honra bem a mitologia da franquia, expandindo seu universo e trazendo de volta a clássica voz do Pinhead, trazida à vida pelo ator Doug Bradley. Apesar da falta de carisma e de motivos mais convincentes para a jornada de Aidan em salvar Sunny, este jogo traz uma história que supera muitos dos filmes que a franquia recebeu ao longo dos anos.

Começou bem, mas…

Hellraiser: Revival começa muito bem, apresentando uma atmosfera imponente como um bom e velho survival horror. A escassez de recursos, a trilha sonora e todo o ambiente opressivo apresentado cumprem bem seu papel. Estar na pele de alguém indefeso e ferido é o ingrediente perfeito para uma jornada de terror e sobrevivência. Os minutos iniciais evocam a influência da franquia Resident Evil, principalmente seu sétimo jogo numerado (lançado em 2017) — seja pela visão em primeira pessoa, o inventário ou o mapa que muda de cor quando você coletou tudo o que tinha nos cenários. Todos esses elementos entregam a imagem do que Hellraiser quer ser como jogo.

E ele faz isso bem quando tenta ser um terror de sobrevivência purista, mas tropeça em si mesmo quando também tenta ser um FPS de ação. A Saber descreveu seu jogo como uma mistura de ação e survival horror, e é nessa dualidade que Hellraiser: Revival se confunde: ele não sabe escolher o que quer ser e, quando tenta ser ambos, não entrega a melhor execução.

Ao longo do jogo, a experiência muda de forma abrupta do survival horror para um FPS de ação, porém as escolhas de design de sobrevivência continuam em sessões de combate intenso. O resultado disso são momentos com alta quantidade de inimigos sem que o jogo entregue ao jogador os recursos necessários para um jogo de ação. Espere passar por diversos confrontos onde você precisará se esforçar para matar todos os inimigos apenas com sua faca ou usando garrafas do cenário. Essa incoerência de game design é uma falha de muitos jogos que querem colocar ação demais em uma estrutura de survival horror, acabando por se perder e prejudicar o gameplay.

Depois da tempestade vem a calmaria

A movimentação do personagem é voltada para algo mais cadenciado, mas às vezes o jogo te coloca em situações de confronto frenético sem te dar recursos para isso.

A jornada de Aidan não se resume ao plano terreno. O protagonista estará sempre visitando o Inferno e seu famigerado labirinto. É nessa sessão que a criatividade ganha forma e entrega a atmosfera e a tensão necessárias para uma verdadeira experiência de terror e sobrevivência. Toda a configuração do labirinto lembra muitos mapas de um metroidvania, com caminhos alternativos, áreas para aumentar a vida, desafios e até perseguições onde você tem que fugir dos Cenobitas. Além disso, o design deste lugar é um show à parte e eleva a mitologia de Hellraiser.

Particularmente, essa sessão do jogo poderia ser focada puramente no lado survival horror, e seria ótimo. No labirinto, o cubo tem várias utilidades. Conforme você avança, o poder da caixa de LeMarchand pode mover plataformas para dar acesso a caminhos inacessíveis — e tudo isso é feito de forma magistral.

Saindo do labirinto, o cubo funciona como uma extensão do seu arsenal — mais uma novidade que o game adicionou. No gameplay, você pode usar o cubo para manipular objetos cortantes e perfurantes para acertar inimigos, imbuí-los com fogo e usar um ataque especial que prende os adversários com correntes. Todas essas alternativas fazem bem ao gameplay e trazem abordagens diferentes na hora do combate. Além disso, a caixa de LeMarchand é usada para decifrar enigmas onde você deve alinhar uma configuração específica.

Sem vergonha do que é

O universo e toda a mitologia por trás de Hellraiser trazem um grande foco na sexualização, na profanação e no grotesco. Os livros e os filmes representam muito bem essa ideia por trás desse terror, que agora nos games é respeitada de forma fiel e sem medo. Se decidir jogar, esteja ciente de que verá muito conteúdo sexual e brutalidade — e parte disso está inserida em sua direção de arte, que, por sinal, é incrível.

A ideia dos Cenobitas, a seita religiosa que os venera e todo o estudo da ideia de “prazer na dor” é, ao mesmo tempo, desconfortável de se ver, mas traz consigo uma identidade única que nenhuma outra franquia possui ou teria coragem de abordar. Portanto, a Saber foi corajosa e, sobretudo, caprichosa em manter essa identidade visual tão cristalina, sem se preocupar com as controvérsias que o lançamento poderá acarretar.

Toda essa construção de mundo foi feita sob as tecnologias gráficas da Unreal Engine 5. Minha análise aconteceu na versão de PS5 do jogo e não tive muitos problemas de desempenho. A iluminação e os visuais estão bons. O título não é o ápice visual da geração, mas é muito eficiente em transmitir algo concreto através de sua direção de arte. Sua forma artística é única, pesada e desagradável (no bom sentido).

A sonoplastia, por sua vez, tem um impacto significativo no jogo. Todos os momentos de tensão receberam uma atenção sonora especial, sem falar na belíssima dublagem de Pinhead.

Veredito

Clive Barker’s Hellraiser: Revival entrega uma excelente adaptação ao trazer novas camadas à mitologia da franquia, enquanto sofre de uma certa indecisão sobre o que realmente quer ser: um survival horror cadenciado ou um FPS de ação. Essa confusão de design afeta o gameplay em alguns momentos, mas, no geral, Hellraiser recebeu uma adaptação digna do seu impacto cultural.

Se você é um fã, o universo da franquia estará muito bem representado, ainda mais com o valor que ele está sendo comercializado. O título está sendo comercializado a 40 dólares e no Brasil no PC está custando R$ 149,90, no PS5 R$ 229,90 e no Xbox R$ 194,95.

É tudo isso mesmo?: Clive Barker’s Hellraiser: Revival entrega uma excelente adaptação ao expandir a mitologia da franquia e o folclore dos livros, trazendo de volta a voz clássica de Pinhead e uma direção de arte corajosa baseada na Unreal Engine 5. Embora oscile de forma confusa entre o survival horror cadenciado e o FPS de ação, o título se consolida como uma obra digna do impacto cultural da série. – João Antônio

8
von 10
2026-10-08T09:00:20-03:00

Recebemos Clive Baker’s Hellraiser: Revival gratuitamente para review e agradecemos à Saber Interactive pela confiança.

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