Tales of Kenzera: Zau é um Metroidvania Lite cheio de mensagens, emoção e deslizes – Análise | Review

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Eu já perdi pessoas próximas e queridas nesta vida e imagino como é perder um pai, embora eu também imagine que deva ser uma das maiores dores do mundo, mesmo sabendo que é a lei natural das coisas. Contudo, quando isso ocorre muito cedo, as marcas são profundas.

Abubakar Salim, um ator que já trabalhou na TV em séries de grande expressão e em jogos como Assassin’s Creed Origins, transformou a dor da perda de seu pai em uma história de videogame com Tales of Kenzera. Já se passaram 10 anos desde que o pai de Salim partiu, e ele compartilha que foram 10 anos de tentativas para entender e aceitar essa perda. Apesar de seu pai não acreditar em vida após a morte e afirmar que só haveria o “nada” depois desta vida, Salim demonstra que a vida vai além deste plano, ao menos com sua forma emocionante de citar seu pai e mostrar que sua memória ainda vive.

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Contudo, a emoção fora do jogo existe, mas e dentro do game? Como é Tales of Kenzera e ele consegue mesmo nos passar alguma mensagem de conforto ou de “aceitação” diante da morte? Recebemos o game das mãos da EA Games, uma vez que Tales of Kenzera faz parte do selo EA Originals, e, como todo jogo independente, mesmo com o apoio da EA na publicação, este projeto tem um budget menor, o que traz limitações e oportunidades de criatividade. Joguei por 12 horas antecipadamente e agora vou contar para vocês tudo que achei do jogo.

A arte imita a vida. Ou a morte.

Tales of Kenzera conta a história de Zuberi, que acabou de perder seu pai e não consegue se despedir dele. Contudo, ao encontrar um livro escrito por seu pai, ele encontra um alento e inicia uma aventura que nós, jogadores, passamos a guiar, conhecendo assim Zau, o verdadeiro protagonista do jogo. Zau é essencialmente um reflexo de Zuberi, sugerindo que a história que o pai de Zuberi queria contar em seu livro era especialmente para seu filho.

Dentro da narrativa do livro, Zau também enfrenta a perda de seu pai, um respeitado Xamã, e se vê incumbido de assumir seu posto. Como Xamã, ele tem contato com outros mundos e com deuses, incluindo Kalunga, o deus da morte. Zau e Kalunga formam uma equipe, onde Zau busca ajudar os espíritos de Kenzera para, eventualmente, reviver seu próprio pai por meio dos poderes de Kalunga. E assim começa a jornada.

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A história de Tales of Kenzera é envolvente, abordando momentos de desespero pela perda, incertezas sobre o autoconhecimento, potencial não explorado e, é claro, o luto. Embora não seja tão emocionante quanto inicialmente esperado, é uma escolha criativa abordar uma narrativa sobre morte de maneira mais leve.

A interação entre Zau e Kalunga, assim como com os espíritos encontrados na floresta, enriquece a narrativa, tornando-a interessante e dinâmica. O jogo é relativamente curto; em 12 horas, consegui completar todas as habilidades de Zau e explorar diversas atividades adicionais.

O Sol e a Lua

Tales of Kenzera

Zau começa sua jornada em Tales of Kenzera portando duas máscaras que seu pai usava como Xamã: a máscara do Sol e a máscara da Lua. Cada uma delas possui poderes específicos; a do Sol emite uma energia amarela, eficaz contra inimigos com barra de vida amarela e em combates corpo a corpo, enquanto a máscara da Lua, de cor azul, permite que Zau mude para uma postura de ataque à distância. Dominar o uso das duas máscaras e realizar combos é crucial para o progresso na aventura. Embora o jogo não seja particularmente difícil, há momentos que apresentam desafios de combate que exigem mais habilidade do jogador.

A evolução de Zau ocorre ao enfrentar desafios pelo cenário que o levam a locais mais perigosos. Ao concluir esses desafios, o jogador recebe amuletos que podem ser utilizados. Os pontos de experiência são automaticamente acumulados, permitindo ao jogador aumentar os poderes das máscaras do Sol e da Lua conforme preferir.

O combate é o ponto central de interesse em Tales of Kenzera, com uma variedade razoável de inimigos para a extensão do jogo. Embora haja poucas batalhas contra chefes, estas são geralmente tranquilas, mas proporcionam uma experiência divertida e gratificante.

Um Metroidvania Lite

Tales of Kenzera

Tales of Kenzera é um jogo no estilo Metroidvania, mas não segue todos os elementos do gênero à risca e falha em alguns aspectos. Os gráficos são atraentes, com cores vibrantes e cenários bem desenhados. A progressão é totalmente lateral, semelhante ao mais recente Prince of Persia, onde exploramos o mapa da região em busca do espírito da floresta.

No entanto, ao contrário de outros jogos do gênero que oferecem uma abordagem mais sutil, Tales of Kenzera exibe totalmente o mapa da área em que o jogador está, com miniaturas indicando o que pode ser encontrado em cada parte. No entanto, um dos principais problemas do jogo é que o mapa é confuso e não indica se o jogador já explorou determinadas regiões, servindo apenas como um guia superficial sobre o que fazer e onde fazer, abaixo do padrão esperado para um jogo desse gênero.

Um design confuso

Existem diversas portas trancadas que exigem habilidades específicas para serem abertas, alterando a maneira como o jogo é jogado. Por vezes, o jogador se verá impedido de avançar e precisará retornar posteriormente para desbloquear essas áreas, com a esperança de encontrar segredos ou colecionáveis. Embora o jogo crie conexões entre as diferentes áreas por meio do design de níveis, em alguns momentos fiquei sem abrir portas por não me lembrar onde estavam localizadas. Isso resultou em deixar algumas áreas não exploradas por não querer vagar pelo cenário novamente.

Falando sobre o design de níveis, todas as regiões são semelhantes, com pequenas variações de biomas. No entanto, a forma como o jogador navega por esses lugares muda muito pouco, com uma diferença mais perceptível ocorrendo apenas por volta dos 70% do jogo. Talvez devido à grande quantidade de Metroidvanias desafiadores e complexos desenvolvidos por estúdios independentes atualmente, ter um jogo mais simples em escopo pode parecer um pouco fora do comum.

Trilha sonora? Eu não sei…

Tales of Kenzera

O que vou mencionar agora deve acabar corrigido no lançamento do jogo, mas até o momento em que estou escrevendo este review, enfrentei um problema bastante irritante com Tales of Kenzera. Há uma música inicial no jogo que ficou presa em um loop durante toda a minha experiência, em um volume bastante alto. Essa mesma música acabou se misturando com todas as outras durante todo o meu gameplay, o que prejudicou consideravelmente minha imersão no jogo em vários momentos.

No entanto, não vou reduzir a nota deste review devido a esse problema, pois claramente se trata de um erro na faixa musical que deve receber uma correção rapidamente pela equipe de desenvolvimento. Portanto, se você estiver jogando o jogo e estiver lendo esta análise, por favor, compartilhe nos comentários se essa questão já acabou resolvida.

Por outro lado, as vozes dos personagens são incríveis. Embora apenas em inglês, os atores fazem um trabalho excelente, com destaque para Salim no papel de Zao. Eles conseguem transmitir a emoção certa em cada um dos personagens. Isso contribui para a imersão e a conexão emocional do jogador com a história.

Conclusão

Tales of Kenzera

Tales of Kenzera é claramente um jogo feito com paixão, mesmo com recursos limitados. Isso não diminui o valor do projeto nem a intenção de transformá-lo em uma homenagem ao pai de Salim. O visual do jogo é agradável, embora não seja excepcional. O ponto alto do jogo é o combate, embora os inimigos possam ser um pouco fáceis. No geral, Tales of Kenzera como um projeto é admirável pelo seu conceito, enquanto o jogo oferece uma experiência satisfatória o suficiente para entreter ao longo de suas 12 horas de gameplay. No entanto, não espere que a experiência deixe uma marca duradoura em sua mente, já que o jogo é um pouco mais simples do que poderia ser.

Apesar disso, Tales of Kenzera me divertiu enquanto joguei e recomendo pelo preço de lançamento. Se você se importa com a história de Salim e seu pai, ou se passou por algo semelhante recentemente, provavelmente irá apreciar a mensagem que o jogo transmite por meio de seu belo texto e narrativa, mesmo com seus problemas e a falta de profundidade em alguns aspectos.

Estou curioso sobre o futuro da Surgent Studios, pois com mais recursos e uma equipe maior, certamente poderão criar histórias incríveis no mundo dos jogos. Abubakar Salim já demonstrou sua paixão pelo que faz, e espero ver mais jogos vindos de sua mente criativa.

Tales of Kenzera: Zau: Tales of Kenzera é um jogo feito com paixão, apesar dos recursos limitados, e busca homenagear o pai de Salim. O visual é agradável, mas não excepcional, enquanto o ponto alto é o combate, embora os inimigos possam ser fáceis demais. Apesar de oferecer uma experiência satisfatória, não deixa uma marca duradoura na mente do jogador, sendo um tanto mais simples do que poderia ser. M@xpay

7
von 10
2024-04-22T11:00:10-0300

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